Logo depois que começamos a nos interessar pela atuação do
Espírito Santo em ajudar um rapaz a livrar-se do vício de narcóticos, recebemos
a visita de um padre jesuíta. Ele também queria saber mais sobre o batismo.
Ouviu nossos jovens pregando num culto ao ar livre e ficou tão impressionado,
que quis saber qual era o segredo.
Passamos uma tarde com o Padre Gary, no Centro, discutindo com
ele o profundo significado do batismo. A primeira coisa que fizemos foi
mostrar-lhe referências a essa experiência na Bíblia católica.
"O batismo do Espírito Santo não é uma experiência
denominacional", disse eu. "Temos membros das igrejas episcopais,
luteranas, batistas e metodistas trabalhando conosco, e todos eles foram cheios
do Espírito Santo."
Esse batismo, em sua essência, dissemos ao Padre Gary, é uma
experiência religiosa que dá poder. "Recebereis poder, ao descer sobre vós
o Espírito Santo", disse Jesus ao apresentar-se aos discípulos, depois da
sua morte.
No meu escritório, o Padre Gary e eu estudamos a Bíblia.
A primeira referência a essa experiência especial vem logo no
começo da história do evangelho. Os judeus queriam saber se João Batista era o
Messias. Mas João respondeu: "Após mim vem aquele que é mais poderoso do
que eu, do qual não sou digno de, curvando-me, desatar-lhe as correias das
sandálias". Depois continuou, fazendo esta importante profecia: "Eu
vos tenho batizado com água; ele, porém, vos batizará com o Espírito
Santo" (Mc 1.7,8).
Desde o começo do cristianismo, portanto, esse batismo do
Espírito Santo tem tido um significado especial, porque marca a diferença entre
o trabalho de um homem, embora fosse audacioso e bem-sucedido, e a missão de
Cristo — Jesus batizaria seus seguidores com o Espírito Santo. Em suas últimas
horas na Terra, Jesus passou muito tempo falando com seus discípulos sobre o
Espírito Santo que viria depois da sua morte, e estaria ao lado deles, para
confortá-los, guiá-los e dar-lhes aquele poder que permitiria levarem a missão
de Cristo à frente.
Depois de sua crucificação, também, ele apareceu-lhes e disse
que não deixassem Jerusalém: "Determinou-lhes que não se ausentassem de
Jerusalém, mas que esperassem a promessa do Pai, a qual, disse ele, de mim
ouvistes. Porque João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados
com o Espírito Santo, não muito depois destes dias." (At 1.4-8)
Passamos então para o segundo capítulo de Atos, e eu disse ao
padre Gary:
"Foi logo depois disso que os discípulos se reuniram em Jerusalém
para a comemoração do Pentecostes. Ao cumprir-se o dia de Pentecostes, estavam
todos reunidos no mesmo lugar; de repente, veio do céu um som, como de um vento
impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam assentados. E apareceram,
distribuídas entre eles, línguas, como de fogo, e pousou uma sobre cada um
deles. Todos ficaram cheios do Espírito Santo e passaram a falar em outras línguas,
segundo o Espírito lhes concedia que falassem." (At 2.1-4.)
"Essa experiência durante o Pentecostes deu a nós, pentecostais,
o nosso nome. Damos muita importância ao batismo no Espírito Santo, como foi
predito por João, prometido pelo Pai e experimentado durante o Pentecostes.
Tenho a certeza de que você já notou a grande mudança que se
efetuou nos apóstolos depois dessa experiência. Antes, haviam sido homens
tímidos e sem poder. Depois, receberam realmente o poder sobre o qual Cristo
falara. Curaram doentes, expeliram demônios, ressuscitaram mortos. Os mesmos
homens que fugiram e se esconderam durante a crucificação, saíram, depois dessa
experiência, para enfrentar o mundo hostil com sua mensagem."
Depois, falei ao Padre Gary acerca do grande avivamento que
varreu os Estados Unidos, Canadá, Inglaterra e América do Sul, no começo do
século XX. Como centro desse avivamento estava a mensagem de que o poder dado à
igreja durante o Pentecostes, em grande parte, se havia tornado impotente, mas
poderia voltar a atuar, mediante o batismo do Espírito Santo.
"O livro de Atos nos conta de cinco ocasiões em que
diversas pessoas receberam essa experiência, e os pentecostais notaram que em
quatro desses cinco casos, as pessoas batizadas, pelo Espírito Santo começaram
a "falar em línguas"."
O Padre Gary quis saber o que era falar em línguas.
"É como falar em outra língua. Uma língua que a gente
não entende."
Apontei então, um a um, os casos na Bíblia em que essa
experiência vinha em seguida ao batismo do Espírito Santo.
— Os discípulos falaram em outras línguas no Pentecostes;
Saulo ficou dominado pelo Espírito Santo, depois de sua conversão na estrada de
Damasco, e conseqüentemente falou em línguas, dizendo mais tarde: "Dou
graças a Deus, porque falo em outras línguas mais do que todos vós" (1 Co
14.18).
Os membros da família de Cornélio foram batizados, com o
Espírito Santo e começaram a falar em línguas; os novos cristãos em Éfeso foram
batizados da mesma forma, e também falaram em línguas. Mesmo na história do quinto
batismo em Samaria, Simão, o mágico, viu algo tão extraordinário acontecer que
quis obter esse poder para si, oferecendo dinheiro para que "Aquele sobre
quem eu impuser as mãos, receba o Espírito Santo" (At 8.19).
Não lhe parece lógico, então, que a experiência presenciada
pelo mágico seria o falar em línguas?
— Seria de se esperar, se foi isso que aconteceu em todos os
outros batismos. E você, quando teve essa experiência?
— É tradicional em nossa família, por três gerações.
Conversamos um pouco, então, sobre o meu avô, a quem eu tanto
admirava pela sua personalidade impetuosa. Ele ouviu essa mensagem pela
primeira vez, em 1925, mas combateu-a por algum tempo em toda a ocasião
possível.
— Certo dia, contei então ao padre, enquanto estava no
púlpito pregando contra os pentecostais, ele mesmo começou a tremer, que é uma
das coisas que freqüentemente acontecem quando as pessoas recebem esse poder. É
algo que se sente como um choque, com a diferença que não é uma sensação
desagradável. De qualquer maneira, ninguém ficou mais surpreso do que o meu avô
mesmo, quando isso aconteceu com ele. Naquela hora, ele recebeu o batismo e
começou a falar em línguas. Daquele dia em diante, ele pregou o Pentecostes
onde e sempre que podia, porque viu pessoalmente o poder que dessa experiência
advinha. Meu pai recebeu-o quando tinha vinte e cinco anos, e eu o recebi com
apenas treze; essas três gerações pregam essa mensagem hoje.
O Padre Gary quis saber como era essa experiência.
— Por que não pergunta aos rapazes? sugeri.
Nós o convidamos para almoçar conosco, e enquanto comíamos
frango e salada, o Padre Gary ouviu de vários jovens o que haviam sentido
quando foram batizados com o Espírito Santo.
A primeira foi uma menina de doze anos, chamada Neda. Nós a
achamos em Coney Island, andando como se estivesse perdida. Linda Meisner ficou
sabendo que sexo e álcool eram os motivos de sua revolta contra a família.
— Eu costumava beber muito, disse ela, também saía com
qualquer rapaz que me olhasse "daquela maneira". Odiava meus pais,
principalmente minha mãe. Linda me trouxe aqui para o Centro, e eu ficava lá na
capela ouvindo os outros jovens contarem como Jesus os tinha ajudado quando
eram tentados. Quando eu tinha algum problema, por exemplo, quando saía com
algum rapaz, eu me desesperava e ficava desanimada. Mas esses viciados em
drogas também tinham problemas, e piores do que os meus. Eles dizem:
"Ainda somos tentados, mas quando somos, corremos para a capela e
oramos".
— Chegando lá, se ajoelhavam e, finda a oração, levantavam-se
e a tentação havia desaparecido. Por isso eu comecei a querer a mesma coisa.
Fui à capela um dia, sozinha, para orar. Comecei contando a Deus todos os meus
problemas e pedi-lhe que tomasse conta da minha vida, como havia feito com
esses viciados. Como um relâmpago, Jesus tomou conta do meu coração. Alguma
coisa controlou a minha língua. Senti como se estivesse sentada à margem de um
rio que, de alguma forma, passava por dentro de mim e saía borbulhando da minha
boca numa linguagem musical. Foi depois disso que um dos obreiros me mostrou no
livro de Atos, o que significava tudo aquilo. Foi a coisa mais extraordinária
que já aconteceu na minha vida.
O Padre Gary ficou ali ouvindo, acenando com a cabeça e, às
vezes, dizendo "Sim, sim", em reconhecimento ao que ela estava
dizendo.
O rapaz seguinte, em especial, conseguiu essa reação do Padre
Gary.
— Em primeiro lugar, disse ele, eu sei que isso é real. Sabe
por quê? Porque depois, Jesus Cristo parecia sair da Bíblia Tornou-se uma
pessoa real e presente, que queria ficar ao meu lado em todos os meus
problemas.
— Sim, é maravilhoso! disse o Padre Gary.
Um rapaz chamado José contou:
— Ele me ajudou a largar as drogas: eu usava bolinhas e
fumava maconha, e já começava a tomar heroína no músculo Eu já tinha o vício
mental e precisava, mesmo, fazer isso. Quando ouvi falar de Jesus, fiquei até
chocado em saber que ele amava as pessoas, apesar dos seus pecados. Fiquei
emocionado quando soube que Jesus cumpre suas promessas, entrando em nós
através desse batismo do Espírito Santo; que é chamado também de o Consolador,
disseram-me. Quando eu pensava em consolo, imaginava logo um frasco de vinho e
algumas bolinhas. Mas esses rapazes falavam de um conforto do Céu que me faria
sentir-me limpo, depois.
— Assim, comecei a desejar isso, como Neda. Na capela, disse
ele, voltando a cabeça em direção à porta da capela, clamei a Deus pedindo
ajuda, e foi então que ele se manifestou. Ele tomou posse de meus lábios e da
minha língua, e inesperadamente, vi-me a falar uma nova linguagem. A
princípio, eu pensei que estivesse louco, mas, de repente, tive a certeza de
que não podia ser, porque algo mais estava acontecendo; eu não me sentia mais
solitário; percebi que não tinha mais necessidade de drogas; amava todo mundo;
pela primeira vez em minha vida, eu me sentia limpo.
E assim os jovens, um a um, contaram o que havia acontecido
na sua própria vida. Estavam tão animados que era preciso alguém obrigá-los a
falar um de cada vez.
Quando o Padre Gary saiu, uma hora mais tarde, ainda estava
dizendo: "Sim, sim!" Disse que desejava conversar sobre o assunto com
alguns dos seus amigos da Universidade Fordham.
Gostaria que ele tivesse ficado mais um pouco, porque naquela
mesma noite outro rapaz recebeu o batismo, e ele poderia ter visto por si
mesmo.
O nome desse rapaz era Roberto. Tinha dezesseis anos; havia
dois anos tomava heroína, e fumara maconha antes. Estivera na cadeia quatro
vezes, uma delas por esfaquear outro rapaz numa briga de rua. O esfaqueado não
morreu, mas Roberto carregava consigo um temor de que um dia mataria alguém.
Diferentemente de muitos dos rapazes que vinham ao Centro,
Roberto tinha pais que o amavam e tentavam ajudá-lo. Haviam procurado em todos
os lugares algo que consertasse Roberto, mas, a cada tentativa, sua caminhada
para baixo apenas se acelerava.
Naquela tarde, encontrei-me com Roberto na capela. Senti,
observando sua atitude irrequieta, que ele estava prestes a sair para uma
picada. Ele me disse:
— David, estou com um problema, enquanto nervosamente trançava
e destrançava os dedos.
Quando um viciado afirma que está com um problema, ele quer
dizer que precisa arranjar droga e aplicá-la depressa. Comecei a falar a
Roberto novamente sobre o batismo do Espírito Santo.
— Nicky irá falar sobre isso esta noite. Venha e deixe que o
Espírito domine você também.
— Não sei, David. Preciso tomar um pouco de ar. Não estou me
sentindo muito bem.
Tive de deixá-lo sair, e confesso francamente que não esperava
vê-lo de volta; mas quando cheguei à noite ele já estava na capela. Percebi,
pela sua atitude, que havia conseguido chegai até ali sem tomar a sua picada.
Sentei-me perto dele e observei-o atentamente, enquanto
alguns dos nossos ex-membros de quadrilhas e viciados levantavam-se, e em
linguagem simples contavam das coisas maravilhosas que haviam acontecido na
vida deles. Nicky então falou da necessidade que cada viciado tem de receber o
Espírito Santo, se quiser alcançar a vitória.
"Se vocês querem poder na vida... se estiverem no vício,
e realmente quiserem deixá-lo, então prestem bem atenção. O Espírito Santo é o
remédio para vocês. Depois de o receberem, receberão também dez presentes
especiais com os quais poderão contar. Vamos falar disso agora, e, se tiverem
lápis e papel, poderão anotar as referências bíblicas que mostram onde achei
esses dez dons.
"Primeiramente, você tem poder. Isso se acha escrito em
Atos 1.8. "Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo".
"Em segundo lugar, você terá um Consolador — João 14:26.
Um Consolador não é alguém que oferece conforto na vida, mas alguém que estará
ao seu lado, para dar-lhe força.
"Terceiro, você terá proteção. Leia em Atos 16.6, como o
Espírito Santo impediu que os apóstolos dessem um passo que teria sido trágico
para eles. Ele o guiará da mesma forma.
"Agora uma coisa importante: Você não será mais perseguido
pela mentalidade da carne, mas terá valores espirituais Leia Efésios 2.3-6.
"Você terá vida. Agora você está andando para a morte,
mas com o Espírito Santo, lemos em 2 Coríntios 3.5,6, você terá nova vida.
"Você estará vivendo com o Espírito da Verdade. A agulha
lhe apresenta uma promessa que nunca é cumprida. Você nunca consegue se
libertar numa sessão de picadas; fica ainda em pior situação. João 16.13 diz
que você terá a Verdade.
"O acesso ao Pai será seu. Leia Efésios 2.18.
"E os três finais: Você terá esperança. Quantos têm
esperança agora? Poucos, não é? Mas você terá esperança, diz Romanos 15.13.
"E o ponto culminante disso tudo se acha em 2 Coríntios
3.17. Vocês, vocês, rapazes, poderão ter liberdade!
"E como acontece isso? Através de uma experiência dramática,
repentina e dominante. Leiam sozinhos Atos 10.44."
Nicky então fez uma pausa. Abaixou bem o tom de voz:
"É isso que está à sua espera nessa nova vida. Mas esta
noite, penso que nós não queremos ler a respeito dessa experiência, nem
falar a respeito dela, mas experimentá-la! Se você quiser essa mudança e esse
poder na sua vida, juntamente com esperança e liberdade, levante-se e venha à
frente. Vou pôr a mão na sua cabeça como Paulo fazia, e vai acontecer com você
a mesma coisa que aconteceu com os cristãos daquela época. Você vai receber o
Espírito Santo!"
Roberto deu-me uma olhada e levantou-se depressa. Meu coração
levantou-se com ele.
— Desejo tudo o que Deus tem para mim, disse ele. Quero
resolver o meu problema de uma vez, e nunca mais voltar atrás.
Roberto correu para a frente da capela. Pegou as mãos de
Nicky, pondo-as na sua própria cabeça. Quase que imediatamente aconteceu a
esse rapaz a mesma coisa que havia acontecido ao meu avô; começou a tremer
como se correntes elétricas passassem por ele. Ajoelhou-se, e os outros
rapazes ao seu redor começaram a orar.
Foi tudo como se estivéssemos revivendo uma cena do livro dos
Atos. Em menos de dois minutos, uma nova língua estava saindo dos lábios de
Roberto. Jorrou como fonte borbulhante, numa terra seca. Naturalmente todos se
regozijavam. Todos os outros viciados se agruparam ao lado de Nicky e Roberto
dizendo:
— Ele vai vencer.
Nicky repetia vez após vez:
— Obrigado, Senhor. Obrigado por ajudar esses rapazes. Logo
outros começaram a falar junto com ele.
— Obrigado, Senhor. Obrigado por ajudar esses rapazes.
— Obrigado. Obrigado. Obrigado, Senhor.
