terça-feira, 8 de junho de 2021

A cruz e o punhal - capítulo 01


 Toda essa estranha aventura teve início, quando virei uma página da revista Life, certa noite, em meu escritório. A primeira vista, nada havia naquela página que me inte­ressasse. Trazia um desenho, a bico-de-pena, de um julgamento que se realizava na cidade de Nova Iorque, a 560 quilômetros de distância. Eu nunca fora a Nova Iorque, e não tinha vontade de ir, a não ser, talvez, para ver a Estátua da Liberdade.

Estava virando a página, mas enquanto o fazia, os olhos de um dos meninos do desenho chamaram a minha atenção. Era um dentre os sete acusados de homicídio. O artista conseguira captar uma expressão de espanto, ódio e desespero, que me fez voltar a página outra vez, para olhar com mais cuidado. E en­quanto olhava, comecei a chorar.

"O que há comigo?" disse em voz alta, impacientemente, enxugando os olhos. Olhei para o desenho novamente. Os ra­pazes eram todos adolescentes, membros de uma quadrilha cha­mada Dragões. Abaixo do desenho estava a história de como entraram no Parque Highbridge em Nova Iorque, atacando brutalmente e matando um rapaz de quinze anos, vítima de poliomielite, chamado Michael Farmer.

Os sete rapazes esfaquearam sete vezes as costas do menino, depois bateram-lhe com cinturões. Saíram limpando o sangue no cabelo, dizendo:

"Acabamos com ele!"

A história me revoltou; senti-me enojado. Em nossa cidade­zinha, tais coisas pareciam simplesmente inacreditáveis.

Foi por isso que me senti aturdido por um pensamento que, de repente, se apoderou de mim — uma idéia já formada, como se me tivesse sido sugerida por alguém.

Vá a Nova Iorque e ajude esses meninos.

A minha resposta foi uma boa gargalhada.

"Eu? Ir a Nova Iorque? Um pregador de interior meter-se numa situação da qual nada entende?"

Vá a Nova Iorque e ajude esses meninos.

O pensamento ainda estava lá, perfeitamente nítido, e inde­pendente por completo dos meus próprios pensamentos e idéias.

"Seria uma grande tolice. Não entendo nada de crianças assim, e nem quero entender."

Por mais que tentasse, não conseguia me livrar da idéia: precisava partir para Nova Iorque, e partir imediatamente, antes que o julgamento terminasse.

Para compreender bem como era absurda essa idéia para mim, é necessário saber que, até o momento em que virei aquela página, minha vida fora pacata. Pacata, mas satisfatória. A igrejinha a que eu servia, em Philipsburg, no estado de Pensilvânia, crescera lenta, mas seguramente. Tínhamos um novo templo, uma nova casa pastoral, e um orçamento missio­nário que aumentava constantemente. Esse crescimento era para mim motivo de grande satisfação, porque quatro anos antes, quando Gwen e eu chegáramos a Philipsburg como candidatos ao púlpito, a igreja não tinha prédio próprio. A congregação de cinquenta membros se reunia numa casa par­ticular, usando o andar superior como casa pastoral e o tér­reo como templo.

Quando estavam nos mostrando a casa, lembro-me bem de que o salto do sapato de Gwen furou completamente o assoalho podre da "casa pastoral".

— É preciso fazer uma arrumaçãozinha em certas coisas, disse uma das senhoras da igreja.

Era uma mulher gorda, de vestido estampado. Lembro-me de ter observado que suas mãos tinham rachaduras, onde havia vestígios de terra, sinal de que ela trabalhava em uma fazenda.

— Podem dar uma olhada sossegados.

Assim Gwen continuou sua visita de inspeção sozinha, no segundo andar. Eu sabia muito bem, pela maneira que ela fe­chava as portas, que não estava de todo satisfeita. Mas o pior foi quando abriu uma gaveta na cozinha. Ouvi o seu grito e subi correndo. Uma porção de baratas nojentas corria desorde­nadamente. Gwen fechou a gaveta depressa:

— Não posso, David, não posso! disse ela quase chorando. Sem esperar resposta saiu correndo escada abaixo, fazendo um barulhão com os sapatos de salto alto. Apresentei rápidas desculpas à comissão que nos aguardava e fui atrás de Gwen até o hotel — o único existente em Philipsburg — onde a encon­trei com o nosso bebê, à minha espera.

— Desculpe-me, querido, disse Gwen. São todos tão simpá­ticos, mas eu morro de medo de baratas.

Ela já havia arrumado as malas, deixando óbvio que, quan­to a ela, Philipsburg teria de procurar outro candidato.

Mas as coisas não aconteceram bem assim. Não podería­mos partir antes do culto noturno, porque eu deveria pregar. Não me lembro de ter falado bem, mas alguma coisa pareceu cativar as cinquenta pessoas naquela pequena igreja. Alguns daqueles fazendeiros, de mãos calejadas pelo trabalho, tirando os lenços, enxugavam os olhos. Eu terminava o sermão e, men­talmente, já entrava no carro, e atravessava as montanhas, par­tindo de Philipsburg, quando de repente um senhor idoso levantou-se, no meio da igreja e disse:

— Reverendo Wilkerson, o senhor quer ser o nosso pastor?

Foi sem dúvida uma forma bastante estranha de apresentar o assunto, e pegou-nos de surpresa, especialmente a mim e à minha mulher. Os membros daquela pequena Assembléia de Deus estavam tentando escolher um pastor entre vários candi­datos. Havia várias semanas estavam como que num beco sem saída, e agora o velho Sr. Meyer, tomando o caso em suas mãos, convidava-me dessa maneira. Mas em vez de encontrar repro­vação por parte dos outros membros, ouviram-se imediatamente algumas vozes que se erguiam em aprovação ao convite.

— O senhor vá lá fora e converse com sua mulher, disse o Sr. Meyer. Daqui a pouco sairemos também.

Estava escuro no carro, e Gwen se encontrava quieta. Debbie dormia no bercinho improvisado no banco de trás. A mala estava arrumada e encostada perto do berço; tudo pronto para a nossa partida. No silêncio de Gwen havia um protesto contra baratas.

— Precisamos de auxílio, Gwen, disse eu depressa. Acho que devemos orar.

— Pergunte-lhe sobre as baratas, disse Gwen desanimada.

— Certo! Farei isso.

Curvando a cabeça no escuro, do lado de fora daquela igre­jinha, fiz uma experiência com uma oração especial, pela qual eu procurava conhecer a vontade de Deus através de um sinal. Esse tipo de oração chama-se "Colocar lã perante o Senhor", por causa da história de Gideão. Quando este estava procuran­do conhecer a vontade de Deus para a sua vida, pediu que o sinal fosse dado pela lã. Colocou-a no chão e pediu a Deus que molhasse a terra de orvalho mas que deixasse seca a lã. De manhã, Gideão constatou que a terra estava toda molhada, mas a lã permanecia seca. Deus lhe dera um sinal.

— Senhor, disse eu em voz alta, quero colocar um pouco de lã na tua presença, agora. Estamos dispostos a fazer a tua von­tade, se conseguirmos descobrir qual é ela. Senhor, se é o teu desejo que fiquemos aqui em Philipsburg, pedimos que tenha­mos certeza através de um voto unânime da comissão. Permita também que resolvam, eles mesmos, consertar a casa e instalar um fogão e uma geladeira decentes...

— E Senhor, disse Gwen interrompendo, porque naquele momento a porta se abriu, e vimos a comissão dirigindo-se para nós, permita que eles se prontifiquem a acabar com aque­las baratas.

A congregação em peso acompanhou a comissão, pondo-se ao redor do carro. O Sr. Meyer pigarreou. Enquanto falava, Gwen tomou a minha mão no escuro, e apertou-a.

— Reverendo e Sra. Wilkerson, disse ele. Fez uma pausa antes de continuar. Irmão David. Irmã Gwen. Votamos todos e concordamos que o senhor seja o nosso pastor. Cem por cen­to. Se resolverem ficar, consertaremos a casa pastoral, coloca­remos um fogão novo e outras coisas que precisarem, e a irmã Williams diz que será preciso dedetizar a casa também.

— Para acabar com as baratas, acrescentou a esposa do ir­mão Williams, dirigindo-se a Gwen.

Pela claridade, que, vindo da porta da igreja, atravessava o gramado, eu podia ver que Gwen estava chorando. Mais tarde, de volta ao hotel, depois de acabados todos aqueles cumpri­mentos, Gwen disse que estava feliz.

E fomos felizes mesmo, em Philipsburg. A vida de um pre­gador de interior me satisfazia perfeitamente. A maioria dos membros trabalhava nas fazendas ou nas minas de carvão. Eram honestos, tementes a Deus e generosos. Traziam seu dízimo em latarias, ovos, manteiga, leite e carne. Eram pessoas felizes, operosas, pessoas a quem era possível admirar e com as quais se poderia aprender muito.

Depois de pouco mais de um ano, compramos um velho terreno que servira de campo de esportes, nos limites da cida­de. Lembro-me bem do dia em que, de pé naquele terreno, pedi ao Senhor que nos ajudasse a construir uma igreja ali, e foi o que aconteceu.

Construímos uma casa ao lado, e enquanto Gwen foi a dona da casa, nenhum inseto teve chance de sobrevivência. Era uma casinha bonita, um bangalô cor-de-rosa de cinco cômodos, que de um lado tinha uma linda vista das montanhas e do outro lado, a cruz branca da igreja.

Trabalhamos bastante em Philipsburg, e até certo ponto fo­mos bem-sucedidos. Antes de começar o ano de 1958, havia 250 pessoas na igreja, incluindo Bonnie, nossa nova filhinha. Mas eu estava inquieto. Começava a sentir uma insatisfa­ção espiritual e não me contentava com o crescimento da igre­ja, ou com o seu novo prédio, situado nos 202m2 de terreno, no topo da colina. Da mesma forma não me satisfazia com o crescente orçamento missionário, nem com os bancos cada dia mais cheios.

Lembro-me bem da noite em que reconheci esse descontentamento, como alguém se lembra de um fato impor­tante na vida. Foi no dia 9 de fevereiro de 1958. Naquela noite resolvi vender meu aparelho de televisão. Era tarde, Gwen e as crianças estavam dormindo, e eu assistia ao último programa. Fazia parte da história um número coreográfico, no qual um grupo de coristas dançava com vestimenta escassa. Lembro-me de como de repente achei aquilo tudo tão torpe.

"Você está ficando velho, David", disse para mim mesmo.

Mas, por mais que tentasse, não consegui me concentrar na história e na menina — qual era mesmo? — cujo destino no palco era o suposto motivo de palpitante interesse para todos os es­pectadores.

Levantei-me, apertei o botão, e vi as garotas desaparecerem num ponto luminoso no meio da tela. Saí da sala, fui até o escritório e sentei-me.

"Quanto tempo eu fico em frente daquele aparelho todas as noites?" pensei. "Duas horas pelo menos. O que aconteceria, Senhor, se eu vendesse a televisão e gastasse esse mesmo tem­po... orando?"

Eu era o único da família que assistia à televisão, de modo que a sua venda não afetaria ninguém.

O que poderia acontecer, se eu passasse duas horas todas as noites em oração? Era uma idéia emocionante. Substituir a te­levisão por oração, e ver o que aconteceria.

Imediatamente pensei em algumas objeções. A noite eu es­tava cansado, e precisava de uma distração assim. A televisão era parte de nossa cultura; não é bom que um ministro desco­nheça o que o povo está vendo e comentando.

Levantei-me, apaguei a luz e fiquei na janela, olhando para as montanhas banhadas pela luz do luar. Então coloquei outra lã perante o Senhor, que iria mudar toda a minha vida. Acho que fiz um pedido bem difícil, porque na realidade não queria dispor do aparelho.

"Jesus", disse eu, "preciso de auxílio para resolver esse pro­blema, e é isso que te peço. Vou colocar um anúncio no jornal. Se for da tua vontade que eu venda a televisão, faça com que o comprador apareça imediatamente. Faça com que apareça dentro de uma hora... não, meia hora depois que o jornal sair nas bancas."

Quando contei a minha decisão a Gwen, no dia seguinte, ela não se impressionou muito.

"Meia hora!" disse ela. "Parece-me, David Wilkerson, que você não está com muita vontade de orar, não!"

Coloquei o anúncio no jornal. Foi engraçada a cena que se passou na nossa sala, depois que o jornal saiu. Eu estava senta­do no sofá com a televisão de um lado, as crianças e Gwen do outro, e eu com os olhos grudados num grande despertador que ficava ao lado do telefone.

Passaram-se vinte e nove minutos.

— Bem, Gwen, disse, parece que você estava com a razão. Acho que não vai ser preciso...

O telefone tocou. Apanhei-o devagar, olhando para Gwen.

— Você tem um aparelho de televisão para vender? pergun­tou uma voz masculina.

— Certo. Um RCA em boas condições. Tela de dezenove polegadas, e tem dois anos.

— Qual é o preço?

— Cem dólares, disse rapidamente.

Não havia pensado no preço até aquele momento.

— Eu fico com ele, disse o homem, sem mais nem menos.

— Não quer vê-lo primeiro?

— Não é preciso. Tenha-o pronto em quinze minutos. Leva­rei o dinheiro.

Nunca mais a minha vida foi o que era antes. Todas as noi­tes, à meia-noite, em vez de apertar alguns botões, entrava no meu escritório, fechava a porta e começava a orar. A princípio o tempo não passava e eu ficava irrequieto.

Depois aprendi a fazer uma leitura bíblica sistemática, como parte da minha vida de oração: nunca lera a Bíblia do começo ao fim, incluindo as genealogias. Aprendi como é importante fazer a diferença en­tre oração de petição e oração de louvor. É uma experiência realmente maravilhosa, passar uma hora inteira somente agra­decendo. Dá à vida uma perspectiva completamente nova.

Foi durante uma dessas noites de oração que eu apanhei a re­vista Life. Estivera estranhamente agitado toda aquela noite. Esta­va sozinho; Gwen e as crianças se encontravam em Pittsburgh, visitando os avós. Orara por muito tempo, e sentia a presença de Deus bem perto, mas, ao mesmo tempo, por motivos que eu não compreendia, sentia também uma grande tristeza.

Sobreveio-me de repente, e eu não conseguia imaginar o que significaria. Levantei-me e acendi a luz. Sentia-me nervoso, como se houvesse recebido ordens, sem poder perceber quais fossem.

"O que estás a me dizer, Senhor?"

Andei pelo escritório, procurando compreender o que esta­va acontecendo comigo. Na minha mesa estava uma revista Life. Estendi a mão para apanhá-la, mas logo repreendi a mim mesmo. Não iria cair na armadilha de ler uma revista, quando deveria estar em oração.

Novamente comecei a andar pelo escritório e toda vez que me aproximava da mesa minha atenção voltava-se para a revis­ta.

"Haverá alguma coisa nessa revista que desejas que eu veja, Senhor?" disse em voz alta, e minha voz ressoou pela casa va­zia.

Sentei-me na cadeira de couro marrom e, com o coração acelerado, como se estivesse no limiar de uma revelação maior do que poderia compreender, abri a revista. Segundos depois estava olhando para um desenho, a bico-de-pena, de sete me­ninos, e as lágrimas me escorriam pela face.

O dia seguinte, quarta-feira, era dia de reunião de oração na igreja. Resolvi contar à congregação acerca de minha expe­riência de oração, todas as noites, de meia-noite às duas horas, e da estranha sugestão que me sobreviera por esse intermédio.

Era uma noite fria de inverno, com neve a cair. Vieram pou­cas pessoas. Certamente, os fazendeiros temiam ser apanha­dos, na cidade, por uma nevasca. Mesmo as vinte e poucas pessoas, da cidade, que chegaram, entravam isoladamente e procuravam os bancos que ficavam mais atrás; mau sinal para o pregador, pois significa que ele tem uma congregação "fria".

Nem procurei pregar um sermão naquela noite. Quando me levantei, pedi a todos que se aproximassem. Então disse-lhes:

"Tenho algo que quero lhes mostrar."

Abri a revista Life e levantei-a para que vissem.

"Olhem bem para o rosto desses meninos", continuei.

Depois contei-lhes como chorara, recebendo ordem especí­fica de ir até Nova Iorque e tentar ajudar aqueles meninos. Olhavam para mim indiferentemente. Não conseguia despertá-los, e compreendia a reação deles. Qualquer um sentiria aver­são por aqueles meninos, e não simpatia. Eu mesmo não podia compreender a minha reação.

Então aconteceu algo surpreendente. Disse à congregação que queria ir a Nova Iorque, mas que não tinha dinheiro. A despeito do fato de haver tão poucos presentes, e apesar de não compreenderem o que eu estava querendo fazer, os mem­bros da minha igreja vieram todos silenciosamente à frente, um a um, colocando a sua oferta sobre a mesa da comunhão. A oferta foi de setenta e cinco dólares, quase o suficiente para ir a Nova Iorque de automóvel e voltar.

Na quinta-feira eu estava pronto. Telefonara para Gwen, explicando — sem ser bem-sucedido — o que estava querendo fazer.

— Você sente realmente que o Espírito Santo o está dirigin­do? perguntou Gwen.

— Sim, meu bem.

— Então não se esqueça de levar algumas meias de lã.

Quinta-feira cedinho entrei no meu velho carro com Miles Hoover, o presidente da mocidade da igreja, e parti. Ninguém veio se despedir, outro sinal da completa falta de entusiasmo que acompanhava essa viagem.

E essa falta não era apenas da parte dos outros. Sentia-a eu mesmo. Repetidamente perguntava a mim mesmo por que, afi­nal, estava partindo para Nova Iorque, levando uma página arrancada da revista Life. Repetidas vezes me perguntei por que o rosto daqueles meninos me emocionava, todas as vezes que olhava para aquele desenho.

— Estou com medo, Miles, confessei finalmente, enquanto rodávamos pela estrada da Pensilvânia.

— Com medo?

— Sim, de que eu esteja cometendo alguma tolice. Como gostaria de ter realmente a certeza de que essa é, sem dúvida, a vontade de Deus, e não uma resolução maluca da minha pró­pria mente!

Continuamos em silêncio por um pouco.

— Miles?

— Hein?

Mantinha os olhos na estrada, com vergonha de olhar para ele.

— Quero que você faça uma coisa. Pegue a Bíblia, abra-a ao acaso e leia a primeira passagem sobre a qual o seu dedo pou­sar.

Miles olhou para mim, como se me acusasse de praticar algum tipo de ritual supersticioso, mas fez o que pedi. Viran­do-se, pegou a Bíblia que estava no banco traseiro. Com o canto do olho vi quando ele fechou os olhos, jogou a cabeça para trás, abriu o livro e, decididamente, colocou o dedo na página aberta.

Depois ele leu silenciosamente, e eu vi quando se virou, olhan­do para mim sem dizer uma única palavra.

— Então? perguntei.

A passagem se achava nos versículos cinco e seis do Salmo 126: "Os que com lágrimas semeiam, com júbilo ceifarão. Quem sai andando e chorando, enquanto semeia, voltará com júbilo, trazendo os seus feixes".

Sentimo-nos mais animados, enquanto nos dirigíamos a Nova Iorque. E foi bom, porque foi o último estímulo que receberíamos por muito, muito tempo.