terça-feira, 8 de junho de 2021

A cruz e o punhal - capítulo 14


 Apesar de nosso programa de televisão ser bem aceito, de­pois de meio ano de experiência, comecei a sentir mais e mais que nos estava faltando o essencial contato pessoal.

Por isso, mesmo antes de terminar a segunda série de TV, comecei a sair pelas ruas, conversando com rapazes e moças, Tão logo o fiz, reconheci que havia tocado no ponto vital para o êxito do trabalho com o povo. Jesus não tinha televisão, nem literatura para ajudá-lo; o seu ministério era individual. Sempre existia o calor da personalidade. Logo que voltei à minha prática original de sair às ruas, percebi que esse era o método pelo qual eu também deveria continuar agindo.

Assim, toda manhã eu fechava a porta do escritório na Alameda Vitória, tomava a barca, depois o metrô, e logo que chegava ao Brooklyn começava simplesmente a falar com os rapazes que encontrava. Repetidas vezes, eles aceitavam a minha mensagem. Assistia novamente a mudança realizar-se ante os meus próprios olhos, como acontecera na Arena São Nicolau.

Entretanto, quanto mais sucesso alcançava com a minha experiência nas ruas, mais reconhecia que era preciso agir no sentido de acompanhar mais de perto a vida desses jovens, depois da sua conversão. Quanto à maioria, eu me dava por satisfeito ao vê-la colocada numa boa igreja local; mas quanto àqueles cujos problemas eram mais sérios, ou àqueles que não tinham lares, seria preciso achar um meio de ajudá-los melhor.

Certa manhã, depois de sair da barca, desci as escadas para pegar o trem que me levaria ao Brooklyn. O metrô, nessa altura, faz uma grande curva e, na passagem do trem, o movimento gera um barulho estridente. Esse lugar sempre terá um significado todo especial para mim, porque foi ali mesmo, ouvindo o ruído ensurdecedor do metrô, que eu subitamente vi o meu sonho se materializar.

Na minha mente, já o via realizado. A casa que eu sonhara — talvez pudéssemos chamá-la de Centro Desafio Jovem — seria localizada no coração da pior parte da cidade. Seria o quartel general de doze ou mais obreiros que, como eu, tinham esperança para esses jovens, viam o seu potencial, e o trágico desperdício de vidas que poderiam ser úteis.

Cada obreiro seria especialista — um trabalharia com os rapazes das quadrilhas, outro com os viciados em drogas, outros com os pais e outros com os Pequenos. Haveria obreiras também — algumas se especializariam com moças membros de quadrilhas, outras com moças que tivessem problemas sexuais, outras com viciadas.

Ali, no Centro Desafio Jovem, criaríamos um ambiente tão carregado desse amor renovador que eu já tinha visto operar em alguns jovens que, qualquer pessoa, ao entrar, perceberia que algo de emocionante estava acontecendo.

Para lá levaríamos os rapazes e moças que tinham necessidades especiais. Morariam num ambiente de disciplina e afeição. Participariam do nosso estudo e da nossa adoração. Observariam como os crentes vivem e trabalham juntos; e seriam obrigados a trabalhar também. Seria um centro de admissão, onde se preparariam para a vida do Espírito.

No verão de 1960, depois de trabalhar na cidade por quase um ano, comecei a falar do meu sonho. Nas viagens que fazia para levantar fundos, falava dessa grande necessidade. Entre as nossas igrejas de Nova Iorque, falava do centro como o idealizara. Mas sempre deparei com a mesma questão:

"David, esse sonho tem um grande defeito — requer dinheiro."

Certo. Nós nunca tínhamos mais de cem dólares em nossa conta.

Foi preciso que Gwen me sacudisse para me livrar do medo de começar por falta de dinheiro.

Gwen veio para Nova Iorque logo que terminou o ano escolar em Pittsburg. Achei um pequeno apartamento perto do escritório em Staten Island.

— Não tem nada de luxuoso, disse eu a Gwen, quando telefonei, mas pelo menos estaremos juntos. Arrume as malas — vou buscá-la.

— Meu bem, disse Gwen, não me importo de morar na rua, só quero é que estejamos todos juntos.

Assim Gwen veio para a cidade. Amontoamos outra vez os nossos móveis em quatro cômodos, mas estávamos muito feli­zes. Gwen acompanhou de perto todos os movimentos do novo ministério, interessando-se especialmente pelo meu sonho de uma família trabalhando em um centro próprio.

— David, disse ela certa noite, depois de eu ter reclamado novamente a falta de dinheiro, você deveria se sentir envergo­nhado. Você está trabalhando de trás para frente. Primeiro você está tentando arrumar dinheiro, para depois comprar a casa. Se você está agindo pela fé, deve arrumar o seu Centro, David, e depois arranjar o dinheiro.

A princípio pareceu-me apenas falta de lógica feminina, mas quanto mais eu pensava no assunto, mais ele me lembrava das histórias bíblicas. Não era verdade que o homem tinha de agir primeiro, muitas vezes no que parecia um gesto tolo e arrisca­do, antes que Deus realizasse seus grandes milagres? Moisés teve de estender o braço sobre as águas, antes que elas se abrissem. Josué teve de tocar as trombetas, antes que caíssem as muralhas de Jericó. Talvez fosse preciso que eu assumisse o compromisso da compra de um novo Centro, antes de se realizar o milagre.

Reuni o meu Comitê Central, o que era, na realidade, apenas um nome importante para um grupo de seis pastores e três leigos, homens de grande visão espiritual, e tão interessados nos jovens, que dedicavam parte do seu tempo à nossa organização.

Falei-lhes da necessidade crescente de um lar, onde os mem­bros de quadrilhas e os viciados em drogas pudessem ter con­vivência com obreiros cristãos. Falei-lhes da idéia de Gwen, que deveríamos primeiro assumir o compromisso, depois pensar no pagamento. O comitê se mostrou disposto a apoiar a idéia.

"Podemos considerá-la como uma experiência pública de fé", sugeriu Arthur Graves, um dos pastores da comissão.

Eis o que aconteceu depois de tomada essa decisão. No dia 15 de dezembro, às 2:00h da manhã, enquanto orava, tive a impressão clara de que havia uma determinada rua no Brooklyn que deveríamos investigar. Sabíamos que o nosso lar deveria ser perto do bairro Bedford-Stuyvesant. Por isso, havíamos procurado na Rua Fulton, mas agora pensei na Avenida Clinton.

Rapidamente peguei o mapa, e localizei a rua. Lá estava apenas um risco preto num pedaço de papel, mas fiz um círculo em volta como se já estivesse resolvido que esse seria o futuro endereço do Centro Desafio Jovem.

No dia seguinte telefonei a alguns dos membros da comissão. Combinamos um encontro na Avenida Clinton, para ver quais as casas que estavam à venda. Antes de sair, telefonei para o nosso tesoureiro, Paul DiLena, para saber quanto dinheiro a organização tinha em caixa.

— Por quê? perguntou Paul.

— Bem, é porque estamos pensando em ver algumas casas na Avenida Clinton.

— Ótimo, disse Paul, temos exatamente cento e vinte e cinco dólares e setenta e três centavos em caixa.

— Hummm.

— Não está preocupado?

— Não, se a nossa experiência der certo. Qualquer novidade eu aviso.

A primeira casa que vimos parecia servir para o que queríamos. Era um prédio velho que tinha uma placa já desbotada, onde se lia "Vende-se". Embora o seu aspecto fosse um pouco deprimente, o preço de 17.000 dólares parecia razoável. Um velho mostrou-nos o local, e chegamos a combinar o preço com ele, achando que as condições de pagamento também eram boas.

Voltamos para casa achando que tudo tinha sido feito com surpreendente rapidez. Porém, quando voltamos ao prédio no dia seguinte, o velho começou a criar problemas. Con­tinuou assim por vários dias, até que chegamos à conclusão de que deveríamos procurar um outro lugar.

Resolvemos, então, olhar uma outra casa na Avenida Clinton, que também estava à venda. Tínhamos agora menos de cem dóla­res em caixa, e em vez de estar procurando uma casa de 17.000 dólares, estávamos falando com o proprietário de um prédio de 34.000 dólares! Havia sido uma casa de saúde e ainda estava completamente mobiliada, com camas, escritório completo e aco­modações para o corpo de assistentes. Enquanto combinávamos o negócio, o proprietário baixou o preço. Eu já estava pronto a fechar o negócio, mesmo tendo apenas cem dólares em caixa, apesar de o prédio ter um ar de instituição e ser um pouco úmido.

— Antes de resolvermos qualquer coisa, disse Dick Simmons, um jovem ministro presbiteriano que era membro da nossa comissão, eu tenho as chaves de uma outra casa aqui em frente. Acho que deveríamos dar uma olhada.

— Quanto custa? perguntei. Dick hesitou.

— É... bem... 65.000 dólares.

— Ótimo, respondi. Cada casa que olhamos é mais cara, e a nossa reserva em caixa é menor.

Estávamos pensando numa casa de 17.000 dólares, quando tínhamos 125 dólares em caixa. Pensamos em outra de 34.000, quando tínhamos cem. Agora, quando examinávamos uma casa de 65.000 dólares já deviam ter sido pagas umas contas bem grandes.

Essa última casa era uma verdadeira mansão. Devo confessar que o meu coração bateu mais apressadamente quando a vi. Era uma casa sólida e bem construída, feita de tijolo vermelho. Parecia tão sólida quanto a centenária mansão do Presidente Jefferson.

Mas, ao entrarmos, que decepção! Nunca vi tanta confusão. A casa estivera desocupada por dois anos, mas antes disso, por vários anos, os alunos de um colégio da vizinhança a haviam usado como pensão e bordel clandestino.

Um velho agora morava na casa, ilegalmente. Era um desses velhos que achava segurança no acúmulo de "cacarecos", e havia enchido todos os cômodos com jornais velhos, vidros quebrados, esqueletos de guarda-chuvas, carrinhos de bebê e trapos. Todos os dias ele saía com um carrinho velho, tirava o que lhe agradava do lixo dos vizinhos e voltava para armazená-lo na casa. A maioria dos canos de água estava quebrada, o reboco se desprendia do teto e das paredes, o corrimão da escada pendia para um lado, e algumas portas haviam caído.

Mas através de toda a confusão podia-se ver que aquele edifício já fora, um dia, uma residência realmente fina. Tinha elevador para o segundo pavimento, e uma enorme área de serviço. O porão não tinha umidade, e nem as paredes da casa.. Andamos por entre aquela confusão toda, em silêncio, até que subitamente Harald Bredesen disse numa voz clara e nítida, como se estivesse pregando:

— É este o lugar. Este é o lugar que Deus escolheu para nós. Havia qualquer coisa de imperativo na sua voz, que transformava a sua exclamação numa profecia. Aquele tom de urgência e certeza ficou comigo durante os dias seguintes, e teve muito a ver, penso eu, com as experiências que começamos a fazer.

Quando Dick Simmons falou com os proprietários, disse-lhes francamente que o preço que pediam seria razoável, se a casa estivesse em perfeitas condições, mas do jeito que estava... Baixaram, então, o preço. Dick falou mais, e eles baixaram mais um pouco. Quando afinal perderam a paciência dizendo que já haviam chegado ao limite final, Dick havia conseguido que baixassem o preço para 42.000 dólares.

— E então? perguntei a Dick. E um excelente negócio; mas nós ainda temos apenas nossos cem dólares no banco.

Realmente, eu não estava muito animado a comprar a propriedade da Avenida Clinton, 416. Havia tanta coisa a fazer que seriam necessárias muitas semanas, para o prédio tornar-se habitável. Eu estava ansioso para começar o trabalho básico do centro, e não queria gastar tempo reformando um prédio velho.

Por outro lado, se era esse o prédio que Deus preparara para nós, quem era eu para fazer objeções? Antes de dar mais outro passo, queria ter certeza de que essa era a vontade do Senhor.

Naquela noite, portanto, durante meu período de oração, levei o caso à presença de Deus. "Senhor, tu me ajudaste no passado a conhecer a tua vonta­de, dando-me um sinal."

Lembrei-me de como havíamos pedido o auxílio de Deus para resolver se ficaríamos em Philipsburg ou não, e também se eu deveria vender o aparelho de televisão.

"Gostaria da tua permissão para pedir-te mais um sinal, Se­nhor."

No dia seguinte, fui conversar com a Sra. Maria Brown, co-pastora, com Stanley Berg, do Tabernáculo das Boas-Novas. Falei das nossas necessidades, da razão pela qual queríamos um centro, e descrevi o prédio que tínhamos achado.

— David, disse a Sra. Brown, parece que está tudo certo. Se vocês forem comprar, até quando precisariam do sinal?

— Dentro de uma semana.

— Você gostaria de vir à igreja domingo à tarde, para fazer um apelo? Sei que não é uma época muito boa, vésperas de Natal. Além do mais, será à tarde, mas se quiser, pode vir.

Era uma ótima oportunidade, e eu disse que iria com muito prazer. Contudo, ainda pedi um milagre a Deus. Queria ter certeza absoluta de que ele estava em nossos planos. Eu sabia que o máximo ofertado por aquela igreja para missões nacionais, de uma só vez, fora 2.000 dólares. Nós precisávamos do dobro, pois o sinal de dez por cento seria 4.200 dólares.

"Mas, Senhor", disse eu na minha oração, aquela noite, "se é da tua vontade que compremos aquele prédio, dê-nos a certeza disso, dando-nos esse dinheiro de uma vez, numa só tarde" Isso já era bastante difícil, mas eu fui além, como Gideão, para fazer as coisas mais difíceis.

"Além do mais, Senhor, per­mita que recebamos essa quantia, sem dizer de quanto precisamos." Fiz uma pausa. "E também, sem fazer um apelo. Que isso seja feito espontaneamente pelos ouvintes."

Bem, depois de pedir tantos sinais, senti-me como um tolo. Estava claro que eu não queria comprar aquela propriedade, que exigiria tanto serviço manual. Mas fizera a oração, e agora era só esperar, para ver o que aconteceria.

O domingo chegou. Era o domingo do Natal de 1960. Fiz um sermão muito simples, e propositadamente evitei uma apresentação mais sentimental. Falei do nosso problema, das nossas esperanças, e contei a história de alguns rapazes que já haviam sido alcançados. Ao terminar, disse:

"Irmãos, não vou fazer um pedido sentimental. Quero, se isso tiver de ser realizado, que seja pelo Espírito. Ele sabe de quanto precisamos. Vou deixá-los agora e vou até o porão. Se alguém quiser contribuir, estarei pronto a receber."

Assim dizendo, saí pela porta dos fundos e desci. Sentei e esperei. Nunca me esquecerei do horror daqueles minutos que passavam. Comecei a suar frio, o que me surpreendeu; até aquele momento eu mesmo não sabia que queria aquele prédio da Avenida Clinton, 416. Passou-se um minuto, e não se ouvia o ruído de passos na escada. Dois minutos se passaram. Cinco. Dez minutos se foram e eu já havia desistido — estava contente porque tudo terminara. Pelo menos já sabia que minha experiência não havia dado certo.

A essa altura, a porta se abriu devagarzinho, e uma senhora bastante idosa entrou. Atravessou a sala com lágrimas nos olhos, "Reverendo Wilkerson", disse ela, "há quinze anos eu oro para que seja feito um trabalho como esse. Aqui estão dez dólares. É tudo o que posso dar — a oferta da viúva pobre — mas sei que se multiplicará e será grandemente usado."

Antes, porém, que ela saísse da sala, a porta novamente se abriu, um moço encostou nela uma cadeira para que ficasse aberta; e depois disso entraram muitos, numa fila constante. A pessoa seguinte foi uma mulher de uns cinqüenta anos, que disse:

"Reverendo Wilkerson, recebi um pouco de dinheiro da aposentadoria, e quero dá-lo aos seus rapazes. "

Fiquei completamente pasmado. Nunca vira algo como o que estava acontecendo. O próximo a entrar foi um senhor — deu-nos duzentos dólares. O seguinte deu trezentos dólares,

Um menino entrou e disse que tinha apenas quatorze centavos, mas continuou:

"Deus está nisso, e vou dar-lhes tudo o que tenho."

Cada pessoa parecia ter uma quantia exata que sentia que deveria dar. Uma professora, Pat Rungi, entrou e disse:

"David, não ganho muito dinheiro, mas como você, traba­lho com jovens, e sei o que vocês enfrentam. Se puder aceitar um cheque com data posterior gostaria de dar vinte e cinco dólares."

Levou quinze minutos para a fila passar e deixar o seu dinheiro sobre a mesa. Todos trouxeram muito mais que dinheiro, trouxeram ânimo e, acima de tudo, alegria em dar, de modo que o meu coração também se encheu de alegria. Quando a última pessoa saiu, peguei a pilha de dinheiro e cheques e levei até o escritório da Sra. Brown, e contamos. A quantia? 4.400 dólares!!

Contei então à Sra. Brown sobre os sinais que eu havia pe­dido ao Senhor, e ela ficou tão animada quanto eu. Referia-se ao acontecimento como milagre, dizendo que a igreja nunca vira coisa igual. Ficou ainda mais convencida de que Deus estava no projeto.

Só uma coisa não contei à Sra. Brown — a minha perplexidade ante a quantia extra que recebemos. Havíamos pedido 4.200 dólares, e recebemos 4.400 dólares.

Imaginei que seria infantilidade da minha parte querer que o milagre fosse perfeito; mas por que havíamos recebido duzentos dólares a mais? Seria abundância divina, um transbordar de bênçãos celestiais? Seria um erro de cálculo, ou teria alguém dado um cheque que não poderia pagar?

Nada disso! Ao final das contas, ficou bem claro por que havíamos recebido duzentos dólares a mais do que pedimos.

Alguns dias mais tarde, no meu escritório, estava conversando com nosso advogado Júlio Fried, sobre as providências finais da compra e do depósito do sinal.

— Você tem o cheque de 4.200 dólares, David?

Entreguei-o com uma oração de ação de graças. Júlio se mexia na cadeira como se tivesse algo desagradável a dizer.

— Você sabe, naturalmente, que não estou cobrando nada pelo meu serviço ao Centro.

Era uma coisa estranha para se dizer; Júlio fazia parte da nossa comissão e eu, naturalmente, pensei que o seu tempo era uma oferta para o Centro.

— Mas os outros advogados têm de ser pagos, e depois a despesa com...

— O que você está querendo dizer, Júlio?

— Vamos precisar de um pouco de dinheiro extra, e teremos de depositá-lo junto com o cheque do sinal.

Quanto, Júlio?

— Duzentos dólares.

O resto do dinheiro para a primeira prestação de 12.000 dólares veio também de maneira singular. No domingo seguinte, em Bethpage, Long Island, uma congregação interessada ofertou mais 3.000 dólares. Na semana seguinte, Arthur Graves telefonou para dizer que sua igreja havia resolvido mandar um cheque em branco.

"Você pode preencher com a quantia que faltar, para fechar o negócio."

Foi assim que Deus forneceu exatamente o necessário para começar a obra do Centro Desafio Jovem. Até o último centavo, Deus forneceu. No dia em que recebemos as chaves daquela linda mansão na Avenida Clinton, eu disse à minha esposa:

— Gwen, você estava certa. Foi preciso que uma mulher nos mostrasse o caminho. Percebeu que, menos de um mês depois daquela noite que você me desafiou a agir com fé, nós levantamos 12.200 dólares?

Gwen estava tão contente quanto eu!

— Quando vence a próxima prestação? perguntou ela.

— Só em agosto próximo.

Parecia tão longe! Eu nem imaginava o ano tremendo que estava pela frente! Um ano que nos deixaria tão ocupados, tão tontos com as surpresas que nos reservava, que o mês de agosto, com o vencimento da prestação de 15.000 dólares, chegaria depressa demais.