Paulo, maior intérprete do evangelho de Jesus Cristo,
doutrinando através de sua Carta aos Romanos, declarou: “Porque não me
envergonho do evangelho de Cristo, pois é o poder de Deus para salvação de todo
aquele que crê, primeiro do judeu e também do grego” (Rm 1.16 — grifo nosso).
Na época em que se tornou discípulo de Jesus, após sua dramática conversão, no
caminho de Damasco, já havia muitos “evangelhos” estranhos, apócrifos, que
pregavam “outro Jesus” (2 Co 11.4). Mas o evangelho genuíno tinha que ser um
evangelho que demonstrasse ao mundo que era a mensagem de Deus aos homens,
através de sinais, prodígios e maravilhas, que o diferençava dos “outros
evangelhos”.
Jesus, em seu ministério terreno, demonstrou que não viera
trazer mais uma corrente filosófica para o mundo. As nações já conheciam as
filosofias gregas, de Platão, Aristóteles, Heródoto, e outros. O Budismo, o
Hinduísmo, o Xintoísmo e outras religiões dominavam
o Oriente. O Judaísmo era a religião consagrada na
Palestina. Mas não se viam sinais de poder impactante e transformador na vida
dos seus adeptos nem daqueles a quem pregavam seus ensinos. Mas Jesus começou,
transformando “água em vinho” (Jo 2.10). Curou cegos, paralíticos, ressicados,
lunáticos, e fez o que nenhum líder de religião fizera ou haveria de fazer:
ressuscitou mortos, inclusive Lázaro, cujo corpo já entrara em estado de
decomposição avançada (jo 11.43). O cristianismo apresentou-se como um
movimento do Espírito Santo para a salvação de almas e libertação dos males
resultantes do pecado.
Além de demonstrar o poder sobre as forças das enfermidades,
Jesus demonstrou que tinha poder sobre as forças da natureza. Acalmou a
tempestade, repreendendo o vento e o mar (Mt 8.23-27); andou por cima das águas
e fez passar a tormenta (Mt 14.22-34). E, para provar que tinha suprema
autoridade sobre todos os poderes, expulsou demônios, libertando os oprimidos
do Diabo (Mt 8.28-34 e referências). A História da Igreja é uma história de
pregação e de poder de Deus. Neste capítulo, meditaremos sobre os dons de
poder, tão necessários à igreja, nestes tempos trabalhosos a que se referiu
Paulo (1 Tm 3.1).
I - O DOM DA FÉ (1 Co 12.9)
1. SIGNIFICADO DE FÉ
A palavra fé (gr. pisteuó-, lat. Fides) “E a confiança que
depositamos em todas as providências de Deus. E a crença de que Ele está no
comando de tudo, e que é capaz de manter as leis que estabeleceu. E a convicção
de que a sua palavra é a verdade”.1 A melhor definição de fé é enunciada pelo
autor do livro aos Hebreus, que recebeu uma profunda inspiração para a
descrição dessa virtude cristã; “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que
se esperam e a prova das coisas que se não veem” (Hb 11.1). Vemos, nessa
definição, três elementos essenciais à fé:
1) Ela é fundamento ou base para a confiança em Deus;
2) Ela envolve a esperança ou expectativa segura do que se
espera da
parte de Deus;
3) Ela é “a prova das coisas que não se veem”, mas sáo
esperadas, ou
significa convicção antecipada.
2. A FÉ COMO DOM
É a capacidade concedida pelo Espírito Santo para o crente
realizar coisas que transcendem à esfera natural, visando o benefício e a
edificação da igreja. Podemos entender melhor o significado do dom da fé,
através de declarações negativas em relação a outros tipos de fé. Não é a fé
salvífica, que é despertada pela proclamação da Palavra de Deus (Rm 10.17; Ef
2.8); não é a fé como doutrina, que denota a permanência do crente, vivendo de
acordo com a Palavra de Deus, ou a sã doutrina (2 Co 13.5); não é a fé como
fruto do Espírito, que consiste nas virtudes, que devem ser cultivadas pelo
crente, na comunhão com o Espírito Santo. Não é dada, é buscada e desenvolvida
(G1 5.22); o dom da fé também não é a fé natural, que resulta da observação da
natureza. Se tudo existe, de maneira organizada e com propósito, há pessoas que
creem no Criador (Rm 1.19,20).
O dom da fé “Pode ser considerado como um dom especial da fé
para uma necessidade particular. Alguns o definem como ‘a fé que remove
montanhas’, trazendo manifestações incomuns ou extraordinárias do poder de
Deus”.2 Esse dom é concedido, num momento especial, quando só um milagre
resolve algo que não tem solução, no meio da igreja, ou na vida de um servo de
Deus, que atende a seus propósitos. Podemos entender que esse dom foi usado por
Moisés, quando o povo de Israel percebeu que Faraó estava no seu encalço após a
saída do Egito. De um lado e do outro, as montanhas; pela frente, o Mar
Vermelho; por trás o exército egípcio com carros e cavalos.
A resposta do líder do Êxodo foi uma demonstração de uma fé
fora do comum. “Moisés, porém, disse ao povo: Não temais; estai quietos e vede
o livramento do Senhor, que hoje vos fará; porque aos egípcios, que hoje
vistes, nunca mais vereis para sempre. O Senhor pelejará por vós, e vos
calareis” (Êx 14.13,14). Ele “viu” o livramento de Deus antes que acontecesse.
Se tivesse falhado em sua fé, teria havido uma tragédia contra a sua liderança.
Vemos esse dom operando na vida de Daniel. Quando soube do
decreto do rei, proibindo que alguém fizesse qualquer pedido ou súplica a
qualquer pessoa ou a qualquer Deus, e não unicamente ao rei, seria lançado na
cova dos leões famintos, Daniel continuou orando ao Senhor, como o fazia três
vezes ao dia. Foi acusado pelos seus adversários, e foi lançado na cova dos
leões. O próprio rei viu que Daniel tinha fé em seu Deus (Dn 6.16). Daniel foi
salvo da morte (Dn 6.23).
Certamente, o exemplo do profeta Elias, diante dos profetas
de Baal e de Asera, no Monte Carmelo, também envolveu o dom da fé. Ele fez um
desafio aos profetas dos deuses falsos. Propôs que o Deus que respondesse com
fogo seria o verdadeiro Deus. E Deus honrou sua fé, fazendo cair fogo do céu
sobre o altar encharcado de água (1 Rs 18.22-39).
Em sua viagem a Roma, o apóstolo Paulo foi vítima de um
grande naufrágio. Escapando na Ilha de Malta, ele e os demais náufragos foram
acolhidos com hospitalidade. Ali, experimentou um milagre extraordinário. Ao
colocar alguns pedaços de madeira numa fogueira, foi picado por uma cobra
venenosa, conhecida na região. Os nativos logo imaginaram que Paulo iria
perecer dentro de poucas horas, pois sabiam que o efeito do veneno era mortal.
Mas o servo de Deus, simplesmente, sacudiu a mão e a víbora cai no fogo, e nada
lhe aconteceu (At 28.1-6).
Esse dom da fé não se desenvolve. E concedido, em ocasiões
especiais, para a resolução de algum problema insolúvel aos meios normais,
racionais, ou naturais. E só é dado a quem já tem fé em Deus e em suas
promessas. “Esse dom em ação gera uma atmosfera de fé, que dá convicção de que
agora tudo é possível (cf. Jo 11.40-44; Mc 9.23). [...] Esse dom é um impulso poderoso
à oração da fé (cf. Tg 5.17), pois impõe a certeza de que para Deus tudo é
possível (cf. Lc 1.37; Mc 10.27).”3 Quando se diz que tudo é possível deve-se
ter em mente que se tem em mente tudo o que é de acordo com a vontade de Deus.
II - DONS DE CURAR (1 CO 12.9)
Os dons de curar são recursos espirituais, de caráter
sobrenatural, que atuam na cura de enfermidades físicas, psicossomáticas ou
emocionais. Sua concessão à igreja deve-se ao fato de que Deus quer dar saúde a
seu povo. No Antigo Testamento, Ele se manifestava ao povo de Israel como o
“Jeová Rofeca”, ou “Jeová Rafá” — O Senhor que Sara (Êx 15.26; SI 103.3). São
dons de grande valor na pregação do evangelho. As pessoas em geral são
descrentes do poder de Deus. Mas, quando veem uma cura de impacto, como a cura
de câncer, de diabetes, de paralisia, ou de doenças degenerativas, com
Alzheimer, doença de Parkinson, e outras, são compelidas a ter sua fé
despertada para o poder de Deus em suas vidas. Milagres de cura, sem
transformação de vidas, pelo poder do evangelho de Cristo, tornam-se apenas
elementos de “shows” para glorificação do pregador. Mas quando as curas
contribuem para a glorificação a Deus, têm grande valor para a divulgação do
evangelho.
E promessa de Jesus à sua igreja a delegação de poder para
curar enfermidades, como parte da missão de pregar o evangelho (Mc 16.15-18 ).
Como os sinais devem seguir “aos que crerem”, pode-se
entender que pode haver curas, ministradas por uma pessoa, que não tem o dom ou
dons de curar. Num momento, um evangelizador, num hospital, ou em outro lugar,
pode dizer para um doente: “Em nome de Jesus seja curado”, e o enfermo
levantar-se sadio para glória do Senhor. No entanto, no meio da congregação
local, em qualquer lugar, é necessário que se busquem os dons de curar, que
poderão ser usados, em momentos ou situações em que Deus queira manifestar o
seu poder curador, para glória de Jesus Cristo.
É interessante notar que todos os outros dons estão no
singular. Mas os dons de curar estão no plural. Não há, portanto, um “dom de
curar”, mas uma variedade deles. Os estudiosos não são unânimes na
interpretação desse assunto. Há quem acredite que um crente, que possui tais
dons, tenha capacidade para curar qualquer enfermidade. A pluralidade dos dons
de curar parece indicar que há pessoas que têm o dom de orar por determinadas
enfermidades; e outras, para orar por outros tipos de doenças.
Stanley Horton diz “que ninguém pode dizer: ‘Eu tenho o dom
de curar’, como se este dom pudesse ser possuído e ministrado ao bel-prazer da
pessoa. Cada cura necessita de um dom especial, não à pessoa o dom, mas por
meio daquela pessoa para o indivíduo doente, de forma que Deus receba toda a
glória. Ele é quem cura (At 4.30)”.4 Infelizmente, o que se vê, em muitos
programas de TV, de determinadas igrejas, é o endeusamento do pastor, do bispo
ou apóstolo, que ministra curas de maneira cotidiana. Não ousamos dizer que
pessoas não são curadas, em tais igrejas. Mas a exaltação do ministrante de
curas ofusca a glória que só pertence a Deus.
Diz Boyd acerca desses dons: “Não concordamos com a opinião
de que este dom garante a libertação do enfermo, independente da soberania
divina ou das condições espirituais e morais do enfermo”.5 De fato, há ensinos
heréticos, desde o século passado, no seio de igrejas evangélicas, notadamente
das neopentecostais, que entendem que o possuidor do dom ou dos dons de curar
têm poderes ilimitados. Não é bem assim. Se uma pessoa está doente, pode buscar
a cura, através da oração da fé. No entanto, Deus não está obrigado a atender
todos os pedidos ou súplicas pela cura de nenhuma pessoa. Pr. Eurico Bergstén
corrobora esse entendimento, quando afirma: “Esse dom não significa uma
capacidade de curar quando e como a pessoa quer, porém é sempre uma transmissão
de poder do Espírito Santo. Por isso, é indispensável que o portador do dom
esteja ligado a Cristo e siga a sua direção...”.6
E desejável que os crentes em Jesus procurem “com zelo os
melhores dons” (1 Co 12.31). Certamente, os dons de curar são muito
necessários, num mundo em que as enfermidades têm-se multiplicado
assustadoramente, a despeito dos notáveis avanços da medicina. Esses dons são
recursos especiais à disposição da igreja do Senhor Jesus Cristo, para, sob a
soberania de Deus, e segundo a fé, os crentes sejam beneficiados com a cura das
enfermidades físicas ou emocionais.
III - Operação de Milagres d Co 12.10)
Milagres (gr. sêmeion) são a intervenção sobrenatural na
ordem normal da natureza. O dom de milagres provoca “o desprendimento da
energia divina, a fim de operar grandes mudanças na ordem natural das coisas.
Um milagre é uma manifestação de poder sobrenatural no reino natural”.7 Esse
dom também é chamado de dom de operação de maravilhas (gr. energemata
dunameõn). Desses termos gregos derivam as palavras “energia” e “dinamite”. São
palavras plurais, no idioma original. Isso dá a entender que pode haver uma
variedade enorme de milagres, operados pelo poder do Espírito Santo.
Assim como a dinamite explode rochas consideradas
impenetráveis, o dom de milagres anula a ordem natural das coisas. Muitas
vezes, é uma verdadeira explosão do poder de Deus, no mundo natural ou na esfera
espiritual. Na travessia do Mar Vermelho, temos um exemplo extraordinário de um
milagre, operado por Deus. O povo de Israel, com cerca de 3 milhões de pessoas,
jamais teria condições de adentrar as águas à sua frente, acossado pelo
exército de Faraó. Mas Deus fez o impossível, alterando o curso dos elementos
da natureza. “Então, Moisés estendeu a sua mão sobre o mar, e o Senhor fez
retirar o mar por um forte vento oriental toda aquela noite; e o mar tornou-se
em seco, e as águas foram partidas. E os filhos de Israel entraram pelo meio do
mar em seco; e as águas lhes foram como muro à sua direita e à sua esquerda”
(Ex 14.21,22).
Em meio a uma grave crise climática, em Israel, uma viúva
clamou ao profeta Eliseu para que seus dois filhos não fossem levados cativos
para pagar dívidas deixadas pelo seu esposo. Eliseu indagou o que ela tinha em
casa, e, em resposta, a mulher disse que só tinham “uma botija de azeite” (2 Rs
4.2). Algo como meio litro ou um pouco mais. Mas isso não significava nada
diante do grande problema da dívida que a mulher tinha que pagar, para não
perder a guarda de seus dois filhos. A ordem normal das coisas, à luz dos
costumes e leis de seu tempo, exigia que ela entregasse os filhos ao credor.
Mas a fé do profeta ultrapassou os limites do plano natural
e, confiando em Deus, disse à mulher que conseguisse muitos vasos com seus
vizinhos, e os enchesse com aquela pequena quantidade de azeite. A mulher
obedeceu ao profeta, e presenciou, com seus filhos um milagre extraordinário. À
proporção que derramava o azeite nas vasilhas, o azeite aumentava. Aquilo que
parecia ser o fim, foi o começo de um novo tempo na vida daquela pobre viúva. O
profeta de Deus disse: “Então, veio ela e o fez saber ao homem de Deus; e disse
ele: Vai, vende o azeite e paga a tua dívida; e tu e teus filhos vivei do
resto” (2 Rs 4.7). O gravíssimo problema só teve solução mediante a intervenção
do poder de Deus na ordem social e econômica daquela família.
O fenômeno em que o sol se deteve por quase um dia inteiro,
para que Josué pudesse vencer os amorreus, é um exemplo típico de um milagre ou
de maravilha operada por Deus envolvendo seus servos. Pelas leis da mecânica
celeste, o sol se põe, no final da tarde, ou “se põe”, como se diz na linguagem
figurada. Mas, se a noite caísse, Israel não teria condições de vencer os
poderosos exércitos inimigos. Tal situação exigia uma ação de emergência. E
Josué, o líder da tomada da terra prometida, pôs sua fé em ação, e confiou em
Deus, ao determinar que o Sol se detivesse em Gibeão, e a lua se detivesse, no
vale de Aijalom.
Diz a Bíblia que, contrariando todas as leis da mecânica
celeste, houve um fenômeno jamais visto: “E o sol se deteve, e a lua parou, até
que o povo se vingou de seus inimigos. Isso náo está escrito no Livro do Reto?
O sol, pois, se deteve no meio do céu e não se apressou a pôr-se, quase um dia
inteiro. E náo houve dia semelhante a este, nem antes nem depois dele, ouvindo
o Senhor, assim, a voz de um homem; porque o Senhor pelejava por Israel” (Js
10.13,14). Esse fato tem causado críticas na mente dos incrédulos, pois
imaginam que tal relato não passa de uma lenda judaica. Tal visão é
compreensível, pois os críticos usam o pensamento racional, lógico, natural.
Enquanto o milagre é sobrenatural, fora da lógica e da humana. Deus não está
sujeito às leis da natureza. Quando Ele quer, suspende seus efeitos e cumpre os
seus propósitos para o seu povo, ou para um servo seu.
Quem mais operou milagres foi Jesus. Após ministrar sua
palavra, Jesus entrou no barco com seus discípulos, acompanhado de outros
barquinhos. Inesperadamente, levantou-se, no mar, um grande temporal de vento,
provocando ondas que cobriam o barco. Talvez pelo cansaço da jornada, Jesus
estava repousando na popa da embarcação, enquanto seus discípulos enfrentavam a
tormenta. “E ele estava na popa dormindo sobre uma almofada; e despertaram-no,
dizendo-lhe: Mestre, não te importa que pereçamos? E ele, despertando,
repreendeu o vento e disse ao mar: Cala-te, aquieta-te. E o vento se aquietou,
e houve grande bonança” (Mc 8.38,39). Nenhum homem, até hoje, teve o poder de
falar ao vento e ao mar, na tempestade, e os elementos da natureza ouvirem a
sua voz. Mas Jesus mostrou, mais de uma vez, que tem poder sobre a natureza,
que Ele mesmo criou (Jo 1.3).
O mais terrível inimigo do homem, em sua condição humana, é
a morte (1 Co 15.26). E decreto divino, por causa do pecado (Gn
2.17). O homem nasce, desenvolve-se e morre. É o curso
natural da existência biológica. Uns morrem mais cedo; outros, mais tarde. Mas
Jesus, o criador, doador e Senhor da vida, pode, quando Ele quer, interromper
esse curso da natureza humana. Em seu ministério, Jesus demonstrou seu poder sobre
a morte física. Ele ressuscitou o filho único de uma viúva, de Naim, quando o
féretro já estava a caminho do cemitério (Lc 7.11-16).
Jesus ressuscitou a filha de Jairo, que falecera fazia pouco
tempo (Mc 5.22-24). Alguém poderia alegar, em sua mente racionalista, que a
menina experimentara apenas um estado cataléptico, ou sono profundo e
passageiro. Mas para que não pairassem dúvidas sobre o poder sobrenatural de
Cristo sobre a morte, Ele se deixou demorar onde se encontrava, ao receber a
notícia de que Lázaro, seu amigo, de Betânia, estava muito enfermo. Em seguida,
ele cientifica aos discípulos de que Lázaro houvera morrido. Ao chegar em
Betânia, já fazia quatro dias do seu falecimento. Não havia a mínima condição
para reverter aquela situação, pois o corpo do defunto já estava sofrendo os
efeitos da decomposição. Mas para Jesus, nada é impossível (Lc 1.37).
Após consolar a família, Jesus se dirigiu ao túmulo, mandou
que fizessem o que as pessoas poderiam fazer naturalmente, tirando a pedra que
fechava a entrada da sepultura (Jo 11.43-45). Completando a demonstração real
de que a morte não vence o autor da vida, Jesus ressuscitou, após três dias na
sepultura, cumprindo o que Ele predissera para seus discípulos (Lc 24.1-8).
Se é a vontade de Deus, e motivo para glorificação ao seu
nome, ele pode conceder autoridade a qualquer de seus servos para operar
milagres extraordinários. No entanto, quando o pregador, por permissão de Deus,
opera milagres para sua promoção pessoal, de seu ministério ou da igreja a que
pertence, resta a dúvida se aquele milagre foi de Deus ou de outra origem. Pior
ainda, quando o operador de milagres o faz, visando obter ganhos financeiros e
enriquecimento pessoal. Isso não glorifica a Deus. É procedimento lastimável,
suscetível do juízo de Deus no momento próprio.
Conclusão
Nestes tempos trabalhosos a que se refere Paulo (2 Tm 3.1),
a igreja cristã está sendo submetida aos piores ataques de sua história. Nos
seus primórdios, houve ataques dos impérios humanos, e ela resistiu, e venceu;
venceu os ataques das heresias, do gnosticismo, do arianismo e de outras falsas
doutrinas. No século passado, enfrentou o ataque dos sistemas ditatoriais, como
o nazismo e o comunismo. Nos dias presentes, persistem os ataques dos falsos
ensinos, que só podem ser derrotados com a verdade da Palavra de Deus. Nos
últimos anos, estão se fortalecendo os ataques do materialismo, através dos
poderes das nações, dos governos, políticos e magistrados, que aprovam leis
infames contra a Palavra de Deus e a Igreja de Cristo. São as “portas do
inferno”, em suas últimas investidas contra o evangelho. Elas não prevalecerão,
como Cristo afirmou. Mas a igreja precisa demonstrar, de modo incisivo, que
dispõe de recursos sobrenaturais para cumprir sua missão na terra. Os dons de
poder fazem parte do arsenal espiritual que garante a vitória da Igreja contra
as hostes do mal.