Jesus e seus discípulos tinham acabado de retornar de Cafarnaum. Haviam completado um circuito ministerial e voltaram para um curto e necessário descanso. Se havia algum
lugar que pudesse ser considerado a
base para seu ministério, Cafarnaum
era esse lugar. Enquanto estava lá, Simão Pedro foi abordado pelos oficiais responsáveis por coletar as taxas
do templo: "Não paga o vosso Mestre as duas dracmas?" (Mt 17:24)
Pedro respondeu que sim e voltou a conversar com Jesus.
Jesus se antecipou
à pergunta do
coletor de impostos e
perguntou a Simão Pedro: “'Simão, que te parece? De quem cobram os reis da
terra impostos ou tributos:
dos seus filhos ou
dos
estranhos?'
Respondendo
Pedro:
'Dos
estranhos', Jesus lhe disse:
`Logo, estão isentos
os filhos`” (Mt 17:24)
Jesus argumenta com Pedro que "os filhos
estão isentos". Eles não são responsáveis pelas taxas. Aproveitam os benefícios delas, mas vivem no palácio,
que é sustentado pelas taxas. Os
filhos comem à mesa do rei e vestem roupas reais, tudo mantido pelas taxas. Eles estão isentos
e são sustentados.
Esse oficial recebeu
a taxa do templo. Mas quem era o rei ou o dono do templo? Em honra de quem ele foi construído? A resposta: Deus, o Pai. Pedro
havia acabado de receber a revelação
de Deus , que Jesus era "o Cristo, o Filho do Deus vivo".
Baseando-se nisso, Pedro
perguntou: "Se sou filho daquele a quem pertence o templo, então
não estou isento de pagar a
taxa?" Certamente ele seria isento. Seria totalmente justificado em não pagar
a taxa. Mesmo
assim, Jesus responde
a Simão Pedro:
Jesus é Senhor da Terra.
Ele é o Filho de Deus. A Terra e o que nela há foram criados por Ele e
estão sujeitos a Ele. Assim, sabia
que o dinheiro estaria na boca do peixe. Não teria
de trabalhar por aquele dinheiro porque era o Filho. E mesmo assim, decidiu
pagar para não escandalizar.
Este é o mesmo Jesus que vimos no capítulo anterior escandalizando as pessoas sem pedir
desculpas? Ele provou que estava
isento da taxa do templo, mas disse: "Para que não os escandalizemos, vá e pague!”
Parece haver alguma
inconsistência. Será? Nossa resposta encontra-se no próximo versículo:
Somos exortados no Novo Testamento de que, como filhos,
devemos imitar nosso irmão, ter
as mesmas atitudes que vemos em Jesus.
Porque vós, irmãos,
fostes chamados à liberdade; porém não useis da liberdade
para dar ocasião
à carne; sede, antes, servos uns dos
outros, pelo amor (Gl 5:13).
- o escravo faz o mínimo
requerido - O servo alcança o
potencial máximo.
- o escravo anda uma milha - O servo anda uma milha extra.
- o escravo se sente roubado
- O servo dá.
- o escravo é cativo - O servo é livre.
- o escravo luta por seus direitos - O servo abre mão
dos seu direitos.
O mais alarmante é que esta lei é feita a partir do Novo Testamento. Eles não possuem
o"espírito" dos mandamentos que Jesus deu. Não perceberam que foram liberados
para servir. Dessa forma, continuam
a lutar por seus próprios
interesses, e não pelos interesses dos outros.
Paulo nos dá um exemplo vívido de confronto com essa atitude nas cartas aos Romanos e
Coríntios. A liberdade para esses crentes
foi desafiada pela comida. Paulo
começa exortando-os:
"Acolhei ao que é débil na fé, não, porém, para discutir opiniões. Um crê que de tudo
pode comer, mas o débil come legumes" (Rm 14:1, 2).
Jesus esclareceu que o que corrompe não é o que entra pela boca, mas o que sai da boca. Quando Ele faz essa afirmação, todos os alimentos
se tornam limpos para os crentes (Mc 7:18, 19).
Paulo diz que havia alguns
crentes que eram fracos na fé
e ainda não comiam carne com medo de estarem comendo alimentos sacrificados aos ídolos. Embora
Jesus tivesse abordado o assunto, essas pessoas não
comiam carne com a consciência limpa.
Os mais fracos não podiam abalar a imagem da carne no altar de um ídolo. Os crentes mais fortes sabiam
que um ídolo não era nada, e não tinham problema de consciência quando comiam.
Mas parecia que eles estavam
mais preocupados em exercer
seus direitos como crentes neotestamentários do que com o escândalo que poderiam causar aos seus irmãos. Sem perceber, colocaram uma pedra de tropeço
no caminho dos irmãos mais fracos. Essa atitude não está presente
no coração do servo. Veja como Paulo se dirige a eles:
Eles não tinham o coração
de Jesus nesse
assunto. Jesus provou seus direitos
relativos às taxas do templo a Pedro e ao restante dos discípulos para exemplificar a importância
de se abrir mão da vida para servir. Ele nunca
quis que a liberdade fosse uma licença para requerer nossos direitos
e fazer com que o outro seja escandalizado e tropece.
Paulo deu esse alerta àqueles que tinham conhecimento de direitos em Cristo sem ter seu coração para servir.
Após Jesus ter estabelecido sua liberdade em relação à taxa templo, foi cuidadoso em cobrar dos
seus discípulos a importância humildade.
Você deve estar se perguntando por que Jesus ofendeu tantos,
conforme vimos no capítulo anterior
deste livro. A resposta é simples: Jesus ofendeu algumas
pessoas como
resultado da obediência ao Pai e no servir aos outros.
Suas ofensas não vieram da imposição de seus direitos.
Os fariseus ficaram escandalizados quando Ele curou no sábado.
Seus discípulos ficaram
escandalizados com a verdade que seu Pai lhe mandou pregar. Maria e Marta ficaram
ofendidas quando Ele se demorou para ir até onde Lázaro estava. Mas você não verá Jesus
ofendendo e escandalizando outros quando o serviam.
Paulo, em sua carta aos Coríntios, deu
este alerta: "Vede, porém, que esta vossa
liberdade não venha, de algum modo, a ser tropeço para os fracos” (1 Co 8:9).
Nossa liberdade nos foi concedida para que servíssemos e renunciássemos a nossa vida.
Fomos chamados para construir,
e não para destruir. Nem a liberdade nos foi dada para que colhêssemos para nós mesmos. Temos agido desse modo, por isso muitos se escandalizam com
nosso estilo de vida cristã.
Novamente, ouça o alerta que nos é dado em 1 Coríntios 8:9: “Vede, porém, que vossa liberdade não venha, de algum modo, a ser tropeço para os fracos".
Eis um exemplo de como tenho visto esse mandamento ser quebrado. Na minha segunda viagem à Indonésia, pude levar Lisa e meus filhos,
acompanhados de uma babá. Chegamos
em Denpasar, Báli, uma ilha turística.
Um membro do conselho da igreja que estávamos visitando era dono de um hotel modesto,
numa parte muito barulhenta da cidade. Havíamos
viajado uma grande
distância e ainda não tínhamos
conseguido dormir. Estávamos
exaustos. Naquela noite, fomos acordados
por barulhos muito altos e
cães latindo. Só passamos uma noite naquele hotel e não conseguimos dormir.
No dia seguinte, seguimos para Java e trabalhamos nas duas semanas seguintes, numa rotina
estafante. Tivemos só um dia livre naquelas
duas semanas e aproveitamos para
viajar. Num período
vinte e quatro horas, pregávamos cinco vezes numa igreja de trinta mil membros.
Ao final da viagem, teríamos de voltar por Báli. O pastor nos informou que ficaríamos no mesmo hotel
do membro do conselho. Não estávamos
muito animados em ficar naquelas mesmas condições novamente, após duas semanas sem parar.
No café da manhã do dia em que partiríamos, uma querida senhora
nos ofereceu para pagar nossa estada num luxuoso hotel
em Bali. Fiquei
muito animado, porque
poderíamos descansar e ficar num lindo lugar.
Quando saímos do restaurante para arrumar as malas, Lisa me disse que não se sentiu bem em aceitar a oferta daquela
senhora. intérprete e eu discutimos o assunto e chegamos
à conclusão de que não havia problema em aceitar. Novamente, no avião de Java a Báli, ela disse que não achava que estávamos fazendo a coisa certa.
Fui tolo em não ouvi-la. Disse-lhe que não haveria custo para igreja e que tudo ficaria bem. Quando
chegamos a Báli, ela implorou
mais uma vez e eu a ignorei.
Quando encontramos o pastor,
eu lhe disse que não precisaríamos ficar
no hotel do membro do conselho por causa da oferta de uma senhora. Ele pareceu incomodado com o que eu disse, então lhe perguntei
o que estava errado.
Felizmente, ele foi sincero para comigo e disse: "John, isso ofenderá o senhor e sua família. Eles
já reservaram o quarto para vocês e o hotel está lotado".
Eu, aparentemente, havia ofendido o pastor porque não gostei do que havia arrumado para nós.
Finalmente, eu lhe disse que
ficaríamos no hotel do senhor e não aceitaríamos a oferta da senhora.
O Senhor teve de lidar com minha atitude. Sabia que o pastor estava magoado.
Percebi que exigir meus direitos havia ofendido
o irmão e que isso era pecado.
Eu lhe perdi
perdão. Ele me perdoou.
Espero não ter de aprender essa lição outra vez.
O apóstolo Paulo, na carta aos Romanos,
resumiu o coração de Deus sobre isso:
