Nosso sistema judicial
existe para vingar o que foi maltratado, a parte que sofre danos. Os
processos resultam do fato de
as pessoas tentarem quitar suas dívidas. Quando uma pessoa foi magoada por outra, a
justiça humana diz: "Ela
será mandada a julgamento e pagará se for considerada culpada". O servo que não perdoou queria que seu conservo pagasse
por aquilo que devia, dessa forma buscou sua compensação no tribunal. Este não é o
caminho da justiça divina.
quando nos recusamos
a perdoar. Desejamos, buscamos, planejamos e executamos a vingança. Não perdoamos, até que a dívida seja totalmente saldada,
e só nós podemos determinar a compensação aceitável. Quando buscamos corrigir o mal feito a nós, colocamo-nos
na posição de juiz. Mas sabemos que:
Você poderá dizer: "Mas o mal foi feito a mim, e não a Jesus!” Sim, mas você não percebe o mal
que lhe fez. Ele era uma vítima
inocente e carregou a culpa enquanto todos os
homens pecaram e estavam
condenados à morte. Cada um de
nós quebrou as leis de Deus, que transcendem as leis dos homens. Todos nós deveríamos ser condenados à morte pela última instância do universo se a justiça prevalecesse.
Você pode não ter feito
nada para provocar
o mal que lhe foi causado, através
das mãos de alguém. Mas se contrastar o que foi feito a você com o que lhe foi perdoado, não há comparação. Se você acha que foi passado para trás, perdeu
a noção da misericórdia que lhe foi estendida..
De acordo com a aliança do Antigo Testamento, se
você me infringisse algum mal eu teria direitos legais de pagar na
mesma moeda. Havia permissão de cobrar uma dívida, pagando
o mal com mal (veja
Lv 24:19; Êx
21:23-25). A lei era tudo.
Jesus não havia
ainda morrido para
os libertar. Veja como Ele se dirige
aos crentes da nova aliança:
Quando buscamos corrigir
o mal que nos foi feito, colocamo-nos na posição de sentir rancor.
O servo que não perdoou em Mateus 18
fez isto quando pôs seu conservo na prisão.
Em troca, o servo que não perdoou foi entregue aos verdugos, e sua família foi vendida até que pagasse toda a dívida.
Devemos dar espaço ao justo Juiz. Ele recompensa retamente. Só Ele julga com justiça.
Eu estava pregando
sobre ofensa numa igreja em Tampa,
Flórida. Após o culto, uma senhora me abordou. Ela disse que havia perdoado seu ex-marido de todo o mal que ele
lhe tinha causado. Mas, conforme ela me ouvia falando sobre liberar as ofensas, percebeu que ainda não tinha paz interior
e que estava incomodada.
"Você ainda não o perdoou", eu lhe disse
gentilmente. "Sim, perdoei”,
disse ela. "Chorei lágrimas de perdão", "Você pode ter chorado, mas ainda não o
liberou", eu lhe disse. Ela insistiu em que eu estava errado
e que havia perdoado. "Eu
não quero nada dele. Já o
liberei". “Conte-me o que ele lhe fez", pedi.
"Meu marido e eu pastoreávamos uma igreja. Ele me deixou e a meus filhos,
indo embora com uma mulher importante
da igreja." Lágrimas brotaram de seus olhos. "Ele disse que não havia obedecido
a Deus quando se casou comigo
porque a perfeita vontade de Deus era que se casasse com aquela mulher com quem estava. Disse que ela
era muito mais importante para
seu ministério porque lhe dava muito mais apoio, que eu era impedimento muito crítica. Colocou
toda a culpa do rompimento sobre mim. Nunca voltou e admitiu que tinha culpa também”.
Esse homem estava
obviamente enganado e tinha causado um grande mal à esposa e a sua
família. Ela havia sofrido muito com
sua atitude e estava esperando que ele saldasse
a dívida. A dívida não era pensão para os filhos ou coisa parecida, porque seu novo marido estava sustentando todos. A dívida que queria que pagasse era
admitir que ele estava errado e ela certa.
“Você não o perdoará até que ele venha e
diga que estava errado, que foi tudo culpa dele, não sua, e então peça seu perdão. Este é o pagamento que não
foi feito e que a mantém cativa”, lhe expliquei.
Se Jesus tivesse
esperado por nós para pedirmos
desculpas, dizendo “Nós estávamos errados, o Senhor estava certo. Perdoe-nos” - Ele não nos teria perdoado na cruz. Quando foi colocado nela, gritou: “Pai,
perdoa-lhes, porque não sabem o que
fazem” (Lc 23:34). Nos perdoou antes que nos
achegássemos a Ele confessando nossas ofensas. Somos exortados com as palavras do Apóstolo Paulo: “Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai
vós”. E, “antes, sede uns para com os outros
benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também
Deus em Cristo vos perdoou”
(Ef 4:32)
Quando eu disse àquela senhora
“Você não o
perdoará até que ele diga 'Eu estava errado e você certa'”,
lágrimas
correram-lhe pelo rosto. O que ela queria parecia
mínimo em comparação com toda a dor
que ele lhe havia trazido e a sua família. Mas ela estava cativa da justiça humana.
Ela se colocou como juiz,
exigindo seus direitos
à divida e esperando pelo pagamento. Essa ofensa impediu
seu relacionamento com seu
atual marido. Afetou também todos os seus relacionamentos com a autoridade masculina, porque seu ex-marido havia sido seu pastor também.
Geralmente, Jesus compara
a condição do nosso coração com o solo. Somos advertidos a nos
arraigarmos e edificarmos no amor de
Deus. A semente da Palavra de Deus forma
raízes em nosso coração e cresce para produzir frutos de justiça. Esse fruto é amor, alegria,
paz, longanimidade, mansidão,
benignidade, bondade, fidelidade e domínio próprio
(veja Gl 5:22,23).
O solo só produz o que é plantado. Se plantamos sementes de dívida, falta de perdão e
ofensa, uma outra raiz surgirá no lugar do amor de Deus. É chamada raiz de amargura.
Francis Frangipane deu uma excelente
definição de amargura:
“Amargura é a vingança não executada”. Ela é produzida quando a vingança não é satisfeita
no grau que desejamos.
O escritor do livro de
Hebreus fala diretamente
sobre esse assunto:
Note a expressão “muitos sejam
contaminados”. Será que “muitos” são aqueles a quem Jesus se referiu
que seriam escandalizados nos últimos dias? (veja Mt.24:10)
Amargura é uma raiz. Se as raízes forem aguadas,
protegidas, adubadas e receberem atenção,
crescerão em profundidade e força. Se não forem
arrancadas logo, torna-se difícil puxá-las.
A força da ofensa continuará
a crescer. Somos, desse modo, exortados a não deixar o sol se pôr sobre a nossa ira (veja Ef 4:26). Em vez de o
fruto de justiça ser produzido, veremos
uma colheita de ódio, ressentimento, ciúme, raiva, contenda e discórdia. Jesus os chama de frutos maus (veja Mt.7:19,
20)
A Bíblia diz que uma pessoa que não busca
a paz através da liberação
das ofensas será eventualmente contaminada. Aquilo que é precioso acaba
sendo corrompido pela mesquinhez da falta de perdão.
Após a morte de Saul,
Davi ascendeu ao trono. Fortaleceu a nação, obteve sucesso militar
e financeiro e guardava o trono com segurança. Casou-se
com muitas mulheres
que lhe deram filhos, incluindo
Amnon seu filho mais velho, e Absalão,
seu terceiro filho.
O filho de Davi, Amnon, cometeu uma terrível ofensa
contra sua meio irmã, Tamar,
que era irmã de Absalão.
Ele
fingiu estar doente e pediu ao pai que mandasse
Tamar lhe servir comida.
Quando ela foi, ordenou que seus servos saíssem e a estuprou.
Depois, começou a desprezá-la e ordenou
que a tirassem fora de sua vista. Ele desgraçou
a vida de uma princesa real
virgem, entregando-a à vergonha (veja 2ºSm 13).
Sem dizer palavra
alguma a seu
meio irmão, Absalão levou sua irmã para sua própria
casa e providenciou tudo de que ela precisasse. Mas ele odiava Amnon por
corromper Tamar.
Absalão esperava que seu pai punisse seu meio-irmão. O rei Davi se sentiu ultrajado com a
maldade de Amnon, mas não tomou
providência. Absalão ficou arrasado com a falta de justiça de seu pai.
Tamar se vestia com mantos reais, reservados para as filhas virgens do rei; agora,
cobria-se de vergonha.
Ela era uma linda jovem, e muito provavelmente era estimada pelo povo. Agora, vivia em reclusão, sem
poder casar-se, porque não era mais virgem.
Não era justo. Ela serviu a Amnon por ordem do rei e foi estuprada. Sua vida se acabara, enquanto
o homem que cometera essa atrocidade vivia como se não houvesse
feito coisa alguma.
Carregava toda essa carga sozinha,
com a vida destruída.
Dia após dia, Absalão via sua irmã sofrendo. A existência
perfeita de uma princesa se transformara em um
pesadelo. Absalão esperou um ano para que seu pai fizesse algo, mas Davi nada fazia. Absalão se
sentiu ofendido com seu pai e odiava cada vez mais o terrível Amnon.
Após dois anos de ódio contra Amnon, planejou
matá-lo. "Vou vingar minha irmã, já que a autoridade
decidiu nada fazer", provavelmente, Absalão pensou.
Absalão preparou um banquete para
todos os filhos
do rei. Quando
Amnon
não
suspeitava
de nada,
providenciou sua morte e fugiu para Gesur. Sua vingança
contra Amnon
se cumprira. Mas a ofensa que tinha contra seu
pai ficou mais forte, principalmente quando estava fora do palácio.
Os pensamentos de Absalão se contaminaram com amargura. Ele se tornou um perito em detectar
os pontos fracos
de Davi. Mesmo
assim, esperava que seu pai o chamasse. Davi não o fez. Isso alimentou, ainda mais, o ressentimento de Absalão.
Talvez seus pensamentos tivessem sido: "Meu
pai é adorado pelo povo, mas estão cegos em relação sua natureza verdadeira. Ele é apenas um homem egoísta
que usa Deus como fachada.
Bem, ele é pior que o rei Saul! Saul perdeu seu trono por não matar o rei dos amalequitas e
poupar umas ovelhas
e bois. Meu pai cometeu
adultério com a mulher de um dos seus homens
mais leais. Ele é um assassino
e adúltero - por isso é que não puniu Amnon! E ele encobre tudo isso com uma falsa adoração
a Jeová”.
Absalão ficou em Gesur durante
três anos. Davi se conformara com a morte de seu filho Amnon,
e Joab o havia convencido de trazer
Absalão para casa. Mas Davi ainda se recusava
a encontrar Absalão face a face. Dois anos mais se passaram e Davi, finalmente, teve Absalão de volta e lhe deu outra vez todos os privilégios. Mas a
ofensa no coração de Absalão continuou
ainda muito forte.
Absalão era belo em aparência. Antes de matar Amnon, "porém Absalão não falou com Amnon
nem mal nem bem; porque odiava a
Amnon" (2 Sm 13:22). Muitas pessoas são
capazes de esconder
suas ofensas e seu ódio, assim como Absalão o fez.
Por causa dessa atitude crítica,
começou a atrair
todos os que estavam descontentes. Ele se fez disponível a toda Israel, ouvindo todas as suas
reclamações. Lamentava-se e achava que as coisas seriam bem diferentes se fosse rei. Julgava
seus casos, uma vez que parecia que o rei não tinha tempo para eles. Talvez Absalão assim o fizesse porque sentia que a justiça não havia sido feita em
relação a seu próprio caso,
Ele parecia preocupado com o povo. A Bíblia diz que Absalão conquistou o coração do povo de
Israel. Mas será que
estava genuinamente preocupado com o povo ou estava buscando um modo de destruir
Davi, aquele que o ofendera?
Absalão conquistou Israel
para
si
e
voltou-se
contra Davi. O rei teve de fugir de Jerusalém para salvar sua vida. Parecia
que Absalão estabeleceria seu próprio reino. Em vez disso, foi morto quando o perseguia, embora Davi houvesse
ordenado que não tocassem em Absalão.
Absalão, na realidade, foi morto por sua própria
amargura e ofensa. Um homem com tanto potencial, herdeiro do trono, morreu em seu apogeu porque se recusou a liberar
a dívida que achava que seu pai devia. Ele terminou contaminado.
Os assistentes de lideres de igrejas ficam,
freqüentemente ofendidos com as pessoas a quem servem. Logo ficam bastante críticos - peritos em
achar todos os tipos de erros que seus lideres, ou outras pessoas
a quem eles nomeiam, cometem.
Ficam ofendidos. Têm a visão distorcida. Enxergam
numa perspectiva totalmente diferente de Deus.
Acreditam que sua missão na vida é libertar aqueles à sua volta de um líder injusto.
Conquistam o coração
dos descontentes, desapontados e ignorantes e, antes que percebam,
dividem a igreja ou o ministério. Exatamente como Absalão.
Algumas vezes, suas observações estão corretas. Talvez Davi devesse
ter feito alguma coisa em
relação a Amnon. Talvez um líder tenha áreas de erros. Quem é o juiz: você ou o Senhor? Lembre-se de que se você semear
contenda colherá contenda.
O que aconteceu com Absalão
e o que acontece com ministérios
é um processo que leva tempo. Freqüentemente,
não percebemos que uma ofensa entrou em nosso coração. A raiz de amargura
ó raramente notada enquanto se desenvolve.
Mas, como é nutrida, vai crescer e se fortalecer. Como o autor de Hebreus nos exorta, devemos atentar para que não "haja alguma raiz de amargura
que, brotando, vos perturbe, e, por
meio dela, muitos sejam contaminados" (Hb
12:15). Devemos examinar nosso coração e nos abrirmos à correção do Senhor, pois apenas sua Palavra pode discernir os pensamentos e as intenções do coração.
O Espírito Santo nos convence quando
fala através de nossa consciência. Não devemos
ignorar seu convencimento ou sufocá-lo. Se alguém fez isso, arrependa-se diante de Deus e abra o coração para sua correção.
Certa vez, um pastor me perguntou se havia agido como Absalão em uma certa situação. Ele
trabalhava como pastor auxiliar em
uma cidade e o pastor titular o despediu. Tudo
indicava que o pastor titular
tinha ciúme e medo desse homem mais jovem, porque a mão de Deus estava sobre ele.
Um ano mais tarde, esse pastor que foi despedido
acreditou em que o Senhor queria que começasse uma nova igreja no outro lado da cidade. Ele
prosseguiu, e algumas das pessoas de
sua igreja anterior foram juntar-se a ele. Estava incomodado porque não queria agir como Absalão,
mas aparentemente não estava ofendido
com o seu ex-pastor. Ele iniciou a
nova igreja com a direção do Senhor e não como
reação à falta de cuidado da outra igreja.
Eu lhe mostrei a diferença entre Absalão e Davi. Absalão conquistou o coração do povo de Israel porque se sentia ofendido pelo seu líder. Davi encorajou
os outros a permanecerem fiéis a Saul, muito embora Saul o estivesse atacando.
Absalão levou os homens
com ele; Davi foi
embora só.
"Você foi embora de sua igreja só?", perguntei-lhe. "Você fez alguma coisa para incentivar as pessoas a saírem com você, ou a apoiá-lo?"
"Eu saí só e não fiz nada para atrair
as pessoas a mim",
ele disse. "Muito bem. Você agiu como Davi. Certifique- se se as pessoas que o procuraram não
estão ofendidas com seu ex-pastor, e,
se estiverem, leve-as à libertação e à cura", conclui.
A igreja desse
homem está prosperando. O mais importante é que ele não estava com medo
de examinar seu próprio coração. Não
só isso, mas submeteu-se ao conselho divino.
Era mais importante para ele submeter-se à vontade de Deus do que provar que estava "certo".
Não tenha medo de permitir que o Espírito Santo revele qualquer falta de perdão ou amargura.
Quanto mais tempo você esconder
esses sentimentos, mais fortes eles se tornarão, e seu coração ficará cada vez
mais duro. Tenha um coração maleável.
Como?
