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terça-feira, 4 de maio de 2021

Lúcifer destronado - Capítulo 22


 Indícios de um possível abuso

Eis, a seguir, a maioria dos sintomas de sobreviventes do ARS (Abuso Ritual Satânico), tão pouco conhecidos e muitas vezes ignorados, outros sintomas relativamente bem conhecidos da comunidade média.

Obviamente, apenas um ou dois dos sintomas não são suficientes para despertar uma suspeita, mas, se ocorrerem vários deles, convém investigar. (Podem tornar-se mais fortes durante os principais períodos de rituais.)

1. Sintomas Fisiológicos (no Corpo)

1) Forte sensibilidade à luz.

2) Anomalias na química sanguínea (mudanças no tipo sanguíneo). Isto é supostamente impossível, mas acontece.

3) Epilepsia do lado direito. Pode (e não necessariamente é!) ser indicativa de uma séria opressão demoníaca.

4) Estranhos tiques nas mãos e nos dedos (sinalizações inconscientes de maldições).

5) Peso excessivo ou anormalidades na alimentação.

6) Estranhos comportamentos compulsivos: desejo de tomar sangue; masturbação compulsiva, etc.

7) Dores de cabeça de origem desconhecida.

8) Enfermidades musculares ou genitais.

2. Sinais a Observar na Anatomia

1) Cicatrizes incomuns, exóticas ou inexplicáveis:

• Cicatrizes muito finas no osso chamado esterno.

• Cicatriz no períneo (de pessoa do sexo masculino).

• Cicatrizes no abdome, muitas vezes com formas do ocultismo.

• Cicatrizes no pulso ou antebraço esquerdo.

• Grandes lábios cirurgicamente perfurados, em pessoa do sexo feminino.

• Cicatrizes no interior das coxas, especialmente em pessoas do sexo masculino.

• Cortes e puncturas no pescoço, especialmente na região da artéria carótida.

• Sangue ou trauma em partes íntimas, perda da virgindade em moça, irritabilidade fora do comum em rapaz.

• Exame físico pediátrico revelando esfíncter anal muito relaxado ou cicatrizes no local (em rapaz ou moça).

2) Perda de partes do corpo, em especial, partes de dedos.

• Falta de mamilos ou existência de mamilos a mais.

• Num rapaz, perda da primeira falange do polegar e do indicador.

• Numa moça, perda do dedo anelar da mão esquerda.

• Falta do dedo mínimo, na mão esquerda (ambos os sexos).

3) Pequenas e obscuras tatuagens em lugares fora do comum.

• Na parte superior da cabeça.

• Na palma da mão.

• No plexo solar ou no osso esterno.

• Na região pubiana.

• Acima do cóccix.

3. Sinais de Comportamento em Crianças entre 4 e 9 anos.

1) Com respeito à sexualidade:

• Fala sobre sexo ou faz uso de palavras não apropriadas à idade; entendimento da atividade ou da anatomia sexual (por meio de desenhos, etc.).

• Toca os outros sexualmente; age de modo provocativo ou sedutor.

• Medo de alguém segurar ou lavar suas partes íntimas.

• Uso de palavras para as partes do corpo normalmente não usadas no âmbito familiar.

• Medo de se despir na hora do banho ou de ir para a cama.

• Masturbação compulsiva, até mesmo em público.

• A menina dizer que está casada, noiva, ou esperando um bebê.

2) Comportamento no banheiro:

• Queixa-se de que está queimando ou que sente dor em partes íntimas quando está tomando banho.

• Diz aos pais que alguém o(a) despiu ou se mostrou nu para ele ou ela.

• Diz aos pais que alguém passou a mão em suas partes íntimas.

• Descreve com precisão atos sexuais com outras pessoas, ou entre outros adultos, outras crianças, entre animais.

• Tem medo do banheiro e não quer usar o vaso. Recusa-se a tomar banho na frente do pai ou da mãe.

• Preocupação em ter o corpo super limpo. Troca as peças íntimas desnecessariamente.

• Medo fora do comum de se afogar no banho de banheira, aceitando só o chuveiro.

• Recusa práticas usuais: não quer ir ao banheiro, não quer enxugar-se, não quer sair de casa, não quer ir para a sala.

• Fala de comer excrementos humanos ou faz isso.

3) Problemas no consultório médico ou odontológico:

• Tem medo anormal de médicos ou enfermeiras.

• Fala de médicos “maus” mexendo com ele (ou ela), dando-lhe más “injeções”, etc.

• Fala de dentistas “maus” passando o motor ou fazendo o seu dente doer, sem anestesia.

• Temores fora do normal quanto a se despir diante do médico, ou temores de que vai ter que desfilar em frente de pessoas nuas.

• Comportamentos sexualmente provocantes com o médico ou com a enfermeira durante o exame, ou demonstra estar na expectativa de ter um contato sexual com eles.

• Fala de “maus” médicos (cirurgiões) terem feito aberturas no seu corpo e colocando coisas (bombas, bichos, aranhas, agulhas ou pinos, etc.) em seu interior.

4) Problemas emocionais e mentais:

• Hiperativo ou violento.

• Emoções instáveis ou, estranhamente, sem manifestação.

• Dislexia ou outras perturbações na aprendizagem, especialmente lendo letras ou palavras de trás para a frente.

• Demonstra um comportamento excessivamente ansioso (ralhando dentes, roendo unhas, tremedeiras, choro incontrolado).

• Rebeldia.

• Temeroso, pegajoso (não larga da mãe ou do pai); se faz de bebê, tendo um comportamento anormal para a sua idade.

• Terrores noturnos, suores, pesadelos frequentes ou horríveis.

• Tem um comportamento agressivo para consigo mesmo (bate a cabeça contra a parede, fere-se a si mesmo; propenso a sofrer acidentes, etc.)

• Acha que é uma pessoa má, maligna, estúpida e que merece ser punida sempre.

5) Problemas na alimentação da criança:

• Fala de comer ou beber sangue, partes de animais, partes do corpo humano ou excrementos.

• Problemas ao se alimentar: vômitos, bebe demais, etc.

• Recusa-se a comer certos alimentos, especialmente carnes malpassadas e sangrentas.

• Recusa-se a comer ou beber certos alimentos coloridos (vermelho [sangue] ou marrom ou amarelo).

• Obsessão com a idéia de que a comida está ou envenenada ou com drogas. Age como se os pais quisessem envenená-lo (a) ou drogá-lo(a).

6) Problemas na associação de cores:

• Expressa desgosto por certas cores, especialmente pelo preto, vermelho e verde.

• Quer vestir-se de preto, sem uma razão plausível.

• Diz ter estado em salas pintadas totalmente de vermelho, ou preto, ou verde, ou uma outra cor estranha, quando tais salas não são do conhecimento dos pais.

• Diz ter “visto” cores ou luzes coloridas flutuando em torno das pessoas.

• Fala de um uso litúrgico do preto, do vermelho ou do verde quando em sua igreja não são usadas essas cores e rituais.

7) Personalidade múltipla ou desordem de disfunção desassociativa:

• Momentos em que dá “um branco” na memória.

• Procedimentos sexuais compulsivos, em especial a masturbação.

• Pouca ou nenhuma lembrança da infância.

• Comportamentos de automutilação ; pensamentos de suicídio.

• Medo extremado de autoridades (policiais, clérigos, médicos, etc.).

• Fortes pesadelos, insônia.

• Narcolepsia: sono fora de hora ou incontrolável.

• Alterações repentinas no comportamento ou no humor, muitas vezes diagnosticado como bipolar, mas que pode ser causado por “gatilhos”

Lúcifer destronado - Capítulo 21


 O calendário satânico

As principais festas (chamadas sabás), comuns à Wicca e ao satanismo, são as que se seguem. Nos grupos satânicos, as festas que envolvem pelo menos sacrifícios de animais são identificadas com o símbolo (t). As que envolvem sacrifício humano e que são particularmente perigosas são identificadas com o símbolo ($í). O símbolo (ttt) indica a necessidade de se ter extremo cuidado:

1. Imbolc (ou da Candelária):

Em 2 de fevereiro ($). Nos grupos satanistas, geralmente é requerido um sacrifício sexual (pessoa do sexo feminino, entre 7 e 17 anos) e sacrifício de animal.

2. Equinócio do Outono (no hemisfério norte, da Primavera): Em 21 de março. Nos grupos satanistas, geralmente são requeridas orgias.

3. Beltano (ou Walpurgisnacht): Em Ia de maio ($$). Os grupos satanistas exigem sacrifício humano (do sexo feminino, entre 1 e 25 anos).

4. Do Inverno (no hemisfério norte, do Verão): Em 22 de junho. Geralmente são requeridas orgias.

5. Lammas: Entre 29 de julho e l 2 de agosto (t). Os grupos satanistas geralmente exigem sacrifício sexual (pessoa do sexo feminino, entre 7 e 17 anos) e sacrifício de animal.

6. Equinócio da Primavera (no hemisfério norte, do Outono): Em 22 de setembro (?t). Nos grupos satanistas, requerem um sacrifício humano (homem, sexualmente maduro) e orgias.

7. Samhain (Véspera do Dia de Todos os Santos): Em 31 de outubro ( ít t ) . Os grupos satanistas requerem sacrifício humano (qualquer pessoa) e um sacrifício sexual para os demônios.

8. Yule (Época do Natal — Solstício): Em 23 de dezembro (ttt). Os grupos satanistas requerem um sacrifício humano (homem ou mulher, preferivelmente um cristão ou filho de um cristão). Também há orgias.

Adicionalmente, tanto para os grupos satanistas como para os de feiticeiros, há as festas lunares, que são em número de 26 por ano. São os “esbás”, celebrados nos dias de lua nova e lua cheia.

Geralmente é feita magia negra (isto é, para o mal) em datas próximas ou no dia da lua nova, e magia branca (curas, feitiços para finanças, empregos, fertilidade) em data próxima ou no dia da lua cheia.

São as seguintes as festas crowleyanas (thelêmicas) e as que se relacionam com o culto a Set:

1. Equinócio dos Deuses: Entre 8 e 10 de abril. Aniversário do lançamento do Liber Al.

Às vezes celebrado com drogas e orgias.

2. Festa de Sothis (A estrela Sirius em seu apogeu): Em 23 de julho. Alguns grupos celebram com sacrifício de animal (cão), mas isso é raro.

3. Festa do Profeta e Sua Noiva: Em 12 de agosto. No dia do aniversário de casamento de Crowley com Rose Kelly. Celebrado com magia sexual.

4. Festa de Tahuti:

Em 7 de setembro. Veja também a festa da Besta, abaixo. Celebrada com magia sexual de natureza homossexual.

5. “Crowleyana”:

12 de outubro. Festa do aniversário de Crowley. Forma de celebração não estabelecida.

Festas Satânicas especiais - parte 2 :

Festas satânicas diversas. São celebradas por alguns grupos, não todos.

1. Dia de Nascimento do Próprio Satanista

2. Principais Festas do Catolicismo Romano

Em especial, Páscoa (festa de Ishtar), Sexta-Feira Santa, Natal (festa do Sol Invicto) e noite de São João normalmente requerendo um sacrifício humano (de qualquer sexo), de preferência um ministro cristão, ou cristão ex-satanista ou um filho de cristão.

Também há orgias.

3. O dia 13 e o dia 31 (quando ocorrer) do mês:

Também em toda sexta-feira 13. E feita magia, mas não necessariamente perigosa fisicamente.

4. Dia de São Winebald:

Entre 1 e 7 de janeiro (t±). Os grupos requerem sacrifício animal ou humano (do sexo masculino, tendo entre 15 e 33 anos). O sacrifício é no dia 7.

5. Festim Satânico:

Em 17 de janeiro ($$)• Requer um sacrifício (do sexo feminino, entre 7 e 17 anos).

6. São Eischstadt:

Em Ia de março ($). Um animal (geralmente um cachorro) é esquartejado e sacrificado. Sua carne é consumida como sacramento.

7. Grande Clímax:

Preparação entre 19 e 26 de abril, festa entre 26 e 30 ($$$). Sacrifícios humano e sexual são requeridos (do sexo feminino, cristã, entre 1 e 25 anos).

8. Festim Demoníaco:

Em l 2 de julho. Sacrifícios humano e sexual (moça, entre 7 e 17 anos). Também magia sexual com espíritos demoníacos.

9. Festa da Besta:

Em 7 de setembro, mas apenas a cada 27 anos. O último foi em 1982; o próximo será em 2009 (tt).1 Sacrifícios humano e sexual e desmembramento (moça com menos de 21 anos, devendo ser virgem).

10. O Hospedeiro da Meia-Noite

Em 2 0 de setembro (t$ ). Sacrifício um ano e amputação

(moça, com menos de 2 1 anos). As mãos são cortadas com a pessoa ainda viva e enterradas ritualmente.

11. Festim Satânico:

Em 4 de novembro ($). E requerido sacrifício sexual (pessoa do sexo feminino, entre 7 e 17 anos).

12. Grande e Alto Clímax:

Em 24 de dezembro ($M). E requerido sacrifício humano (qualquer sexo, qualquer idade, desde que seja cristão)

Lúcifer destronado - Capítulo 20

Regenerados, chamados e comissionados

Meu único problema (além da minha natureza pecaminosa) era que Sharon desde o início não gostou muito do mormonismo, e sua aversão crescia a cada dia. A grande diferença (exterior) entre a Wicca e o mormonismo é que, enquanto a Wicca era militantemente feminista e matriarcal, a Igreja dos Santos dos Últimos Dias era, cinicamente, patriarcal. Ignorante das coisas espirituais como eu era, presumi que Sharon não gostasse da Igreja Mórmon por ser discriminatória em relação ao sexo feminino, tratando as mulheres como tolas e dominadas.

Tornado cego, pelo meu próprio espírito religioso, não percebi que Sharon divisava além da falsidade do mormonismo e queria para si o verdadeiro cristianismo. Em sua infância, ela tivera um encontro de fé salvadora com o verdadeiro Jesus Cristo. No entanto, como fora educada em escolas católicas, as freiras forçaram-na, sob terríveis ameaças, a crer que o catolicismo era o único modo de seguir a Jesus, a Quem ela cultuava e adorava.

Sem discipulado, sem estudos bíblicos, Sharon foi intimidada assim a acreditar que o catolicismo era o verdadeiro caminho para Deus. Então, quando adolescente, começou a ver, por meio das falácias e hipocrisias do Vaticano, que isso não era verdade; não tinha idéia alguma para onde ir. Morava em Dubuque, Iowa, cidade 90% católica. Desiludida, foi alcançada pela onda cultural do movimento hippie e do ocultismo. Saiu do catolicismo para a feitiçaria e, depois de alguns anos, me conheceu. Todavia, a grande diferença entre nós era que eu nunca tinha nascido de novo em Cristo, mas ela tinha! Era por isso que podia expulsar demônios de pessoas, quando todos os meus rituais e todas as minhas “santas ordens" católicas falhavam.

Depois de ter passado alguns anos como mórmon, Sharon, arrasada, viu-se mais perto ainda do seu relacionamento inicial com Jesus, mas estava ainda a anos-luz de distância. Lendo a Bíblia, embora na versão mórmon, passou a se prover de um conhecimento cada vez maior do verdadeiro cristianismo. Diferentemente de mim, ela havia se desligado quase que inteiramente das obras de feitiçaria, por ver tais práticas como contrárias ao que a Bíblia ensina. Passou a delegar a outros, cada vez mais, suas responsabilidades no ocultismo e a falar sobre acabar com todos os nossos elos com a magia, todas as iniciações e relacionamentos com grupos de feitiçaria, até mesmo sobre nos desligarmos do mormonismo!

Falava comigo com muito empenho sobre deixarmos a Igreja, Mórmon, mas eu não lhe dava ouvidos. Estava encantado com o meu chamado especial para o sacerdócio da ordem de Melquisedeque e com o recém-descoberto senso de retidão própria.

Sharon percebeu que o único modo pelo qual poderia fazer alguma coisa para me ajudar a me libertar do mormonismo seria forçar-me a perder o meu sistema de apoio. Ela tomou, então, todas as providências para mudar-se de Milwaukee, onde morávamos, voltando para Dubuque, de forma a continuar seus estudos. Convidou-me a tomar a decisão de mudar-me também, indo com ela. O tempo todo, ela estava confiando no Senhor e orava secretamente para que, uma vez longe dos meus companheiros do sacerdócio mórmon, pudesse falar seriamente comigo. Sharon estava “abalando os céus” por minha causa, para que eu percebesse quão distante da verdade o mormonismo realmente se encontrava.

Protestei com ela quanto à mudança, dizendo-lhe que eu tinha assumido a responsabilidade de ensinar Novo Testamento no instituto da Igreja Mórmon, mas não teve jeito! Já estava decidida, de modo que eu acabei concordando, embora isso significasse perder meu emprego e mudar-me para uma área de Iowa onde poderia não ser fácil achar um trabalho.

O que Sharon não sabia é que eu também tinha encontrado algumas contradições dentro do próprio mormonismo, mas temia discutir esse assunto com ela. Sabia que ela já via a Igreja Mórmon com certo descrédito e eu não queria afastá-la ainda mais da Igreja.

Em meu ministério nessa Igreja, conheci muita gente que não estava sendo ajudada pelo mormonismo e vi que muitos ainda estavam vivendo uma vida muito aquém do padrão, não cumprindo os 4.000 mandamentos ali preceituados.

Além disso, eu fora chamado a ensinar Novo Testamento na instituição de ensino da Igreja,1 mas havia muitas passagens — especialmente em Romanos e Gálatas — que me atormentavam.

Todavia, eu não sabia para onde me dirigir. Quando o primeiro semestre letivo do meu contrato terminou, também me mudei para Dubuque.

Nossa mudança deve ter sido o que o Espírito Santo estava planejando no segundo dia após minha chegada a Dubuque. Colocaram um folheto à nossa porta, anunciando um Seminário sobre Profecias, que seria realizado num parque da cidade. Sabia que não era um evento mórmon, mas eu havia dedicado muito tempo estudando o livro de Apocalipse, principalmente por causa do curso de Novo Testamento que teria de ministrar. Achei, também, que possivelmente teria ali uma oportunidade de ganhar algumas pessoas para a Igreja Mórmon. Afinal, eu pertencia a uma Igreja dirigida por um “profeta vivo”!

Depois de assistir às reuniões algumas noites, comecei a sentir estranha excitação no meu coração. O pregador era alguém que citava passagens e mais passagens da Bíblia, e algo me atingiu quando ele falou sobre o sangue de Jesus. Finalmente, abordei o mais jovem dentre os dois pregadores que estavam dando o seminário e procurei convencê-lo da doutrina mórmon. Eu queria convencê-lo de que, para alguém receber o batismo, era necessária uma autoridade sacerdotal para ministrá-lo. Essa questão da autoridade, segundo os mórmons, era vital, argumentando eles que os protestantes e toda a sua “laia” ficariam numa terrível situação, que os levaria à morte, por não terem sacerdócio. Finalmente, perguntei-lhe como tinha recebido autoridade para batizar. Com um bondoso sorriso, ele simplesmente me respondeu:

— Recebi de Jesus Cristo, como todo cristão a recebe.

Então, citou Atos 16.31, dizendo que nem mesmo o batismo era necessário para ser salvo:

Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa. (At 16.31)

Esta passagem bíblica penetrou a fortaleza do meu testemunho mórmon como um foguete Exocet, detonando todas as minhas defesas. Aquilo não saía da minha cabeça durante todo o tempo em que voltava para casa naquela noite:

“E se ele estiver certo?... É tão fácil assim? Era um pensamento que me incitava.

Senti-me como um condenado que apenas ouve o rumor de que pode vir a ser perdoado. Meu coração não ousava se arriscar. E se aquela palavra não fosse verdadeira e os mórmons estivessem com a razão? Eu poderia crer naquela palavra, ou teria de descartá-la?

Como precisava garantir meu sustento, comecei a procurar emprego. Tive pouco sucesso, de modo que em todo o meu tempo livre voltei a trabalhar com um livro que resolvera escrever para provar a verdade do mormonismo. Essa minha ocupação me fazia esquecer temporariamente do testemunho que eu tinha acabado de receber. A palavra, porém, aninhou-se silenciosamente em meu coração, como uma semente.

Concluí vários capítulos do meu livro e dei início a um capítulo sobre os antecedentes pagãos da Igreja Católica. Então, num lampejo, lembrei-me daquelas revistas em quadrinhos cristãs, pois mencionavam a Igreja Católica. Eu as li e observei, com grande interesse, todas as questões que me seriam úteis ao escrever o capítulo sobre o catolicismo. Uma vez mais, porém, senti uma palpitação de esperança ao ler a “versão protestante” do evangelho. Parecia fácil demais! Boa demais para ser verdade!

Verifiquei que poderia fazer um pedido de publicações diversas àquela editora, e assim fiz. Quando chegaram os livros, revistas e folhetos que encomendara, os “devorei” com avidez. Constatei, então, que despertavam certas percepções nada agradáveis em meu coração.

Aqueles livros apresentavam uma doutrina que eu nunca ouvira antes, exceto com conotação totalmente depreciativa. O que eu li foi que uma pessoa pode ser salva apenas por confiar em Jesus Cristo, e que sacramentos, templos, rituais ocultistas, sacerdócios, tudo isso é totalmente desnecessário — e até mesmo pernicioso — para você ter a vida eterna.

Fiquei meditando sobre isso por um bom tempo, mas tive que parar um pouco com a minha pesquisa. Consegui um trabalho de vendedor de aspiradores de pó, como autônomo. Durante semanas, eu me excedi nesse trabalho, mas não conseguia vender nada, e estava gastando um bom dinheiro com gasolina, indo por toda parte da cidade. Enquanto dirigia, porém, tive bastante tempo para pensar e orar. Passei por zonas rurais, locais de uma natureza fascinante naquele início de verão, e orei pedindo por orientação. Passei também em frente de pequenas igrejas do interior e, em vez de um condescendente escárnio de outrora, olhei atentamente para elas, como se fossem um tesouro raro que, de algum modo, eu tinha necessidade.

Secretamente, em meu coração, era aquilo que eu queria. O sonho que eu tinha tido, quando desci a montanha em direção àquela igrejinha que cantava o hino evangélico, estava o tempo todo em minha mente.

Li, então, Romanos com muita ansiedade, comparando-o com o que os folhetos e os livros me diziam. Vi como tudo era tão simples. Li e reli várias vezes, e comecei a jejuar e orar para ter certeza de que esta era, de fato, a verdade.

Quatro dias depois, decidi tentar uma abordagem diferente.

Peguei uma daquelas revistas cristãs em quadrinhos. É que me lembrei de que, na última página, havia uma oração específica para receber Jesus como Salvador e Senhor.

Dobrei-me e, ajoelhado ao lado de minha cama, fiz aquela oração com todo o meu coração. Inclusive dei uma paradinha e retirei, naquela hora, a vestimenta mórmon que usava por baixo da roupa, para que não houvesse nenhuma “interferência espiritual” em minha oração. Confessei ao Senhor que eu era de fato um pecador, talvez o principal dos pecadores (veja Romanos 3.23).

E com sinceridade renunciei os meus pecados e me arrependi (Lc 13.5), confessando que Jesus Cristo morreu na cruz por meus pecados e ressuscitou dos mortos para que eu pudesse ter vida eterna (Rm 10.9,10). Pedi a Jesus que me salvasse de meus pecados (Rm 10.13) e passasse a ser o Senhor absoluto da minha vida (Rm 12.1,2).

Não ouvi nenhum coro celestial cantar naquele momento. Mas senti, de fato, uma tranquilidade e uma paz extraordinária vindo sobre mim; uma paz que até agora flui de meu interior quando escrevo estas linhas, anos depois! Era uma paz como nunca, mas nunca mesmo, eu tinha experimentado, em mais de 30 anos de vida. Antes eu nem mesmo sabia quão vazio estava, até o momento em que me enchi desta paz.

Senti-me, então, muito melhor, mas ainda tinha algumas dúvidas. Decidi que iria “testar” tudo isso. Primeiro, deixei de lado a vestimenta de magia mórmon. Sharon estava ainda na Escola de Enfermagem, de modo que fiquei sozinho com meus pensamentos. Senti que precisava conversar com alguém, mas não me veio à mente o nome de quem quer que fosse que pudesse me compreender, a não ser o nome dela.

Naquela noite, conversamos bastante. Sharon estava exultante de alegria pelo fato de eu ter finalmente encontrado o caminho certo. Eu tinha sido salvo pela graça e liberto pelo sangue do Cordeiro.

Ao explicar-lhe o que tinha descoberto na Bíblia, nos folhetos e nas revistas, ela sorriu, demonstrando que se sentia muito feliz. Explicou-me, então, que fora desse modo que ela acreditara no princípio, e que sua experiência, naquele tempo, tinha sido igual à minha. Disse-me que vinha em busca dessa fé que ela havia perdido desde que viu a hipocrisia que há na Igreja Católica, tantos anos atrás.

Ficamos exultantes ao vermos que nós dois, por caminhos independentes, tínhamos chegado às mesmas conclusões. Depois disso, passaram ainda alguns meses para nos desembaraçarmos da Igreja Mórmon. Mas havia ainda algumas medidas que precisariam ser tomadas.

Eu estava ainda pensando sobre que tipo de igreja deveríamos agora frequentar, uma vez que os mórmons estavam errados. Sabia que queria uma igreja em que a Bíblia, e apenas a Bíblia, fosse usada como autoridade para estabelecer o que é a verdade. Além disso, meu novo Amigo, o Espírito Santo, incomodava-me com respeito ao enorme volume de livros ocultos, e de toda a parafernália do ocultismo que ainda permaneciam num armário, fechado à chave, em nosso depósito, no andar de cima.

Milagrosamente, o Espírito levou-me (pela primeira vez) a uma livraria evangélica. Meus líderes mórmons sempre me diziam que eu não deveria entrar nessas livrarias, pois estavam cheias de lixo, com materiais renegados e sectários. Assim, fiquei por algum tempo do lado de fora e dei uma volta naquele quarteirão, até certificar-me de que ninguém conhecido estava por perto; então, entrei apressadamente na loja.

Lá dentro, fui andando por entre as estantes de livros, quando de repente um livro literalmente caiu da prateleira em minhas mãos.

Era o livro The Beautiful Side ofe vol,2 de Joanna Michaelsen [publicado no Brasil sob o título A Face Atraente do Mal, pela Editora Candeia]. Com um pouco de nervosismo, folheei rapidamente o livro e vi que continha exatamente os ensinamentos de que estava precisando. Ainda com algum receio de que poderia estar sendo visto por um mórmon, fui ao caixa, sentindo-me como se estivesse comprando uma obra pornográfica da pesada. Assim que ele embrulhou o livro e eu o paguei, lancei-me para fora da loja como se o diabo estivesse correndo atrás de mim.

Quando cheguei a casa, tive ainda algum receio quanto ao que Sharon poderia dizer; assim, disfarcei e procurei esconder minha compra. Mas ela é muito observadora e perguntou o que eu tinha comprado para ler. Mostrei-lhe, então, o livro, e ela sorriu e disse:

— Ótimo! Quem sabe ele não irá colocar algum juízo em sua cabeça?

Aquele livro ajudou-me bastante. Explicou-me que o “Jesus” do ocultismo e do espiritismo é um falso Jesus, assim como o “Jesus” do mormonismo. Também me ensinou que eu deveria orar e renunciar aos meus poderes do ocultismo e que eu teria de queimar todo o meu material de magia que estava escondido.

Decidi, então, telefonar para várias igrejas da cidade, que achei que seriam bíblicas. Disse-lhes: “Sou um ex-satanista e mórmon e tenho um montão de livros do ocultismo. Gostaria que vocês me ajudassem a queimá-los.” Como seria de esperar, muitos deles desligaram o telefone na minha cara. Outros me disseram que o pastor não se encontrava ou que não poderia atender-me naquela hora. Finalmente, consegui encontrar um pastor que realmente cria na Bíblia, num bairro afastado do centro da cidade. Ao me ouvir, ele disse:

— Louvado seja o Senhor! Traga-os com você, que vamos queimar tudo!

Sentindo-me de repente atemorizado, sem que houvesse razão para isso, enchi todo o porta-malas não só com caixas de livros, mas também punhais, espadas, mantos e incensórios. Dava para eu quase ouvir sedutores sussurros daquelas caixas, dizendo: “Não nos queime. Você não pode viver sem nós?1 Engolindo um nó na garganta do tamanho de uma bola de golfe, fechei rapidamente o porta-malas e me pus a caminho.

Enquanto me dirigia para a igreja, pude quase sentir terremotos acontecendo ao meu redor e a estrada abrindo-se para a minha passagem. Parecia que um raio poderia cair sobre o carro a qualquer momento. Fiquei encharcado com o suor frio de um terror apavorante quando nem mesmo três quadras tinha percorrido. Não percebi na hora, mas o fato é que estava sob um ataque demoníaco. Felizmente, o pastor estava em seu gabinete orando por mim!

Foi com um alívio tão grande, para o qual não tenho palavras, que finalmente entrei na área de estacionamento da igreja. O pregador veio, então, cumprimentar-me. Surpreendi-me ao ver que ele era um jovem robusto, cheio de entusiasmo, de camisa esporte e barbado. A idéia que eu tinha feito era a de um fanático vestido de terno preto, cabelos grisalhos e austero. O jeito de ele se comportar me foi uma agradável surpresa. Ele realmente estava satisfeito consigo mesmo. Eu não sabia que os cristãos tinham permissão para serem daquele jeito... Ele me ajudou a tirar tudo aquilo do porta-malas e, em seguida, levou-me para o seu gabinete e me pediu que sentasse. Depois de algumas perguntas para certificar-se de que eu de fato tinha nascido de novo em Cristo, ele começou a responder às minhas perguntas. Finalmente, senti que estava no caminho certo. Eu havia destronado Lúcifer da minha vida e tinha entronizado o Senhor Jesus Cristo em seu lugar!

Depois de um ano frequentando aquela igreja, circunstâncias nos levaram a nos transferir para outra congregação. Lá, o rebanho era pastoreado por um casal, o pastor e sua esposa, que tinha uma considerável experiência em aconselhamento espiritual. Discerniram corretamente que, embora estivéssemos salvos e a caminho da glória, havia ainda algumas fortalezas demoníacas em nós por causa de todo o mal que havíamos praticado no ocultismo, e com o qual nos tínhamos deleitado.

Louvado seja o Senhor, pois eles investiram tempo conosco, discipulando-nos e ajudando-nos realmente a entender a Bíblia.

Além disso, sentaram-se conosco por várias horas, numa noite, em nosso apartamento, e nos ministraram a renunciar ao satanismo, à feitiçaria, ao mormonismo, ao espiritismo, à mediunidade e, até mesmo, ao catolicismo. Expulsaram, em nome de Jesus, espíritos imundos que ainda estavam em nós. Eles realmente nos ajudaram, dando-nos condições para que pudéssemos andar com nossas próprias pernas.

Um ano depois de termos sido assim ministrados, o Senhor nos chamou para o ministério, e desde 1986 temos trabalhado para levar o verdadeiro evangelho de Jesus Cristo aos ocultistas e adeptos das seitas..

Nos últimos anos, o Senhor nos mostrou como é necessário o segundo passo, a libertação da escravidão ainda mantida pelos espíritos das trevas nas pessoas que se convertem. É a destronização final de Satanás! Isto é especialmente necessário para aqueles que vêm do ocultismo, da feitiçaria, ou que tenham ascendentes praticantes da magia (Êx 20.5).

Cremos que Jesus Cristo nos libertou das incríveis trevas e do mal, de modo que agora podemos testemunhar a quem queira ouvir que Ele pode salvar, de fato, até o pior pecador e libertar sua alma da luta contra toda opressão espiritual.

Conclusão

Oramos para que este livro seja, antes de tudo, um testemunho do poder totalmente suficiente e capaz do amor do Senhor Jesus Cristo para salvar! E evidente, pela nossa narrativa, que estivemos envolvidos com os poderes das trevas num grau bastante elevado. Entregamos totalmente a nossa vida ao estudo da “magia negra” por quase 16 anos.

Mas, por meio de simples orações, o céu desenredou tudo que o inferno tinha tentado fazer. Se você, leitor, está envolvido com satanismo, feitiçaria, candomblé ou qualquer tipo de ocultismo ou espiritismo, tem um desafio à sua frente.

O testemunho da Bíblia contra as práticas de feitiçaria e magia é definitivo e bem claro:

Quanto, porém, aos covardes, aos incrédulos, aos abomináveis, aos assassinos, aos impuros, aos feiticeiros, aos idólatras e a todos os mentirosos, a parte que lhes cabe será no lago que arde com fogo e enxofre, a saber, a segunda morte. (Ap 21.8).

Queira compreender o que estamos dizendo! Estas palavras são de um livro que até hoje ninguém provou estar errado, nem jamais o fará! Se a Bíblia estava certa ao predizer a vinda de Jesus Cristo milhares de anos antes de isso acontecer, e... Se a Bíblia estava certa na previsão do aparecimento de um rei chamado Ciro, que libertaria o povo hebreu do seu cativeiro na Babilônia, ocorrido há mais de cem anos antes do nascimento desse rei, então por que erraria quanto ao destino daqueles que praticam feitiçaria e satanismo?

É por isso que Satanás treme cada vez que o Senhor Jesus entra em cena, pois sabe que, independentemente das suas artimanhas, o Senhor sairá plenamente bem-sucedido. Satanás não é estúpido. Sabe muito bem qual é o destino que o aguarda! Ele só quer fazer com que você ignore qual é o seu.

Se você quiser deixar de lado suas obras de feitiçaria e tornarse servo do verdadeiro Deus, Jesus Cristo, nada mais simples:

1. Confesse a Deus que você é pecador.

Pois todos pecaram e estão destituídos da glória de Deus. (Rm 3.23 — n v i) .

2. Arrependa-se (literalmente, repense) por haver cometido todos os seus pecados — especialmente o pecado da feitiçaria, do ocultismo, do satanismo — e disponha-se a renunciar a eles e rejeitá-los, totalmente.

(...) mas, se não vos arrependerdes, todos igualmente perecereis. (Lc 13.5)

3. Creia de todo o coração que o Senhor Jesus Cristo morreu

na cruz, derramou seu sangue para pagar o preço pelos seus pecados e ressuscitou dos mortos para dar-lhe vida eterna.

Se, com a tua boca, confessares Jesus como Senhor e, em teu coração, creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo. Porque com o coração se crê para justiça e com a boca se confessa a respeito da salvação. (Rm 10.9,10)

4. Peça ao Senhor que o salve de seus pecados.

Porque: Todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo. (Rm 10.13)

5. Peça a fesus Cristo que assuma o controle total da sua vida e seja 0 seu Senhor.

Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável e perfeita vontade de Deus. (Rm 12.1,2)

Como você acabou de ler, se possui livros ocultistas, artefatos, mantos, imagens e outras quinquilharias, deve destruir tudo isso no fogo, tão logo seja possível. (Veja Atos 19.19.) Não apenas os jogue fora, pois outras pessoas poderão encontrar esses objetos e serem enganadas por eles. Se você não tiver como queimá-los, peça a um pastor da sua localidade que o ajude. Como você viu nesta narrativa, precisa ser persistente, telefonando para diversas igrejas.

Se você seguiu estes cinco passos, tão simples, para receber Cristo, é agora um nascido de novo, em Cristo, um filho de Deus, tendo a certeza de que Satanás não poderá nunca mais arrebatá-lo das mãos de Jesus! Você está nas mãos de Alguém infinitamente 3Ó:|

mais poderoso do que o diabo!

Para crescer como cristão, é importante ler a Bíblia Sagrada e orar. Orar é apenas falar com Deus. É também vital que você encontre uma igreja em que Jesus Cristo seja exaltado como Senhor e Deus. Como mencionamos anteriormente, nem todas as igrejas que se declaram cristãs são verdadeiramente cristãs. Portanto, procure encontrar uma igreja que se enquadre nos seguintes pontos:

1. Creia em um só Deus, eterno e triúno — o Pai, o Filho e o Espírito Santo — três distintas Pessoas em um só Deus. (Veja

1 João 5.13; Mateus 28.19; Deuteronômio 6.4).

2. Creia que Jesus Cristo é Deus Todo-Poderoso, verdadeiro Deus e verdadeiro homem, que morreu na cruz para nos salvar dos nossos pecados e ressuscitou literalmente dos mortos, no terceiro dia. (Veja 1 Timóteo 3.16; Romanos 10.9-13; 1 Coríntios 15.1-5.)

3. Creia que a salvação não é alcançada por qualquer coisa que possamos fazer, mas, sim — e apenas — , por pedir a Jesus que aplique em nós o que já fez na cruz. Para ser verdadeiramente crente, uma nova criatura em Cristo, não são necessárias “boas obras”, nem “ser simplesmente membro de uma igreja”, nem mesmo o batismo. (Veja Efésios 2.8,9; Gálatas 2.16; 3.10.)

4. Creia que a Bíblia Sagrada nos foi dada pela inspiração de Deus, e portanto ela não é maculada, mas inteiramente perfeita e singularmente sem erros. E que ela deve ser o único padrão pelo qual a conduta, a doutrina e os princípios da igreja sejam aferidos. (Veja 2 Timóteo 3.16,17; Mateus 5.18; 24.35; Lucas 9.26; João 6.63.)

Estes são os pontos fundamentais da fé cristã que “não são negociáveis”, e que toda igreja cristã firmada na Bíblia tem de aceitar.

Agora, para todos os crentes, salvos pelo sangue do Cordeiro, que tiveram uma origem de práticas pecaminosas no ocultismo, na feitiçaria, no candomblé ou na umbanda, no espiritismo, esoterismo ou satanismo, o que se segue é especialmente para vocês.

Muitos, mas não todos, os crentes egressos do ocultismo têm problemas que os impedem de ter um caminhar pleno e vitorioso com Jesus Cristo. Talvez você tenha problemas em ler a Bíblia ou orar regularmente. Talvez haja certos pecados que ainda estejam sendo constantemente praticados, e que você tenha dificuldade em vencê-los. Ou, quem sabe, há enfermidades ou depressões em sua vida?

Descobrimos, orando por centenas de pessoas — todos cristãos — , que, se você teve ancestrais que participaram de seitas ou do ocultismo, ou se você mesmo praticou tais coisas, romper com elas, formalmente, perante o Senhor para ser totalmente liberto de envolvimentos carnais. Isto não significa que você não seja salvo e que não esteja a caminho do céu. E claro que você é salvo!

Apenas significa que Satanás está procurando atingi-lo na carne.

Se você achar que esta parte do livro está falando com você —especialmente se tem uma origem no ocultismo ou na feitiçaria —,o que precisa fazer é dobrar os joelhos diante de nosso Pai e fazer esta simples oração:

Em nome do Senhor Jesus Cristo, e com a autoridade que me foi dada por crer nele, declaro que sou remido das mãos do diabo. Mediante o sangue de Jesus, todos os meus pecados estão perdoados. O sangue de Jesus Cristo, o Filho de Deus, está me purificando agora de todo pecado. Mediante esse sangue, sou justificado, como se nunca tivesse pecado.

Mediante o sangue de Jesus, sou santificado, tornado santo, separado para Deus, pois sou membro de uma raça eleita, de um sacerdócio real, de uma nação santa, de um povo de propriedade exclusiva de Deus. Que eu proclame as tuas virtudes, Senhor Deus, pois tu me chamaste das trevas para a tua maravilhosa luz! (1 Pe 2.9). Meu corpo é templo do Espírito Santo, remido e purificado pelo sangue de Jesus.

Eu pertenço ao Senhor Jesus Cristo — corpo, alma e espírito. Seu sangue me protege de todo mal. Em nome de Jesus, repreendo agora todos os mentirosos e enganadores espíritos de... (mencione, conforme o seu caso: ocultismo, astrologia, Nova Era, cartas de tarô, artes marciais, adivinhação, quiromancia, trabalhos de magia, operações espirituais, espiritismo de mesa ou de terreiro, esoterismo, maçonaria, seitas heréticas, incorporação, mediunidade, feitiçaria, satanismo...)...os quais podem achar que ainda têm algum direito sobre mim ou minha família. Em nome de Jesus, renuncio a esses espíritos de Satanás e declaro que não têm mais poder algum sobre mim, pois fui comprado e pago pelo sangue de Jesus derramado no Calvário.

Se você foi feiticeiro, bruxo, pai-de-santo ou satanista, ore ainda “Renuncio a todos e quaisquer juramentos (se houve) feitos por mim ou em meu favor no altar de Satanás — conhecidos ou desconhecidos por mim —, no santo nome de Jesus e pelo poder do seu sangue derramado. Peço ao Senhor Jesus Cristo que quebre todos os pactos, contratos, dedicações, encargos, trabalhos e consagrações que tenham sido feitos por mim ou para mim, por outros, nos altares do satanismo e da feitiçaria — conhecidos ou desconhecidos — e que use de todo o poder da Cruz, da Ressurreição, da Ascensão, da Glorificação e da Segunda Vinda para destruir o poder de tais coisas sobre mim.

Renuncio também a todo pecado e às amarras das gerações anteriores que ainda estejam me oprimindo por causa de juramentos feitos por meus pais e ancestrais, e peço que o Senhor Jesus Cristo purifique minha linhagem familiar com o seu sangue derramado.

Cravo todas essas coisas na cruz de Cristo.

Por causa do sangue de Jesus, Satanás não tem mais poder sobre mim, nem sobre minha família, e não tem mais lugar em nós. Renuncio inteiramente a Satanás e a suas hostes e declaro que eles são meus inimigos. Em nome de Jesus, exerço a autoridade que me foi dada, expulso todos os espíritos malignos, e resisto a todos os inimigos de Jesus Cristo que estejam operando contra mim (e contra meus filhos). Eu corto toda relação com vocês, espíritos de Satanás, e quebro todo poder que vocês têm sobre a minha vida.

Pelo poder do nome de Jesus Cristo de Nazaré, retiro o direito de afligirem a mim e a meus filhos e proclamo o juízo de Deus sobre vocês. Com a autoridade de Cristo, amarro agora todos os espíritos malignos presentes, num laço só, e ordeno que vocês vão para o lugar que Jesus Cristo os enviar, pela voz do Espírito Santo. Ordeno que todos vocês saiam de mim agora, de acordo com a Palavra de Deus e em nome de Jesus.

Também peço a ti, ó Pai, que feches todas as brechas pelas quais os demônios tiveram acesso a mim, por quaisquer pecados, de todos os modos, e peço-te que seles estas brechas para sempre com o sangue do Cordeiro, derramado na cruz do Calvário.

Agradeço-te por fazeres isto, no poderoso nome de Jesus.

(...) esquecendo-me das coisas que para trás ficam e avançando para as que diante de mim estão, prossigo para o alvo, para o prêmio da soberana vocação de Deus em Cristo jesus. (Fp 3.13,14) 

Lúcifer destronado - Capítulo 19


 Descendo na contramão

As coisas estavam se complicando cada vez mais em minha vida. Nossos grupos de feiticeiros estavam crescendo, e o meu próprio poder na magia também aumentava. Sharon e eu estávamos sendo convidados cada vez mais para outras reuniões de feitiçaria. Os espíritos guias nos fizeram escrever a Gavin e Yvonne Frost, da Igreja da Wicca, e chegamos a conhecê-los.

Eles nos convidaram a fazer uma avaliação crítica do meu curso de feitiçaria.

Eu me sentia mais saudável como nunca! Contudo, via minhas energias se esgotarem por causa da luta diária contra a compulsão para começar a assassinar mulheres à noite. Eu sabia, com um misto de terror e satisfação, que era apenas uma questão de tempo para que a lascívia por sangue vencesse a prudência. Ficaria, então, do jeito sangrento que a “metamáquina” dentro de mim queria.

Além disso, Orion não via a hora de cumprir sua promessa de me dar (usando suas palavras) “umazinha preparada” para eu sacrificar no seu altar. Eu não teria como escapar. Satanás estava cuidando para que isso acontecesse. Mas escapar para onde?

Pelo que eu sabia, havia apenas três escolhas: católicos, protestantes e ortodoxos. A Igreja Católica Romana, tanto quanto minha experiência me mostrava, estava envolvida com a magia negra, assassinato e vampirismo. A Igreja Ortodoxa não estava muito longe disso (pelo menos o seu ramo russo). Meu conhecimento acerca dos protestantes era muito pequeno; para mim, pareciam uns tolos chatos que negligenciavam todos os esmerados rituais, as vestes clericais e os vitrais coloridos, para ficarem apenas com um monótono e constante estudo bíblico.

Tinham-me dito — tanto os católicos como os irmãos da confraria de Satanás — que nunca pusesse os pés numa igreja de protestantes. Por isso nunca os procurei. Eles nem mesmo eram cogitados como solução para meus problemas. Além disso, pensava que Jesus fosse um rei-vampiro, filho do próprio Satanás! Para escapar de meu dilema, por que iria me voltar para uma pessoa assim? Ele era a pessoa que tinha dado início a muitas das práticas nas quais eu estava enredado; era o que eu pensava.

Quando eu estava enfrentando esse dilema, recebi um bilhete que mudaria para sempre o curso da minha vida. Por mais curioso que possa ser, o que veio mudar minha vida era uma simples correspondência bancária. Dentro dela, estavam os meus cheques já compensados, que sistematicamente o banco me devolvia. Quando os peguei para conferir com os meus controles pessoais, um deles chamou a minha atenção.

Era um cheque que eu havia enviado para a Igreja de Satanás.

No cheque, escrito com uma letra de mulher, havia a frase: “Vou orar por você, em nome de Jesus.” Presumi que deveria ser uma pessoa cristã achando que eu estaria enfrentando problemas e que, por essa razão, tinha enviado dinheiro para a Igreja de Satanás.

Deveria ser um “nenhum” totalmente “por fora”, pensei eu, não entendendo que Jesus na realidade era um feiticeiro. Apenas dei uma risada e coloquei o cheque em meus arquivos. Mas meu riso não durou muito. Nos dias seguintes, senti como se alguém tivesse desligado todo o meu poder por meio da magia. Senti-me doente, fraco e desolado! Como o tipo de magia com o qual estava envolvido era extremamente poderoso e compulsivo, eu estava sob uma forte aflição! Imagine o que deve um viciado em drogas sentir quando é forçado a interromper seu vício, e multiplique isso várias vezes.

Então, perdi meu segundo emprego em tempo parcial, que tinha arrumado, como guarda-noturno. Por incrível que pareça, eu não sentia mais aqueles opressivos desejos da “metamáquina” em meu interior, e isso me preocupava também. No fundo, sentia também certo alívio por causa disso. Que conflito!

As contas não pagas começaram a se avolumar, e eu achava que se tratava de alguma coisa que os demônios tinham feito comigo, pois a situação piorava a cada dia. Não conseguia, porém, entender o que estava acontecendo. Assim, como todo bom feiticeiro, busquei presságios e sinais. Fui ao meu templo e caí de rosto no chão, clamando a Lúcifer por um sinal. O que tinha feito de errado? Eu havia assinado o Pacto! Eu tinha levado tantos outros— muitos, na verdade — a assinarem o Pacto! Eu me esforçara o máximo para crescer e ser um digno escravo de Satanás. Eu tinha de saber o que fazer.

Embora tivesse orado a Satanás, quem me respondeu, porém, foi Deus!

No dia seguinte, veja quem aparece em minha casa: duas moças, discípulas de Orion, muito envolvidas no satanismo e com discos voadores. Tinham ouvido falar que estávamos interessados em discos voadores e ligados à magia sexual e quiseram nos conhecer. Mas trouxeram consigo algo muito estranho e incomodativo:

três revistas cristãs de histórias em quadrinhos: Anjo de Luz, Encantamento e Sabotagem}. Duas delas abordavam especificamente Satanás e a Irmandade.

Elas as tinham encontrado em algum lugar e as traziam só para se divertir. A mais velha das moças passou-me, rindo, as revistas dizendo: — Você precisa ver isso, rapaz. Eles são do tempo de Neandertal!

Dei uma rápida olhada nas revistas e vi que ela tinha feito uns sórdidos acréscimos nos desenhos. Eram palavrões e outras anotações satíricas nas margens, dentes pintados de preto em algumas das personagens e também chifres do diabo desenhados em algumas figuras de pregadores. Observei brevemente que uma das revistas dizia, na última página:

“É: ou Cristo ou Satanás... e somente um tolo escolheria Satanás!”

'‘Deus o ama e deseja que você tenha paz e vida eterna no céu.”

Estas frases eram seguidas por um quadro que continha instruções sobre “como receber Jesus Cristo como seu Salvador pessoal”. Eu simplesmente dei um sorriso de escárnio. Aqueles “bobos”, que tinham escrito aquelas coisas, nada sabiam quanto a eu já ter nascido de novo pelo m odo verdadeiro e secreto, por meio de Maria Madalena: Que ousadia quererem me atingir com aquele estúpido “papo-furado”!

Eu não tinha percebido que Deus tinha estendido sua mão do céu usando devotos discípulos de Satanás para trazerem à minha vida, justamente, a informação de que necessitava para escapar daquela terrível espiral pela qual eu caía vertiginosamente. Peguei as revistas e as joguei dentro de uma gaveta. Eu estava muito ocupado — impressionando e entretendo aquelas “fãs” satanistas — para me preocupar com histórias em quadrinhos do tipo “Neandertal”.

Então, como se já não tivesse problemas suficientes, recebi um telefonema, por meio do qual fui informado que o meu “Ipsissimus — Sumo Sacerdote e Rei da Estrela da Manhã”, da alta esfera satânica, tinha sofrido um sério acidente num caminhão e estava em condições críticas. (Ele foi tirado de minha vida por quase um ano.) O que estava acontecendo comigo?

Naturalmente, Satanás (tal como a natureza) detesta o vácuo. Nem bem um dia tinha se passado, desde a hora em que joguei as revistas dentro daquela gaveta, e alguém bateu à minha porta. Sharon e eu estávamos prestes a sair de casa para fazer compras numa mercearia. Ela abriu a porta e deparou com dois jovens de rostos fortemente rosados, bem apresentados e saudáveis, com camisas brancas, gravatas e calças escuras. Tinham um distintivo na lapela que os identificava com o nome e uma posição. Sharon disse:

— Vocês são mórmons, não são?

Eles deram um passo para trás, quase assustados com sua saudação.

— Sim, se-senhora — gaguejou um deles. — Somos missionários da Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias. A senhora pode nos dar alguns minutos?

Dissemos-lhes que estávamos para sair, mas que eles poderiam voltar outra hora, e teríamos prazer em conversar com eles.

Os rapazes concordaram conosco de voltarem no dia seguinte, à tarde. Sharon fechou a porta e, quando eles foram embora, ela olhou para mim com um estranho olhar. Por que teríamos nós, ferrenhos feiticeiros, tão prontamente acedido aos missionários mórmons, que são o cúmulo da retidão e da chatice? Por que Sharon e eu tão facilmente concordamos em recebê-los no dia seguinte?

Sharon sabia da resistente crise espiritual que eu vinha enfrentando nas últimas semanas. Ela sabia — como eu também — que nos fora dito, cerca de seis anos antes, pelo “Grão-Mestre Druida” (a quem já nos referimos), que se, por acaso, um dia, entrássemos em séria crise espiritual, nos filiássemos à Igreja Mórmon! Embora Sharon não simpatizasse muito com os mórmons, aventamos a possibilidade de que eles teriam a chave para solucionar o nosso problema.

Esse hierarca druida, de nome Enoque (não é seu verdadeiro nome), era ligado a membros de alto nível dessa Igreja. Chegou mesmo a nos mostrar fotografias suas em reuniões com o então profeta da organização, Harold B. Lee. Garantiu-nos que a Igreja Mórmon fora fundada por feiticeiros como um lugar em que bruxos como nós poderíamos encontrar abrigo quando estivéssemos sob ataque.

Ele nos tinha ensinado que muitas das doutrinas da Wicca e dos druidas são totalmente idênticas às dos mórmons. Por exemplo, tanto os referidos feiticeiros quanto os mórmons crêem:

• numa divindade masculina e feminina (deus e deusa);

• na preexistência como filhos espirituais;

• que a pessoa pode evoluir para tornar-se um deus ou uma deusa;

• no casamento para agora e a eternidade;

• em rituais iniciatórios secretos.

Assim, Enoque explicou-me que poderíamos tornar-nos mórmons e, ao mesmo tempo, mantermos praticamente todas as nossas crenças como feiticeiros. Além disso, revelou-nos que os rituais secretos dessa Igreja seriam uma incrível fonte de poder do ocultismo. Portanto, parecia que a chegada daqueles missionários era uma resposta às nossas orações... a Satanás.

Assim, quando os missionários voltaram, sentamo-nos e pacientemente prestamos atenção à apresentação que eles fizeram, com muita encenação, e diversos diagramas ilustrativos. Nós os surpreendemos por verem quanto já sabíamos da doutrina da Igreja dos Santos dos Últimos Dias e, dentro de uma semana, já tínhamos submetido a eles o nosso pedido para sermos batizados e nos tornarmos membros de uma igreja mórmon.

Fomos entrevistados e aprovados por um “líder regional”, e depois informaram-nos por telefone que seriamos batizados dentro de algumas semanas. Senti uma forte e rara emoção ao receber aquela notícia, ao desligar o telefone. Parecia-me uma chance de começar tudo de novo. Os mórmons ensinam que o batismo libera a pessoa de todos os pecados. Isso significava para nós uma oportunidade de limpar tudo e recomeçar zero-quilômetro!

Eu vinha me sentindo muito sujo e ainda me via sendo usado em minhas experiências com os vampiros e minhas atividades satânicas. Tive para mim que algum tipo de milagre havia acontecido, uma vez que minha vontade de tomar sangue tinha acabado totalmente e meu apetite normal estava retornando. Seria esta, realmente, a chance para começar tudo de novo?

A impressão que eu tinha era que não havia nada a perder! Se Enoque estava certo, então eu alcançaria um novo marco em meu poder luciferiano ao passar pelos rituais no templo mórmon. Isso seria uma solução para o misterioso esvaziamento que eu vinha sentindo ultimamente em minhas reservas de poder por meio da magia. Se Enoque estava enganado, então eu estaria me unindo à verdadeira Igreja cristã! Aquela altura, eu acreditava que as duas alternativas seriam possíveis ao mesmo tempo.

Parecia bom demais para ser verdade! Será que de fato, por meio dos rituais mórmons, eu iria me encontrar com o Jesus que vinha procurando durante todos aqueles anos? Os rostos sorridentes e saudáveis dos missionários comunicaram-me uma paz que eu não conhecera nos últimos dez anos, uma paz firmada no entendimento de que eu estava fazendo a vontade de Deus. Desde que meus professores universitários detonaram as bases da minha fé na Bíblia, passara a ter dificuldade em crer, e procurei Jesus nos lugares mais improváveis de encontrá-lo.

O lugar mais óbvio de todos seria o lugar certo? A instituição que se chama Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias teria como me dar este Jesus? Naquela noite, quando fui dormir, orei para que isso acontecesse. Com lágrimas de esperança, orei com todo o meu coração que assim fosse.

O Senhor não desiste nunca, este crédito eu lhe dou! Enquanto eu dormia naquela noite, tive um sonho bem agitado. Ele falava comigo, mesmo estando eu prestes a me ligar a um culto religioso.

Chamava-me de volta, da beira de um precipício.

O sonho começou estando eu na parte mais alta de uma montanha. Era noite, e havia nuvens movimentando-se rapidamente, com estrondos de trovões. De quando em quando, eu era iluminado naquele íngreme pico pelos clarões de relâmpagos sobre os quais não conseguia ter quase nenhum controle com a minha magia.

Estava frio e ventava naquele lugar elevado, todo tomado pela tempestade; contudo, eu sentia prazer pelo poder que tinha.

Durante um rápido momento em que a tempestade se acalmou, ouvi o som de um cântico vindo do sopé da montanha. Voltei, então, o meu olhar para o vale lá embaixo e vislumbrei algumas luzes. Assim que as nuvens que circundavam o pico se dispersaram, pude ver claramente de onde vinham as luzes e o som daqueles cânticos. Eram de uma pequena igreja evangélica naquele vale escuro, com suas despretensiosas janelas lançando nas trevas calorosos raios de uma iluminação amiga. Ela estava repleta de pessoas, e senti uma pontada de solidão. Estavam cantando um dos poucos hinos evangélicos que eu já tinha ouvido “Amazing Grace” “Maravilhosa Graça”, de John Newton, um dos hinos mais conhecidos e cantados nos Estados Unidos]. De todo o coração, minha vontade era sair do lugar onde me encontrava e ir até lá misturar-me com aquela gente. A cruz que havia sobre a porta da igreja parecia estar acenando para mim. Mas uma parte dentro de mim me puxava para trás:

— Não seja tolo! Você é um feiticeiro, um praticante da magia!

Faz parte da sua condição de feiticeiro estar isolado, afastado das multidões. Seu dever é trazer relâmpagos dos céus para que a humanidade não perca o seu senso de m agia!

Em meu sonho, protestei:

— Mas estou cansado de tudo isso! Já “dei duro” por muitos anos. Não tenho direito a um descanso?

De algum modo, finalmente reconheci o timbre da voz do meu interlocutor no sonho como sendo a voz de Aleister Crowley:

— A magia é com o subir numa montanha. Você não pode parar para descansar nunca, ou você despencará e se destruirá todo.

— Nunca? — lamentei, chorando, com muita tristeza.

— Não, até que você alcance o ponto mais alto e se torne um Ipsissimus, com o eu — um deus encarnado!

— Mas estou cansado e sinto-me só. Quero descer e juntarme àquelas pessoas naquele lugar tão caloroso e acolhedor.

— Esses a í são os tolos que os homens adoram ser, tanto seus deuses com o eles mesmos são tolos!... Em meu sonho, Crowley sorria com descaso e citou seu Livro da Lei:

— Vá até lá, junte-se a eles e perca tudo que você conquistou.

Torne-se um deles, e eles o amarão. Então você poderá “morrer nas covas com os cães da razão’’'.

Senti como se estivesse tremendo de frio, e os raios dos trovões caíam cada vez mais perto de mim.

“Se eu ficar aqui, vou morrer” — pensei.

Crowley proclamou:

— Se você descer até lá, homenzinho, sua m ente será a de um otário total em menos de 15 dias.

Os relâmpagos caíam mais perto ainda. De algum modo, o som do hino começou a extinguir a sarcástica fúria de “Crowley” em meu sonho.

O hino parecia falar comigo e dizer: “Você não precisa ficar aí como uma vara de condão humana, lançando relâmpagos, a fim de salvar a humanidade. Jesus já fez tudo por você. Desça e juntese a nós, na família de Deus.”

Tremendo de frio, comecei a descer. Indo para baixo aos tropeços, naquele precipício, em direção às convidativas luzes daquela igreja, ouvi ainda a voz crítica de Crowley ecoando às minhas costas:

— Você vai se arrepender! Você está cometendo um grande erro.

Vai cair no abismo! — advertiu-me ele, referindo-se à versão ocultista do inferno, o “abismo”, onde caíram aqueles que não conseguiram tornar-se um deus. Ora, como praticante da magia, as únicas pessoas que eu tinha ouvido falar terem caído no abismo eram aquelas que tinham ousado tornarem-se crentes em Jesus. Foi com esse triste pensamento que acordei.

Infelizmente, minha ignorância sobre hinos evangélicos era quase tão grande quanto de Teologia. Interpretei mal o meu sonho, achando que havia uma bênção sobre minha decisão de ficar ao lado daqueles jovens mórmons de rostos tão ardentes, ingressando em sua Igreja. Naquela época, não sabia que os mórmons não cantam o hino com que eu havia sonhado, tampouco em suas igrejas se encontra o símbolo da cruz!

Minha falta de conhecimento bíblico também fez com que a advertência de Deus passasse por mim sem que a entendesse. Sentia-me muito feliz pensando que, por ter encontrado o Cristo dos mórmons, tinha encontrado o Jesus de meus mais devotados sonhos. Nem imaginava que, na realidade, estava prestes a participar de uma das contrafacções mais bem engendradas e cruéis de Satanás!

Assim, em 8 de agosto de 1980, fui batizado numa igreja mórmon por dois missionários anciãos, que ensinaram a Sharon e a mim as “discussões” (lições missionárias). Ela e eu havíamos conversado sobre isso, e Sharon concordara em ser batizada também; todavia, estipulou a condição de que deixaríamos aquela seita se os rituais do templo não fossem o que estávamos esperando, ou se nada resolvessem por mais de um ano.

Não há tempo nem espaço neste livro para narrar tudo o que aconteceu nos meus estranhos cinco anos de aventuras como mórmon.

No entanto, uma vez mais, embora Satanás tenha tentado usar o mormonismo como nova artimanha espiritual para me enganar e armar cilada contra mim — , Deus fez uso desse tempo para um propósito muito mais nobre. Ele o usou para mostrar-me que eu era pecador.

Os mórmons, como toda gente sabe, não são más pessoas.

Eles, afinal, se esforçam por viver vidas íntegras. Como feiticeiro e satanista, isso realmente não estava entre os primeiros pontos da minha lista de prioridades. Como satanista, eu não tinha consciência alguma quanto a ser pecador. Com efeito, no dia em que não cometia um grande pecado, achava que tinha sido um mau dia.

Naquele tempo, eu vivia praticando adultério, bebendo sangue e usando entorpecentes como um demônio, ano após ano!

Quando, porém, me filiei à Igreja dos Santos dos Últimos Dias, percebi que havia um esquema de regras bem diferente que eu tinha de observar. Para me qualificar de poder ir ao templo supersecreto — a que tinham direito apenas alguns poucos mórmons pertencentes à elite, portadores de cartões de recomendação para entrar no templo — eu sabia que seria entrevistado sobre a minha guarda de todos os mandamentos.

Tomei a resolução, então, de “entrar na linha”, na minha nova religião. Uma misteriosa força havia retirado de mim a dependência de sangue. (Agora, olhando para o passado, entendo que deve ter sido pelas orações daquela moça do banco, a que escrevera no cheque, por mim.) Paralelamente, meu desejo por maconha e cocaína diminuíra substancialmente. Isso era bom, pois o código dietético mórmon proíbe toda bebida alcoólica e também drogas, café, chá e cigarro. Eu nunca fumei, raramente bebia uma bebida forte e quase nunca tomávamos café ou chá preto (éramos vegetarianos, consumindo apenas alimentos naturais).

Com muita força de vontade (e certamente a ajuda daquela moça do banco, que orava por mim), consegui largar o vício das drogas em poucas semanas, após o meu batismo mórmon. Alguns dos meus outros hábitos pecaminosos eram um pouco mais difíceis de vencer. Pela primeira vez na vida, tive que enfrentar o desafio de não mentir, não ver pornografia (isso não era nada fácil para quem havia passado 12 anos cultuando em plena nudez com dezenas de moças formosas!), não perder as estribeiras, nem tomar o nome do Senhor em vão.

Pela primeira vez em 12 anos, tive que enfrentar o pecado, em minha vida, como um inimigo a ser vencido, em vez de tê-lo como um companheiro com quem “festejar com muita alegria”. Isso não era nada divertido! Ficar lá com os mórmons ajudava um pouco.

Eram pessoas admiráveis, que não liam revistas do tipo Playboy e costumavam alertar-me para ter cuidado com o meu linguajar.

Não obstante, por acreditarmos que a Igreja Mórmon era dirigida por druidas do grau mais elevado, não tínhamos deixado de praticar a feitiçaria. Com efeito, em 1981, Sharon e eu tivemos uma entrevista em Salt Lake City com um “apóstolo” da Igreja (um dos 15 homens de sua cúpula mundial). Por termos podido dar-lhe algumas “chaves” e “sinais” especiais, que nos tinham sido passados pelo Mestre Druida, ele se abriu para nós. Solenemente, assegurou-nos que nossas intuições e informações estavam certas.

Lúcifer é, de fato, o deus adorado no templo mórmon.

Ele nos advertiu que corríamos certo perigo. Fomos “aconselhados”, sob pena de morte, a nunca falar do que fora tratado naquela reunião com nenhum oficial da Igreja de nível inferior ao de apóstolo. Também nos deu a entender que, se mudássemos para o estado de Utah, onde fica a sede da Igreja Mórmon, teríamos, certamente, um lugar na hierarquia. Concluímos, assim, que o mormonismo não passa de uma feitiçaria “cristianizada”.

Então o que fizemos foi “mormonizar” um pouco nossos grupos de feitiçaria e deixamos de nos considerar satanistas. Assumimos, porém, que agora éramos luciferianos. Como fazíamos parte dos poucos mórmons que pertenciam à “elite” do templo,4 tínhamos que usar uma veste especial sagrada debaixo da nossa roupa (na verdade uma veste secreta). Sharon e eu começamos a realizar nossas reuniões do grupo vestidos com mantos, e não, como fazíamos antes, com “vestes celestes” (o termo Wicca para estarmos nus). Em pouco tempo, sem que disséssemos nada a respeito, o uso de mantos tornou-se um símbolo de status, tal é o poder de uma liderança.

Deixamos de beber vinho em nossos sabás. No lugar do vinho, passamos a tomar suco de uva. (Isso nos alegrou bastante, pois, na verdade, detestávamos vinho e outras bebidas alcoólicas...)

Chegamos até a levar alguns de nossos melhores participantes de nossos grupos a ingressarem na Igreja Mórmon! Outras mudanças menores também ocorreram.

Quando Sharon e eu nos conhecemos, tínhamos feito um acordo entre nós de que cada um buscaria desenvolver-se na magia à sua maneira, da forma como se sentisse dirigido para isso. Respeitávamos os princípios um do outro e contávamos com a integridade pessoal um do outro para perseverarmos em nossos objetivos e ideais. Desde que entrei no satanismo, por exemplo, Sharon participou apenas daquelas atividades consideradas absolutamente necessárias. Era o caso de rituais em que havia algumas outras sacerdotisas nos grupos, que invejavam sua posição. Percebeu que tinha de se envolver um pouco ou ficaria para trás.

Nosso pessoal a considerava quase uma segunda mãe, e havia entre nós uma união como de uma família. Achavam, porém, que mesmo que ela não demonstrasse interesse por determinada “prática das trevas”, teriam a porta aberta para pessoalmente ingressarem naquela corrente de magia. No entanto, ela trabalhava em outras áreas da feitiçaria e continuamente procurava “trazer luz” às nossas atividades. Em vez de rituais satânicos, incentivava a pesquisa na alquimia e em ciências tais como a cristalografia e sua matemática. Em vez de drogas (um dos oito maiores raios da roda dos bruxos), instruía a respeito de vegetarianismo, saúde e ioga.

Em vez de dispor os círculos de magia branca com os quatro deuses pagãos, como fazíamos, ela passou a invocar os vigias do grupo com os nomes dos evangelistas Mateus, Marcos, Lucas e João. Fazendo agora uma retrospectiva do passado, na verdade sua tênue oposição tornou-se a cada nível sutilmente visível.

Logo depois que isso começou, Sharon passou por uma experiência fora do comum. A reunião do círculo do sabá desenvolvesse normalmente. O círculo havia sido feito, os vigias estabelecidos, como era uma noite de lua cheia, começamos a fazer a invocação para trazer até nós a essência da deusa à grande sacerdotisa: “Fazendo Descer a Lua”. Não era algo raro de acontecer, mas também não era comum Sharon “entrar em transe” e incorporar a deusa, como aconteceu naquela noite. Então, um espírito totalmente novo veio sobre ela, e ela começou a falar numa linguagem desconhecida. Tinha assumido o que se chama a “posição de deusa” (uma postura em pentagrama) para a invocação. De repente, caiu de joelhos, chorando e falando sobre o quê, não sabíamos! Estávamos acostumados a esperar que qualquer coisa pudesse acontecer, mas não foi “qualquer coisa” que aconteceu. Ela (a deusa, pelo que criamos) impôs as mãos sobre cada um de nós, abençoando, e em seguida passou a lavar nossos pés com a água consagrada que tínhamos usado para fazer o círculo.

Isso perturbou muitos de nossos iniciantes, porque se tratava de algo muito próximo de lembranças que eles procuravam esquecer! Mais da metade deles tinha sido criada no catolicismo e testemunhado a cerimônia do lava-pés na quinta-feira santa.

Algum tempo depois, Sharon começou a falar de sair totalmente do grupo, tornando-se uma pessoa “normal”: talvez voltando a estudar, arranjando um emprego, fazendo uma reviravolta

total em sua vida. Nenhum de nós percebeu que algo muito incomum havia acontecido. Era agora uma mulher diferente. Estava muito confusa, mas, certamente, tinha mudado.

Embora as mudanças parecessem ser para melhor, eu nem suspeitava que um novo desafio, vindo do céu, em pouco tempo nos alcançaria.

Lúcifer destronado - Capítulo 18


 Testemunhando a um adorador do diabo

Dando continuidade em como apresentar o evangelho aos satanistas, precisamos nos lembrar de que eles, em sua maioria, não têm idéia alguma sobre quem é Deus, o que a Bíblia ensina, nem quanto ao que Jesus lhes oferece, exceto no caso de cristãos que apostataram da fé, conforme mencionado.

Eu não sabia nada disso. Passei 16 anos de minha vida juntando um grande volume de informações metafísicas que continham muitas mentiras acerca da Bíblia e do cristianismo. Veja a seguir algumas das mentiras mais comuns que são transmitidas aos satanistas:

1. Tudo o que Deus pretende é nos humilhar e nos impedir de nos divertirmos.

2. A Bíblia foi de tal forma censurada e adulterada por antigos monges e concílios da Igreja que o que ela diz sobre Jesus, sua vida e mensagem não tem valor algum.

3. A Bíblia não pode ser compreendida senão como um livro cabalístico, escrito em linguagem codificada, que somente pode ser decifrada por bruxos e adeptos da feitiçaria de elevado grau de ocultismo. Assim, os crentes não têm como compreender seu verdadeiro significado.

4. O Deus apresentado na Bíblia é, na verdade, uma divindade secundária, tribal, criada no deserto. Divindades como Os Grandes Deuses da Antiguidade, Deuses Ancestrais, Senhores das Sombras, etc., do satanismo, são muito antigas e mais poderosas.

Assim, faz mais sentido servir-lhe.

Evidentemente, um satanista não tira suas idéias do nada. Ele lê ou lhe é ensinado algo a respeito. Exceto quanto ao primeiro engano acima, essas idéias, em sua maior parte, não são divulgadas sem “ajuda” de livros, televisão, banda de rock ou um mentor.

Assim que essas objeções forem sendo apresentadas, o que você tem a fazer é, com muito jeito, desafiá-las. Muitos jovens costumam aceitar como verdades absolutas o que lêem ou ouvem, principalmente de eminentes personagens que tenham uma postura contrária aos padrões tradicionais da sociedade. Os mesmos jovens ou adultos que escarnecem dos cristãos pela sua “fé cega” acreditam nos mais grotescos conceitos, bem mais irracionais. Assim, o que você tem de fazer é despertar na mente do satanista a questão da confiança:

“Por que você acredita que essa informação é verdadeira? Considerando a natureza eterna dessas questões, em que você baseia a sua confiança de que esse seu modo de pensar está correto?”

Pergunte-lhe quem escreveu o livro ou lhe ensinou tais coisas.

Às vezes, a pessoa nem sabe como foi que recebeu essas idéias. Eu mesmo tinha uma quantidade enorme de pensamentos absurdos em minha mente por ter lido “milhares” de livros do ocultismo, mas não conseguia identificar de que livro tinha tirado tal ou qual idéia.

Se a pessoa lhe disser que foi Crowley, LaVey ou qualquer outro que lhe tenha revelado isso, pergunte-lhe por que considera que se deve acreditar nesse autor. Destaque que há várias possibilidades:

1 — Que o que ele disse é a verdade.

2a — O autor pode ter-lhe dito o que acha ser a verdade, mas pode estar enganado.

3a - O autor pode ter misturado algumas verdades com falsidades ou erros.

4a — Pode ter mentido intencionalmente.

Isto significa que, na melhor das hipóteses, há 75% de probabilidade de a pessoa estar enganada — tanto intencional como acidentalmente. Mostre que esses livros foram escritos por homens ou mulheres, e que os seres humanos podem estar errados e serem enganados. Pergunte-lhe qual a razão para confiar nas opiniões dessas pessoas. As respostas do satanista poderão estar entre as seguintes:

Ia - “Isso me parece estar certo.”

2a - “O que ele escreve faz sentido, neste mundo tão sem sentido.”

3a - “São magos ou sábios e poderosos, e devem saber o que estão dizendo.”

4a - “Os rituais da magia que me ensinaram funcionam. Por isso, creio que eles têm entendimento sobre o cosmo.”

Esta pode ser uma boa oportunidade para você dizer que poderá indicar-lhe um livro que foi escrito por Alguém bem mais sábio e inteligente do que aquele autor. Explique as razões que autenticam o seu livro de um modo que nenhum autor da magia não pode nem pretender chegar perto.

Esta é a hora de pôr a Bíblia Sagrada à prova. Faça com que o satanista perceba que há um modo objetivo e científico (reforce bem esta palavra) para determinar quem deve merecer nossa confiança: os “gurus” satânicos, que escarnecem de Deus e da Bíblia, ou Jesus Cristo e sua Palavra. A pessoa certamente concordará que as duas posições são mutuamente excludentes: ou uma ou outra.

Em outras palavras, mostre-lhe que, logicamente, é impossível que o satanismo tenha uma teologia correta e, ao mesmo tempo, que a Bíblia seja verdadeira. Os satanistas obviamente não têm respeito algum pela Bíblia; assim, é por aqui que você pode começar a detonar os “pastores idólatras” deles, exaltando a Palavra de Deus. É sempre uma melhor estratégia — tanto espiritual como psicologicamente — começar a louvar o que é precioso para Deus do que atacar o que é “sagrado” para os satanistas.

Explique que a Bíblia é a Palavra de Deus e foi escrita pelo próprio Deus (veja 2 Timóteo 3.l6). Em mais de 600 vezes, a Bíblia diz de si mesma ser as próprias palavras de Deus. Bem, um livro verdadeiramente escrito por Deus seguramente tem qualidades divinas e incomuns. Uma dessas qualidades é poder transformar a vida e o coração dos seres humanos. Diga ao satanista, com poucas palavras, como a Palavra de Deus fez isso em sua vida.

Também, de modo contrário ao que sempre fizeram, em todos os séculos, os satanistas e apologistas anticristãos em suas argumentações, a Bíblia diz de si mesma que não pode ser alterada nem adulterada (veja Mt 5.18; lPe 1.25; Is 40.8; 51.6; SI 12.6,7; 19.7,8; 111.7; 119.89; Lc 16.17).

Os ocultistas, na maioria dos casos, aprendem que várias das crenças do ocultismo — como a reencarnação, por exemplo — foram censuradas e retiradas da Bíblia por volta do segundo ou terceiro séculos. Não há evidência alguma, em qualquer registro histórico, que haja, no entanto, ocorrido tal censura. Se a Bíblia foi verdadeiramente escrita por Deus, então ela não teria alterada por sacerdotes, monges ou concílios da Igreja, como ensinam os satanistas.

Valendo-nos da lógica, que ser humano teria condições de alterar o que um Ser onipotente prometeu preservar? Pode-se demonstrar que, por toda a História, os escribas tiveram um cuidado extremo, incrível, quase sobrenatural, de copiarem à mão as Escrituras, antes do aparecimento da imprensa. Suas precauções, como as que são mencionadas a seguir, tornaram praticamente impossível que erros tenham se imiscuído sorrateiramente no texto:

• Todo escriba contava o número de palavras e o de letras da cópia e do original. Os dois números tinham que bater, um com o outro.

• Todo escriba fazia com que o tamanho médio das letras na cópia fosse o mesmo que o do original.

• Um borrão qualquer de tinta sobre a cópia a invalidava totalmente, e ela era destruída no fogo. Isso por causa, sobretudo, da natureza da grafia do hebraico, que consiste de pequenos traços com a pena, que poderiam ser confundidos com pequenas manchas de tinta.

• Não era permitido que o escriba copiasse mais do que uma única palavra por vez; a cada palavra, ele tinha que olhar para o original.

• O escriba obtinha, também, o valor total numérico da página, somando o valor de cada letra, pois as letras hebraicas representam também números. A soma da página original tinha que ser igual à da cópia.

Outra prova de que foi Deus quem escreveu a Bíblia é que ela prevê o futuro com 100% de precisão. Diga a seu amigo satanista que, diferentemente dos médiuns e feiticeiros, como se vê na imprensa secular, a Bíblia tem centenas de profecias, e o cumprimento de cada uma delas já ocorreu, sem falha alguma.

O próprio Deus nos pede que usemos suas profecias como teste, comparando-O com outros “deuses”:

Declarai e apresentai as vossas razões. Que tomem conselho uns com os outros. Quem fez ouvir isto desde a antiguidade?

Quem desde aquele tempo o anunciou? Porventura, não o fiz eu, o Senhor? Pois não há outro Deus, senão eu, Deus justo e Salvador não há além de mim. (Is 45.21)

Uma apresentação completa das profecias da Bíblia e de sua impressionante precisão constituiria um outro livro. O evangelizado interessado pode consultar obras como Evidence That Demands a Verdict [Evidência Que Exige uma Decisão], de Josh MacDowell1, para ter mais informações sobre o modo vital e científico de estabelecer a autoridade da Bíblia. Mas aqui estão algumas dessas “pepitas” tão valiosas:

1 . O nascimento, a vida, a morte e a ressurreição de Jesus são o cumprimento de 322 profecias diferentes do Antigo Testamento. Apenas considere 48 das profecias, que seriam as mais difíceis de serem fraudadas: aquelas que Jesus e seus discípulos não tiveram controle algum sobre seu cumprimento. Dentre elas, vejam-se, por exemplo:

• Jesus ter nascido na cidade de Belém (Miquéias 5.2);

• Reis do Oriente terem ido adorá-lo (Salmo 72.10);

• A crucificação deu-se entre dois ladrões (Isaías 53.12);

• As mãos de Jesus foram feridas por aqueles que deveriam ter sido seus amigos (Zacarias 13.6);

• Trinta moedas de prata foi o preço de sua traição (Zacarias 11.12);

• A repartição de suas vestes e o sorteio de sua capa (Salmo 22.18).

A chance de pessoas humanas cumprirem essas profecias é de 1 para 10iy7 (isto é, 10 seguido de 157 zeros)!2 Este é um número astronômico. A probabilidade de você acertar na loteria ou ser atingido por um raio é muito maior do que essa. Para se poder ainda comparar a chance daquelas profecias se cumprirem ao acaso, saiba que há milhões de elétrons — que são partículas subatômicas — no corpo humano. Entretanto, em toda a vastidão do universo conhecido, não haveria espaço para 10 l3 elétrons!

2. Ezequiel 26.3.21 faz uma profecia (em cerca de 592 — 570

a.C.), sobre a cidade de Tiro. Tudo se cumpriu nos mínimos detalhes. Apesar disso, os estudiosos determinaram que apenas uma profecia (em meio a outras centenas), por ser tão precisa pela sabedoria humana, tinha uma enorme probabilidade de não se cumprir: 1 em 75.000.000!3 Ezequiel fez muitas outras profecias semelhantes sobre a destruição de cidades. Todas elas foram literalmente cumpridas.

Se o satanista procurar alegar que essas profecias foram escritas após os fatos ou falsificadas de algum modo, você poderá destacar que, graças aos pergaminhos do mar Morto, temos prova de que todas as profecias em Isaías sobre Jesus (por exemplo) foram feitas centenas de anos antes de Ele ter nascido. Assim, as profecias não foram escritas posteriormente aos fatos. Destaque ainda para o satanista que a Bíblia é o manuscrito antigo mais bem examinado e atestado. Isto significa que o número de cópias antigas que temos das Escrituras para fazer comparações cruzadas são substanciais (milhares, na verdade), e de datas relativamente bem próximas do tempo em que os eventos foram escritos. Por exemplo, a precisão histórica e a verdade da Bíblia têm uma comprovação muito maior do que, digamos, as obras de Homero (A Ilíada ou A Odisséia). Assim, são os satanistas que têm de apresentar provas, para refutar a veracidade da Bíblia.

Por outro lado, destaque que os “heróis” deles (LaVey, Crowley, Aquino, etc.) e os seus “livros sagrados” fizeram bem poucas profecias, para não dizer nenhuma, e que os registros de cumprimento delas são absolutamente desanimadores. Por exemplo, LaVey escreveu em seu livro The Satanic Rituais [Rituais Satânicos] (1972)4 a respeito do avanço da idéia de Jesus Cristo na cultura ocidental. De acordo com sua predição, no final da década de 1980 Jesus seria apenas uma memória desvanecente de um conto de fadas na mente da sociedade. Evidentemente, isso não aconteceu. A Igreja cristã está viva, e muito bem viva, e dezenas de milhares de novos crentes estão surgindo a cada dia. Jesus não é apenas uma saudosa lembrança ultrapassada. É a força mais vital na sociedade de hoje.

Se Satanás fosse esse grande deus, como dizem, por que nem ele nem seus “profetas” são capazes de predizer com precisão o futuro? Por que não dão ao seu povo senão vagos pronunciamentos públicos de descontentamento, batendo no peito como um decrépito gorila de idade avançada tentando impressionar alguém?

Por que não lhes dá algo em termos científicos e com números que possam ser examinados?

O satanista precisa encarar essa questão, se está disposto a examinar os fatos com honestidade. Nosso Deus pode predizer o futuro com uma precisão absoluta e impressionante. O deus deles não pode fazer isso. Um a zero para o Deus da Bíblia!

Uma segunda área que descobrimos ser muito importante é exaltar e glorificar o nome de Jesus Cristo. Como já mencionado, a maioria dos satanistas quase nada sabe sobre a real personalidade de Jesus. Infelizmente, até muitos satanistas recrutados de lares de cristãos nominais (e até mesmo autênticos) têm uma distorcida versão do verdadeiro Cristo. Apenas 10% dos satanistas com quem temos nos relacionado vieram de famílias cristãs. A maioria deles foi criada em lares extremam ente legalistas. Assim, infelizmente, têm uma imagem de Jesus como um capataz severo esperando a primeira oportunidade para castigá-los diante do menor deslize — estrondeando juízos desde os céus por eles cortarem o cabelo de modo supostamente errado ou enfeitar-se com jóias.

Agora, por favor... não estou dizendo que os pais não devem criar seus filhos na educação e na admoestação do Senhor. Nem estou condenando a verdadeira santidade e uma vida genuinamente cristã. Para os cristãos, a paternidade não é nada fácil e está ficando cada vez mais difícil. Contudo, muitos jovens estão recebendo a mensagem distorcida de que Jesus não lhes oferece alegria alguma, apenas uma rígida disciplina, e que irá castigá-los por qualquer desvio do caminho certo. Os pais precisam procurar, com muita oração, um equilíbrio entre a disciplina e a graça! Como João nos lembra no seu evangelho:

Porque a lei foi dada por intermédio de Moisés; a graça e a verdade vieram por meio de Jesus Cristo. (Jo 1.17) Se for apresentada à criança apenas uma severa disciplina e julgamento, sem a liberdade e a alegria de Jesus, a adolescência poderá tornar-se um tempo bastante turbulento •— especialmente quando as crises surgirem —, abalando a fé juvenil. É importante lembrarmos o que temos de fazer:

Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele. (Pv 22.6)

Observe que a palavra é para ensinar a criança no caminho em que ela deve andar, não no caminho em que você quer que ela ande.

Seu filho pode estar num caminho que lhe foi aberto pelo Espírito Santo, e pode ser que não seja o que você planejou para ele. Como pais, temos que ter cuidado para não desempenharmos o papel que compete ao Espírito Santo, com nossos filhos. Com isso, não estou dizendo que, se um filho envolver-se com o que, segundo a Bíblia, é claramente pecaminoso, temos de deixá-lo desviar-se para a perdição. No entanto, muitas vezes não é bom usarmos de severidade e ficarmos inflexíveis com coisas relativamente de menor importância sob a perspectiva divina.

Tendo dito tudo isso, e voltando para os satanistas, é importante transmitirmos a eles uma autêntica e vital imagem de Jesus Cristo.

Não é preciso “adoçar” a nossa apresentação, porque os satanistas estão num iminente perigo de irem para o fogo do inferno, e precisam conhecer a verdade. É necessário, porém, ter o cuidado de não enfatizarmos a graça mais do que a lei. Foi o que Paulo fez.

E extremamente importante comunicarmos aos satanistas cinco aspectos centrais sobre Jesus Cristo:

1. Jesus E o Deus Todo-Poderoso Que Encarnou Muito satanistas não sabem disso, ou, se o sabem, não compreendem direito. Explique ao satanista, da melhor maneira que puder, que Jesus é Deus feito carne (Jo 1 .1 ,2; At 20.28; Cl 1.15; 2.9; 1 Tm 3.16). Jesus é o Ser que literalmente criou todo o universo (Jo 1.1,14; Cl 1.16). Ele é aquele que mantém o universo unido.

Todas as forças da gravidade, da atração e da repulsão de polaridades estão sob o seu controle (Cl 1.17). Explique ainda a ele que, sendo grandioso e onipotente, Cristo esvaziou-se de sua glória divina e tornou-se como um de nós — para comunicar-se conosco e nos redimir (Fp 2.6,8). Às vezes, uma conhecida historinha, das formigas, ajuda-nos a mostrar a grandeza do que o Senhor fez por nós, tornando-se homem:

Um pai e seu filho olhavam para um formigueiro, que alguém tinha pisado em cima. O filho estava pesaroso, vendo aquelas pequenas criaturas dispersando-se por todos os lados, e o seu desejo foi o de poder comunicar-se com elas. Seu pai explicou-lhe que as formigas não podiam compreender a fala humana, nem havia como escrever a elas. A simples presença de um ser humano no formigueiro lhes traria um grande terror, inimaginável. Juntos chegaram, então, à conclusão de que o único meio de se comunicarem com elas seria o filho transformar-se numa formiga, indo para o meio delas como tal. Somente desse modo, elas confiariam nele e ouviriam a sua palavra. Foi isto que Jesus fez por nós, ao tornar-se um ser humano.

Não se pode ficar em cima do muro com respeito à divindade de Jesus de Nazaré. Ele disse ser Deus (Jo 8.58); recebeu adoração como Deus (Mt 8.2; 9.18; 14.33; Jo 9.38); declarou ser o único caminho para se chegar a Deus (Jo 14.6).

Quando alguém diz ser Deus, há pela lógica apenas três alternativas:

1) É um lunático, tal como aquele que diz ser Napoleão ou um ovo quente.

2) E um mentiroso.

3) É realmente Deus.

A maioria das pessoas, até mesmo os ocultistas e muitos satanistas, impressionam-se com o carisma e o poder da personalidade e das obras de Jesus. Há um consenso geral de que é totalmente improvável ter sido ele mentiroso e enganador, embora muitos satanistas o caracterizem desse modo. Também a tendência é admitir que é bastante improvável que um homem que agiu e ensinou como Ele o fez fosse um desequilibrado, conquanto alguns satanistas acreditem que ele fosse demente.

Assim, para muitas pessoas, a alternativa é que Jesus foi, e é, quem Ele declarou ser: o Deus Todo-Poderoso!

2. Jesus Deve Ser Glorificado como a Fonte de Todo o Poder A maioria dos satanistas tem uma imagem de Jesus como um palerma sem importância, efeminado, que se veste com saias e abraça e acaricia o tempo todo suas ovelhas. Infelizmente, algumas obras de arte cristãs — especialmente as de estilo antiquado e as pinturas católicas — de modo geral reforçam esse pretenso caráter efeminado do Senhor. É necessário destacar que Jesus trabalhou como carpinteiro na maior parte da sua vida adulta. Ninguém fica com um físico delicado lidando com grandes vigas e troncos de madeira e trabalhando com ferramentas de carpintaria o dia todo.

Outro aspecto que precisa ser enfatizado é o poder sobrenatural de Jesus. Ele acalmou uma forte tempestade num lago, com uma só palavra. Fez com que demônios ficassem cheios de abjeto terror, só em entrar num povoado. Ressuscitou mortos! Será que Satanás (ou um de seus subordinados) pode fazer o mesmo?

Os satanistas, em sua maioria, respeitam o poder, mas aprenderam que Satanás é que é a fonte do poder. Assim, o poder de Jesus precisa ser enfatizado. Ele disse:

É-me dado todo o poder no céu e na terra. (Mt 2 8 .18 — rc)

Pois bem, se Jesus tem 100% do poder do universo, que porcentagem restou para Satanás? Zero! O que você diz sobre isso?

Gosto de explicar aos satanistas que o diabo é como um cachorro que late muito, preso numa coleira de guia bem curta. Pode latir estridentemente e incomodar bastante, mas Jesus o mantém com rédeas curtas. Todo dano que ele realiza é sob a permissão do Senhor, e normalmente, de algum modo, acaba revertendo para servir aos propósitos de Deus, especialmente quando procura atacar os crentes (cf. Gn 50.20; Rm 8.28).

Diga aos satanistas que o poder que eles talvez tenham visto proceder do diabo é principalmente porque Satanás fica com uma correia maior quando se trata de não cristãos. Se o satanista estiver com medo do que o diabo lhe possa vir a fazer, afirme que ele pode ser salvo e ficar sob a cobertura do manto de Jesus Cristo, que tem realmente todo o poder (veja também Jo 3.35; Ef 1.10,11).

3. Jesus Deve Ser Glorificado como a Fonte de Toda a Sabedoria

Como já disse, a maioria dos satanistas que não está muito interessada em ter poder está interessada em ter sabedoria. Assim, precisa ouvir de você que Jesus Cristo tem mais sabedoria a oferecer do que Satanás e suas bolorentas e antiquadas revelações das trevas.

Um dos problemas que enfrenta quem compartilha o evangelho é que a sabedoria bíblica não tem a mesma fascinação e o mesmo ar misterioso da sabedoria ocultista. A percepção que a maioria dos satanistas tem é considerar que os cristãos não passam de “médiuns”, não distinguindo os verdadeiros cristãos dos apenas nominais e achando que o cristianismo nada tem a oferecer de significativo.

Primeiro, explique, com toda a gentileza, o que é um verdadeiro cristão, e que os verdadeiros cristãos são em número bem menor. O verdadeiro cristão não é alguém que simplesmente pertença a alguma igreja ou tenha sido batizado quando criança. Explique que esta sabedoria sobrenatural provém de se estudar a Bíblia Sagrada, a Palavra de Deus. Diga aos satanistas que assim como alguns deles se esforçam em seus estudos mais do que outros, também alguns cristãos esforçam-se mais em seus estudos da Bíblia.

Desse modo, não é justo julgar Jesus e o cristianismo olhando só para determinados cristãos ou igrejas.

Mostre ainda que muitas vezes o que é considerado sabedoria pelos homens, na verdade é loucura para Deus, e vice-versa (1 Co 3.19; Is 55.8,9). Explique que, por Deus ser quem é, não dá para compreender tudo o que Ele tenha para nos ensinar. Usando de novo a história das formigas, é como se pudéssemos perguntar a uma delas o que pensa a respeito de cálculo integral!

Se o satanista não foi muito longe pela estrada da rebeldia, pode-se mencionar ainda que muitas das leis feitas pelos homens baseiam-se na sabedoria da Bíblia (veja ainda 1 Co 1.24; Cl 2.2,3; Pv 8.22-36).

4. Jesus Deve Ser Glorificado como Aquele Que nos Amou a Ponto de Morrer por Nós (Rm 5.8) Aqui chegamos a um ponto em que as pessoas não se sentem bem à vontade, e muitos não querem falar a respeito disso, especialmente no caso de um satanista. Ele é geralmente agressivo e egoísta, considerando isso uma virtude. E por isso que, em muitos casos, os satanistas nunca viram o amor ágape, altruísta, em ação.

Esclareça que Cristo não rejeita ninguém que vem a Ele, nem mesmo quem o tenha rejeitado, como no caso do satanista. Ele sofreu uma terrível e pavorosa execução, morrendo por todos, inclusive pelos satanistas. Muitos satanistas não receberão esta palavra ou até mesmo zombarão dela. No entanto, alguns serão realmente tocados por ela, e outros serão influenciados, embora não o demonstrem de imediato.

Diga ao satanista que mesmo que fosse ele a única pessoa no mundo que necessitasse de salvação, Jesus teria morrido por ele. E que Ele deu a sua vida mesmo sendo Deus. Mostre que a morte de Jesus não foi um sacrifício humano para Lúcifer coisa alguma, mas foi o modo pelo qual Deus nos mostrou quanto Ele nos amou e, assim, satisfez as exigências de sua perfeita justiça.

Todos esses pontos são praticamente iguais aos que seriam abordados em qualquer diálogo em que se esteja buscando ganhar almas. Apenas é preciso enfatizar que os satanistas (como qualquer outra pessoa) são muito carentes de amor, de um amor não egoísta Estão acostumados a não serem amados, e sim manipulados e abusados. Este assunto de fato os impressiona. Não tenha medo de falar com eles sobre isso!

5. Jesus Deve Ser Glorificado como o Único Diante de Quem Satanás um Dia Vai Se Dobrar (Fp 2.9,10, Isaías 45.23)

Faça o satanista lembrar-se da incrível precisão dos escritos proféticos de Deus. Explique-lhe que, contrariamente ao que lhe disseram, Satanás não vai ganhar esta batalha. Pergunte-lhe se tem uma evidência concreta que seja para mostrar que o Livro de Deus está errado e por que Satanás triunfará. Onde estão os grandes profetas de Satanás? Onde está a evidência de que ele realmente pode controlar o futuro, e não o que ele é, isto é, um pobre viralata na coleira, com guia curta?

Diga ao satanista, amavelmente mas com firmeza, que a Bíblia deixa claro que um dia ele, assim como também Satanás, terá de dobrar os joelhos e confessar que Jesus é o Senhor do universo. Satanás não tem saída; não lhe resta opção. Mas o satanista, enquanto estiver vivo, tem uma opção. Pode escolher inclinar-se diante de Jesus e confessá-lo como seu Senhor e Salvador agora mesmo, escapando assim das consequências do eterno fogo do inferno. Isso nos leva a um desafio...

Embora esta não seja a única maneira de fazer com que um satanista ou feiticeiro “se renda” a Jesus Cristo, a abordagem descrita a seguir costuma ser bastante eficaz. E uma abordagem clássica e baseia-se na obra de Blaise Pascal, o grande filósofo, cientista e matemático cristão. A linguagem de programação chamada Pascal tem esse nome por causa dele. Esta abordagem é chamada de “Aposta de Pascal”, porque basicamente ela reduz a eternidade a um jogo.

Em última análise, todo mundo faz o jogo de Pascal, quer saiba disso ou não. Todos nós escolhemos “apostar” em um dentre dois concorrentes: o disputante chamado “o cristianismo é verdadeiro” ou seu adversário, “o cristianismo é falso”. Eis como se procede.

Diga ao satanista:

“Se o cristianismo for falso, não sendo o único caminho’, e se você seguir seus ensinos e Senhor, o que tem a perder? Seus princípios éticos são admiráveis. Por observar os Dez Mandamentos e as Bem-Aventuranças, isso não prejudica em nada o seu “carma”, não é? Você terá uma vida pacífica e alegre, e por fim partirá, até a sua (suposta) próxima reencarnação. Na pior das hipóteses, o cristianismo e seus ensinos melhorariam, até o seu carma.

“Por outro lado, se o satanismo for falso, e a declaração de Jesus — que ninguém vai ao Pai a não ser por Ele (Jo 14.6) — é verdadeira, e você seguir o satanismo, então estará num tremendo perigo espiritual! Você estará fora da vontade de Deus e adorando falsos deuses. Então, estará correndo um grande risco!

Enfim, se você seguir o cristianismo e tiver sido enganado, não perderá quase nada. Mas, se seguir o satanismo, e estiver enganado, perderá tudo!”

É um lance que só possui duas alternativas. Mas essas alternativas são, na verdade, a vida ou morte eternas. Se o satanista estiver errado, passará a eternidade no inferno.

Alguns satanistas poderão querer negar a existência do inferno ou então dizer que o inferno é uma festa. Apresente-lhe de novo a pergunta: “Por que você acredita nisso? Qual é a evidência matemática e científica de que você dispõe para descartar o que Jesus e a Bíblia dizem com tanta clareza?”

Outros satanistas vão querer discutir sobre como um Deus supostamente tão bom pode fazer um lugar assim como o inferno e mandar pessoas para lá. Mostre que Deus não fez o inferno para os seres humanos, mas para o diabo e seus anjos (Mt 25.41). Além disso, deixe claro que as pessoas é que se deixam ir para lá, pois rejeitam a oferta de vida eterna que Deus lhes oferece de um modo incrivelmente fácil e de graça. Se Jesus tivesse tornado a salvação algo muito difícil de alcançar, então as pessoas teriam argumentos e questionamentos válidos. Mas Ele fez com que a salvação seja tão fácil que até mesmo uma criancinha do jardim da infância pode entendê-la. Mostre que, diferentemente de Satanás, Deus não é esnobe. Ele aceita as pessoas como estão e as salva de seus pecados:

— basta que lhe dêem o seu consentimento.

Esta escolha, quem tem de fazer é o satanista.

Concluindo, esse pode ser um longo processo. A oração contribuirá para facilitar a decisão, mas não são muitos os satanistas que são salvos no primeiro contato. Pelo que me lembro, levei seis anos, desde o dia em que pela primeira vez fui tocado pela graça e 0 poder de Deus até o dia em que finalmente cheguei à cruz.

E disso que estaremos tratando nos próximos capítulos.