Sua supervisora era uma
mulher idosa com cabelos brancos esticados com força para a parte de trás da
cabeça e presos ali como inumeráveis grampos; seus cabelos estavam esticados,
sua expressão estava esticada, e devido à obesidade, suas roupas estavam esticadas.
Tudo a respeito da mulher estava esticado, especialmente a sua paciência.
— Você conhece a sua ficha de
motorista melhor do que eu — disse ela bruscamente, mal erguendo os olhos do
serviço sobre a sua escrivaninha. — Tamanha irresponsabilidade na estrada,
especialmente quando transportando crianças, é um risco para esta organização
e não pode ser tolerado. Bledsoe tentou manter a sua dignidade profissional,
mas estava definitivamente indignada.
— Srta. Blaire, tenho aqui em
mãos as fichas de motoristas de nada menos do que uma dúzia de outros
funcionários do Departamento de Proteção à Criança; tenho até os resultados de
alguns testes de aptidão...
— Já vi todos eles, e não
quero vê-los novamente.
— Srta. Blaire, você se mete
com a pessoa errada!
SLAM! A Srta. Blaire jogou com força os papéis e os lápis
sobre a escrivaninha e perfurou a Bledsoe com olhos de frio aço.
— Acabou de dizer isso
à pessoa errada, Sra. Bledsoe, está-se dirigindo, em essência, ao Estado. Não
nos "metemos" com ninguém; estabelecemos a nossa pauta de atividades
e julgamos nossos empregados pela eficiência com que as desempenham. A verdade
e que você foi considerada um perigo para este departamento, e, como tal, foi
despedida.
— É por causa do caso Harris,
não é? Esse é o verdadeiro motivo? A Srta. Blaire respondeu fria e
mecanicamente:
— É por causa da sua ficha de
motorista, Sra. Bledsoe. A senhora...
— Eu estava apenas cumprindo
as ordens que recebi!
— Simplesmente não se pode
confiar na senhora para transportar crianças com segurança, e essa é a última
coisa que vou dizer a respeito do assunto. Agora termine seus deveres
apropriadamente, ou farei com que deixe de receber seu último pagamento!
— Não... não pode fazer isso!
A Srta. Blaire apenas deu o
seu sorriso frio, calculista. Oh, sim, podia, e Bledsoe sabia.
— Está bem. Está bem. Já
limpei a minha escrivaninha e entreguei os meus casos a Julie e Betty. O que
falta ainda?
— Levar os filhos de Harris
de volta a Baskon.
Ed e Mose ainda estavam sentados em seu posto na frente da Barbearia do Max, apenas observando qualquer coisa que passasse diante deles na rodovia Toe Springs-Claytonville.
Ed corria os olhos pelo
último exemplar do Estrela do Condado de Hampton, assegurando-se de que
Mose ficasse a par de tudo, quer Mose estivesse interessado, quer não.
— O Casarão Branco está à
venda — avisou ele.
Mose observava uma poça de
lama no outro lado da rua e pensava que talvez a Mercearia precisasse de novas
calhas.
— Hein?— Eu disse que o
Casarão Branco está à venda. Aquele casal que vivia em pecado finalmente
decidiu mudar-se.
— O que? Separaram-se?
— É apenas o anúncio de venda
da casa, Mose. Não fala nada a respeito disso.
Mose tirou um momento para
dar uma cuspida na rua.
— É, provavelmente não diz
nada a respeito do sargento Mullingan também. Ele também vivia em pecado, ouvi
dizer, ele e aquela supervisora da fabrica de portas.
— Quer dizer um com o outro?
— quis saber Ed.
— Os dois se foram, não é?
Ambos se mandaram ao mesmo tempo. Alguém os viu juntos. Eu não nasci ontem, Ed.
Ed pensou por um momento.
— Eh... não me importo que se
tenham ido. Eram um bando estranho, ele e seus amigos.
— Não era um tira muito bom
também. — Jon Schmidt era um tira?
Mose ficou abismado com a
burrice de Ed naquele dia.
— Não, amigo, Mulligan!
— Bem, alegro-me em vê-lo ir
embora também.
— É, e aquele bando do
Casarão Branco, estou contente de ver que se foram.
— Todo o mundo está
indo embora. Parece que a cidade inteira se demite.
— Quem se demite?
Ed entregou o jornal a Mose,
e Mose ajustou os óculos.
— Está vendo aqui? Temos...
umm... estes três fulanos do conselho escolar, umm, a Sra. Hanover, e John
Kendall...
— John Kendall? Aquele
teimoso! Quem finalmente o convenceu?
— E olhe aqui: Jerry Mason.
Isso dá três. Mose estava pasmado.
— Bem... não foi ontem mesmo
que Elvira disse que a escola primária ficou sem a professora de quarta série,
a Srta. Beer?
— Brewer.
— Dá na mesma. Ela e aquele
tal Woodard se meteram num bate-boca. — Woodard está ficando velho, esse é que
é o problema. Ele se aposenta.
— O que foi que disse?
— Ele vai-se aposentar no fim
deste mês.
— Ele não parecia tão velho
assim.
— Você tem olhado demais no
espelho, Mose. Mose empurrou o chapéu para trás.
— Ora essa. Você tem razão.
Todo o mundo se demite! Talvez eles saibam alguma coisa que não sabemos! Ei!
Ei, espere um minuto!— O quê?
— Ora, vire para a segunda
página ali. Olhe aí.
— Bem, dê-me umas asas e me
chame de anjo...
— Tem alguma coisa dando a volta
por ai, Ed. Alguma coisa dando a volta.
Eles liam uma notícia:
JUIZ DO SUPREMO TRIBUNAL
DEIXA O CARGO. Ed inclinou a cabeça para trás a fim de conseguir ler através de
suas lentes bifocais.
— Quem é esse Owen Bennett?
— O último homem no Supremo
Tribunal. Não faz muito tempo que foi nomeado.
— "Bennett atribui seu
pedido de demissão a problemas de saúde e motivos pessoais." Mas ele
parece bem moço, não acha?
— Você também tem estado
olhando demais no espelho, Ed.
— Ora essa, pode ser... Mose
caiu na risada.
— Ei, sabe de uma coisa, Ed?
Talvez a gente também devesse pedir demissão.
Ed pensou a respeito por um
momento e replicou com grande seriedade:
— Mose, onde é que o mundo
estaria sem a gente aqui para ficar de olho nele?
Então os dois caíram na risada,
golpeando-se e cutucando-se mutuamente e divertindo-se para valer; podia-se ouvi-los
por diversos quarteirões de distância.
Sally continuou dirigindo rumo a Baskon, revirando vez após vez na cabeça como exatamente ela ia apresentar-se diante da Sra. Potter, como que voltando dos mortos, e pedir para continuar alugando a antiga sede do sítio. Isso, naturalmente, dependia de ela conseguir de volta seu emprego na fábrica de portas, e isso provavelmente dependia de eles aceitarem ou não sua desculpa para ter ficado fora tanto tempo sem ter dito nada, e isso levantava toda a questão do que ela ia dizer a todos eles, e isso dependeria de se ela poderia ou não falar sobre o assunto em público durante o decorrer da investigação, mas então, ela não sabia ainda se chegaria a haver uma investigação.
Ela diminuiu a velocidade ao
aproximar-se da intersecção que ficava bem no meio dos milharais. Sentiu leve
tensão no estômago. Essa era a mesma intersecção na qual aquela mulher Bledsoe
quase se chocara contra ela com os filhos de Tom Harris no carro.
De qualquer forma, a primeira
coisa era descobrir o que acontecia em Baskon, e como a ação judicial
prosseguia, ou se ainda prosseguia. Bernice Krueger devia ter recebido aquela
última carta a essa altura, e deve ter mandado todo aquele material a Tom
Harris, por isso alguma coisa devia estar sendo tramada. Ela não tinha
visto nenhum jornal nos últimos dias.
Bem! O que era isso, um tipo
de retro-visão? Ela tinha de estar vendo coisas!
Lá estava aquele mesmo carro
verde!
Irene Bledsoe assegurou-se de parar cuidadosa e seguramente no notório cruzamento que lhe havia custado o emprego. Josias e Rute estavam bem presos com os cintos dessa vez. O cruzamento parecia o mesmo, exceto que o milho estava mais alto. Era quase como tornar a ver algo já visto antes, sentar-se ali esperando por aquela... aquela caminhonete azul... dirigida pela mulher de lenço xadrez na cabeça...!
Sally ficou a olhar petrificada. Não podia evitar. Aquela era Irene Bledsoe novamente! E lá estavam os dois filhos de Harris!
Da traseira da caminhonete de Sally, Mota e Signa acenaram para seus dois camaradas, Chimon e Scion, que iam em cima do carro verde. Que bom esse encontro ter dado tão certo!
Irene hesitou. Ela estava no veículo à direita, por isso devia atravessar a intersecção primeiro, mas simplesmente não conseguia mover-se. Não podia acontecer!
Josias também viu a mulher e
ficou maravilhado.
— Ei, olhe! Lá está aquela
senhora da caminhonete azul!
— Isso mesmo — disse Rute. —
Lembro-me dela!
Então não era alucinação!
Irene pressionou o acelerador suavemente e começou a rastejar pelo cruzamento,
apenas encarando a mulher.
— Ei — disse Josias, também
encarando — ela está chorando.
Sally viu o carro verde passar em sua frente e aumentar a velocidade, e então enxugou os olhos.
Senhor, isto veio do Senhor!
O Senhor usou isto para me contar!
Agora ela sabia. Esse
encontro, essa cena diante dela, disse tudo: Em algum lugar, de alguma forma,
as trevas haviam sido trespassadas; estavam desfeitas, caídas, seu poder se
fora!
As crianças iam para casa.Bem
do alto, Baskon parecia verdadeiramente prazenteira, cálida, convidativa, como
a cidadezinha de um modelo de ferrovia, seus telhados marrons, vermelhos e
pretos destacando-se contra a verde colcha de retalhos dos campos, e seus silos
prateados esticando-se para o céu, brilhando ao sol.
O céu estava limpo, tanto de
nuvens quanto de imundície espiritual, banhado com a luz dos Céus, refrescado
com preces e louvores ao Criador de tudo aquilo. Era bom voltar, bom ver o
lugar tão limpo. Essa era a recompensa da batalha.
Tal e Guilo iniciaram uma
descida suave, as asas bem abertas e imóveis a fim de carregá-los
preguiçosamente sobre a cidade, passando bem alto sobre a Rua Fronte com seus
carros e caminhonetes se encontrando no único cruzamento, acima da Mercearia
com sua chaminé fumegante e suas enxadas rotativas expostas na calçada, acima
do pequeno agrupamento de casas e garagens no Círculo do Morango, logo acima do
topo da grande torre prateada da caixa d' água com a luz vermelha na ponta,
cada vez mais baixos sobre alguns pequenos sítios — dali de cima as galinhas
pareciam pequeninos triângulos brancos, pretos e vermelhos — e por fim, a nível
dos telhados, atravessando a Estrada do Lago e ao topo da casa de Tom Harris.
Eles chegaram sobre o jardim
da frente de Tom, deram uma puxada para cima, detiveram-se logo acima do cume
do telhado, pousando sobre ele. Podiam ouvir o café da manhã em andamento lá
embaixo; muita conversa, muito compartilhamento, muito regozijo. Ótimo. Os
outros chegariam a qualquer momento, e então aquela reunião quase feliz lá
embaixo estaria completa.
Guilo apontou para o nordeste.
Duas faixas de luz estavam descendo rapidamente do céu. Natã e Armoth, acabando
de voltar de Ashton!
Outras duas trilhas de luz
apareceram no céu ao ocidente; Cree e Si estavam voltando da debandada no
Centro Ômega.
Dentro de minutos, Natã e
Armoth passaram sobre a casa como duas águias fulgurantes, acenando com as
espadas à guisa de saudação. Tal puxou sua espada coruscante e indicou-lhes que
pousassem no lado esquerdo do jardim.
Cree e Si caíram
perpendicularmente de cima e usaram as asas como conchas a fim de frear o
mergulho, assentando como pára-quedistas ao lado da direita do jardim conforme
Tal lhes indicava.
Então, esperaram, cada
guerreiro em seu lugar.
— Ah, aí vêm eles — disse
Tal, olhando pela Estrada do Lago na direção da cidade.
Era o carro verde, com Chimon
e Scion ainda sentados na capota, suas asas arrastando-se como flâmulas
cintilantes, tremeluzentes. Eles abanaram as espadas aos companheiros, que
devolveram o gesto.
Irene Bledsoe foi encostando devagarinho até parar na estrada defronte da casa. Ela estava prestes a estender a mão para trás a fim de ajudar as crianças a soltar os cintos e apanhar suas coisas, mas não foi preciso; Josias e Rute jorraram para fora do carro como crianças saindo da escola e dispararam pela calçadinha da frente sem olhar para trás.
Bledsoe virou o nariz
pontiagudo para diante, pisou no acelerador, e deu o fora dali. Chimon e Scion
abriram as asas, ergueram-se da capota e deixaram que o carro disparasse de sob
eles. Então, pousaram sobre o chão nos dois lados do portão de entrada.
As crianças não bateram para
anunciar sua chegada, mas simplesmente abriram de sopetão a porta da frente e
explodiram pela casa adentro, suscitando tamanha reação do pessoal que estava
ali dentro que Tal e Guilo podiam sentir o barulho através dos pés.
Os guerreiros no jardim
podiam enxergar através da porta da frente. Tom estava de joelhos, agarrado aos
filhos, chorando de alegria. Seus amigos se reuniam ao redor, tocando-o,
tocando as crianças, murmurando preces de gratidão e louvor, perguntando mas
não recebendo nenhuma resposta em toda a confusão, e não se importando nem um
pouco.
As asas dos anjos se elevaram
com suas emoções, chegando ao alto, abrindo-se amplamente, brilhando com o gozo
fulgurante que enchia a casa naquele dia. Eles se puseram a adorar.
— Podemos ficar em casa agora, paizinho? — perguntou Rute através das lágrimas.
Tom hesitou. Estava com medo
de responder. Marshall tocou-o.
— Pode dizer que sim.
Os olhos de Tom brilharam com
profundo gozo e certeza.
— Realmente vencemos,
não foi mesmo?
Marshall indicou os garotos
com os olhos. De que outras provas precisavam? Tom disse:
— Podem crer! Jamais vamos
ficar separados novamente! Mais abraços. Mais lágrimas.
Um rangido baixinho de
breque. Pneus nos pedriscos. Um lampejo azul.
Tom não percebeu, por motivos
óbvios, mas Marshall percebeu. Ele olhou através da janela aberta.Não podia ter
certeza. Não podia acreditar. Ele se dirigiu à porta enquanto os outros
permaneciam em seu pequeno e jubiloso ajuntamento.
Havia uma mulher lá fora,
estacionada do outro lado da rua em uma caminhonete azul.
Sally tentava manter-se despercebida, tentava não parecer óbvia ao examinar a casa de Tom. Ela escutava, e podia ouvir o regozijo através da porta da frente que estava aberta. Tinha visto Irene Bledsoe indo embora, e tinha visto as crianças correrem para dentro. Estavam todos tendo um reencontro muito maravilhoso lá. Ela não sentiu que pertencia àquele grupo. Não sabia o que fazer.
Mota e Signa pularam da
traseira e postaram-se ao lado da cabine, falando-lhe com urgência. Eles não
vão machucá-la, Sally.
Ei, não se importarão com a
sua aparência.
Estou horrível, pensou ela.
Estou cheirando mal. E se eles nâo souberem quem sou? E se for a casa errada?
Vamos lá. Eles ficarão
contentes em vê-la!
Ela desligou o motor e
sentou-se ali por mais uns momentos, apenas olhando fixamente à frente e
pensando. Suas mãos tremiam; ela estava tão nervosa que seu estômago doía.
Eles parecem tão felizes lá
dentro! Parecem um bando amigável. Tenho de saber o que aconteceu. Podem
rejeitar-me, suponho, mas tenho de saber.
Ela abriu a porta da
caminhonete e desceu para o acostamento. Caminhou na direção da traseira do
veículo; desse angulo podia espiar pela porta da frente e ver o que acontecia
lá dentro.
Ora, bolas! Eles também me
poderão ver! Acho que aquele grandalhão me viu!
Com aquele único, rápido vislumbre, Marshall achou que iria sair voando pelo telhado direto aos Céus! Isso era coisa do Senhor, sem dúvida! Oh, ele faz todas as coisas tão bem!
Ele saiu cuidadosamente à
varanda como aproximando-se de um veado tímido, com medo de afugentá-lo.
Tal deixou-se cair na varanda
e ficou ao lado dele. É ela, Marshall. Não a deixe fugir.
Sally apressou-se a voltar à cabine da caminhonete e começou a entrar. Ela ia desistir daquela idéia. Talvez pudesse escrever outra carta para Tom; aquilo era simplesmente desajeitado demais! — Sally!
Imobilizou-se, a mão no
trinco da porta, o pé direito no estribo. Ela não sabia se devia ser Sally Roe
ou não. Quem era aquele sujeito?
— Sally Roe?
Ela continuou imóvel, apenas
olhando fixamente para a frente. Se eu virar a cabeça, ele saberá. Quem é
ele?
De dentro da casa, ela ouvia
as crianças rindo.
— Puxa — dizia o garotinho —
minha própria cama de novo! Estou a salvo? Chega de correr?
— Obrigada, Jesus — veio a
voz de uma mulher negra. — Oh, obrigada, Jesus!
Você está a salvo, Sally.
Ela voltou a cabeça e olhou
para o ruivo grandalhão na varanda. Os olhos dele eram meigos.
— Sim — afirmou ela, não
muito alto. Tendo dito isso uma vez, ela disse alto o bastante para ele
escutar. — Sim! Sou eu!
De repente, havia uma
multidão naquela varanda, todos olhando para ela, uma encantadora ruiva, um
bonito casal negro, um homem grisalho de aparência bondosa e sua esposa loira,
e...
Sally encarou aquele homem
tanto quanto ele a encarou. Ela havia visto a foto dele.
Tom também havia visto as
fotos dela.
Podia-se cortar o silêncio
com uma faca.
Marshall quebrou o silêncio
com um convite.
— Sally, Tom Harris — e todos
nós — gostaríamos muito de conhecê-la. Não quer entrar?
Ela se descontraiu apenas um
pouquinho, mas tentou esconder-se atrás da porta aberta da caminhonete.
— Eu... não estou
apresentável... Tom replicou:
— Você está entre amigos!
Tal teve de rir. Não estava apresentável! Não era estranho o modo como os seres humanos se viam pelos olhos da carne e não pelos do espírito? Era certo que aquela querida mulher havia passado por lama e sujeira de todo o tipo; estava marcada, exausta, esfarrapada e suja.
Mas aos anjos, ela aparecia
da forma como o próprio Deus a via, exatamente como qualquer outro santo remido
do Deus vivo: pura, refulgente, limpa, trajando vestes tão brancas quanto a
neve.
Com um empurrãozinho amoroso de Mota e Signa, Sally atravessou a estrada, uma nômade cansada, vestida de brim, vindo para a casa. Ela passou pelo portão da frente, aproximou-se da varanda, e então, enquanto tanto anjos quanto santos observavam com tremenda reverência, estendeu a mão ao homem sozinho entre seus dois filhos felizes.
— Tom Harris? — Sim.
— Sou Sally Beth Roe.
Tal bateu as asas apenas o suficiente para voltar ao telhado, depois acomodou-se ali, sentando-se numa posição confortável, a espada descansando ao seu lado.
Guilo fez a pergunta por
todos eles.
— E agora, capitão?
Tal olhou para o grupo que
ria e louvava abaixo deles.
— Acho que ficaremos mais um
pouco.
Os guerreiros alegraram-se ao
ouvir isso, e se aproximaram a fim de ouvir toda aquela maravilhosa conversa,
todo o compartilhamento e atualização.
Tal sorriu e meneou a cabeça
maravilhado.
— A redenção. Ela jamais
deixará de emocionar-me.