terça-feira, 4 de maio de 2021

Lúcifer destronado - Capítulo 16


 Dissipando as trevas

Em meio a tudo isso que estamos vendo com relação ao satanismo, não podemos esquecer de que a nossa primeira missão ainda é ganhar almas para Cristo. Nada neste livro tem o propósito de causar medo aos cristãos, embora alguns trechos possam ser um pouco atemorizantes. Os satanistas são pessoas que estão perdidas, tal como todos os demais que não estão em Cristo. Eles precisam saber o que realmente significa nascer de novo!

Os cristãos também não devem pensar que serão atacados ou assassinados se tentarem dar um testemunho de Jesus aos satanistas.

A maioria dos satanistas que provavelmente você venha a conhecer serão satanistas enquadrados na lei. Serão do tipo de frequentadores da Igreja de Satanás, que com muito vigor negarão qualquer envolvimento com a ilegalidade. Desse modo, eles não vão rir de você nem golpeá-lo com um punhal.

Por certo, nenhum encontro evangelístico é sempre totalmente seguro. Na verdade, também não o é nenhum relacionamento humano. No entanto, queremos lhe assegurar que os satanistas, em sua maioria, não representam um risco maior, pelo que fazem, do que, digamos, as testemunhas-de-jeová. Com frequência, se tem dito, corretamente, que, se alguém teme a Deus, não teme os homens; mas, se teme os homens, não teme a Deus.

Ironicamente, aquele que fisicamente é o satanista mais “perigoso” é, provavelmente, o mais inofensivo em sua aparência. Pode ser um gentil companheiro de trabalho em seu escritório, de boa aparência, e não uma esquisita adolescente usando um pingente com uma cruz invertida e tendo os lábios pintados com um batom preto.

E bem possível que atualmente você esteja tendo contato com satanistas e nem se d ê conta disso. Apenas tenha em mente que nenhum satanista poderá tocar em você, crente, a menos que o Senhor dê permissão a ele.

Em resumo: não permita que este livro o amedronte, impedindo-o de testemunhar a tais pessoas. Se você não testemunhar, quem o fará? Deus as ama, e Jesus morreu por elas, mesmo que amaldiçoem o nome do Senhor.

Os ganhadores de almas percebem que todo encontro em que há um testemunho de Jesus é campo para uma batalha espiritual.

Os satanistas, na verdade, não estão “mais perdidos” do que qualquer pessoa fora da igreja, como os mórmons, e assim por diante.

A qualquer hora em que você esteja procurando ganhar quem quer que seja para Jesus, Satanás pode atacá-lo. Só que ele não pode tocar em você sem a permissão do Pai. O cristão que está sob oração e revestido da armadura de Deus nada tem a temer. Ore pela proteção do Senhor sobre você, sua família e os seus queridos, e vá em frente Perceba que, em parte, a razão por que eu permaneci preso a esse incrível mal por tanto tempo foi porque nenhum cristão jamais testemunhou para mim. Pense nisso! Passei a maior parte da minha carreira no ocultismo numa grande cidade, e mesmo assim ninguém se aproximou de mim com a simples mensagem do evangelho de Jesus Cristo.

Mas sabia que os mórmons, por exemplo, se aproximaram de mim? A seita do Caminho Internacional também se aproximou de mim! As testemunhas-de-jeová aproximaram-se de mim! Isso, porém, não aconteceu nunca por parte de um verdadeiro crente em Jesus. Talvez os crentes tivessem medo de nós. Mas não há por que ter tal medo. Esta foi uma das razões por que escrevemos este capítulo: para que você possa ter alguma percepção do modo como poderá testemunhar a um satanista.

O mais importante na vida de quem quer ganhar vidas para Cristo é... orar! O ganhador de Deus precisa orar para que Deus lhe permita ter “encontros marcados por Ele, ou seja, encontros com pessoas que já tenham sido preparadas pelo Espírito Santo e estejam prontas para receber a mensagem de Cristo. Se você tem em mente alguém que acha ser satanista, precisa começar a orar por tal pessoa de um modo bastante específico.

Entenda que todos os que não estão salvos são idólatras. Isso não quer dizer que tal pessoa tenha estátuas de pedra de uma divindade gorda e agachada diante da qual se curve. Mas significa que, de fato, todos têm alguma coisa, em sua vida, que é o seu “deus”.

Um dia eu estava testemunhando a um mórmon. Ele estava pronto a arrepender-se e entregar a sua vida a Cristo, mas teve medo de fazer isso por conhecer sua esposa e achar que ela se divorciaria dele e levaria consigo as crianças. Sua família, por melhor que fosse, tornara-se seu ídolo. Ela era mais importante para ele do que fazer o que sabia ser o certo diante de Deus.

Cada ídolo traz consigo um conjunto de crenças. Para um jovem executivo, seu conjunto de crenças inclui acreditar que telefone celular e carros do ano são o segredo de uma vida realizada.

Para quem está numa seita, o que vale é a doutrina da sua seita.

Qualquer falsa doutrina ou idolatria constitui uma fortaleza que precisa ser espiritualmente derrubada (2 Co 10.4-5), para que possa ocorrer um sério avanço no testemunho.

Geralmente, isso é um problema com sérias consequências para quem está numa seita, porque sua doutrina é efetivamente sistematizada e bem estudada — e, quase sempre, imposta pelos outros. E também, geralmente, assumida com considerável investimento pessoal. Muitos dos praticantes de uma seita se vêem como radicalmente diferentes do mundo, num sentido “nobre” e “separado”, como acontece com as testemunhas-de-jeová ou, de um modo inteiramente maligno, como os satanistas.

Por ter o satanista dado um passo além dos limites de uma sociedade normal, há um conteúdo emocional bem maior investido em sua decisão. Por causa disso, as fortalezas da sua crença são mais difíceis de serem demolidas, porque há fortes compromissos sentimentais envolvidos.

Lembro-me de que, quando fui mórmon, ao ouvir pela primeira vez o verdadeiro evangelho, como lutei com ele!... Meu primeiro pensamento, ao ouvir o evangelho da graça, foi: “Pode ser realmente tão fácil assim?' O pensamento deslumbrava-me, mas ao mesmo tempo me atemorizava. No entanto, meu segundo pensamento foi: “O que é que minha família e meus amigos vão dizer?' Eu tinha feito um estardalhaço para que meus amigos se tornassem mórmons, para que aceitassem o mormonismo como sendo a “única e verdadeira Igreja”. Cheguei até mesmo a fazer com que cinco pessoas se tornassem mórmons! Eu me encolhia todo só de pensar em ter de ir até eles para lhes dizer que tinha me enganado redondamente. Essa luta retardou minha decisão de me render, finalmente, a Cristo, por uma semana.

A mesma reação ocorre com os satanistas, exceto, obviamente, que por motivos bem diferentes. Assim, recomendamos que, sempre que possível, sejam feitas orações fervorosas, antes de se testemunhar a alguém, sobretudo se envolvido com feitiçaria. Se você pinta uma casa nova, basta passar primeiro uma tinta de fundo e depois pintá-la. Isso é semelhante a testemunhar a uma pessoa que nunca foi a uma igreja — a um “pagão”. Todavia, se você precisa repintar uma casa velha, então a coisa é diferente. A velha pintura precisa ser removida de algum modo, para depois aplicar-se a nova tinta, em várias demãos. Se você simplesmente tentar passar a nova tinta sobre a velha, sua pintura poderá ficar cheia de bolhas ou, então, descascar em pouco tempo.

Jesus nos explicou isso, dizendo:

Ninguém põe vinho novo em odres velhos; do contrário, o vinho romperá os odres; e tanto se perde o vinho como os odres. Mas põe-se vinho novo em odres novos. (Mc 222).

Embora, neste contexto, o Senhor estivesse se referindo aos velhos princípios da tradição judaica, comparando-os com o seu ensino, o mesmo pode se aplicar a qualquer outra tradição humana, quando ela conflita com o evangelho da salvação. O modo de remover a velha pintura (a fortaleza) é mediante uma poderosa oração intercessória. É necessário orar para que sejam amarrados os espíritos de engano e de mentira (1 Tm 4.1), pois impedem que o satanista ouça e veja a verdade de Jesus — pelo menos por algum tempo. Em seguida, ore para que o Senhor dê a você a oportunidade de encontrar-se com a pessoa quando a interferência demoníaca esteja amarrada e minimizada, de modo que você possa falar de Jesus.

Tenho visto que um procedimento assim é bastante eficaz. O que se torna patente é que, conquanto o Senhor não interfira na decisão final do livre-arbítrio da pessoa, podemos orar no sentido de que os espíritos demoníacos, que estejam impedindo a pessoa de ver a verdade, sejam amarrados o suficiente para que ela seja “toda ouvidos” para a Verdade.

Muitos ficariam impressionados se vissem o que ocorre no mundo espiritual quando estão testemunhando a incrédulos. Sem oração, nuvens de “diabinhos” ficam zunindo em torno da cabeça da pessoa como se fossem mosquitos, tentando distraí-la, confundi-la e até mesmo cegando-a ou ensurdecendo-a quanto puderem.

Também haverá interferências externas, como um telefone que toca, crianças que choram, e assim por diante.

Certa vez, testemunhávamos numa rua da “cidade mórmon”, Salt Lake City, a um jovem adepto dessa seita, e estávamos perto de levá-lo a entregar sua vida a Jesus, quando de repente irrompeu uma briga entre turmas de rua, bem perto de nós. Um sujeito grandalhão, musculoso, foi nocauteado e caiu de cara contra o pavimento, bem à nossa frente. O jovem a quem estávamos falando de Cristo saiu correndo, pedalando a sua bicicleta, aterrorizado, sem poder receber toda a mensagem do evangelho. Tudo o que pudemos fazer foi orar para que alguém mais falasse com ele, algum dia, de algum modo.

Em outra ocasião, estávamos nos esforçando para que um ocultista compreendesse o evangelho da salvação. O sujeito literalmente não conseguia ler Atos 16.31 [“Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa”]. Ele lia o versículo 30 e o versículo 32, mas era como se Satanás tivesse apagado o texto do versículo 31, para nós totalmente visível! Paulo não estava brincando quando disse:

Mas, se o nosso evangelho ainda está encoberto, é para os que se perdem que está encoberto, nos quais o deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos, para que lhes não resplandeça a luz do evangelho da glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus. (2 Co 4.3,4)

Isto pode já ser do conhecimento de muitos; no entanto, temos visto que há um grande número de crentes que se esforçam por ganhar almas, mas subestimam o poder da oração. Pensam que testemunhar é apenas uma troca de idéias — o que, em princípio, é. Todavia, antes de mais nada, e principalmente, trata-se de uma batalha espiritual, e da maior magnitude.

Recomendamos, assim, que, antes de você sair para testemunhar, ore:

1. para que o Senhor coloque toda a armadura de Deus em você (e nos demais obreiros), como também em sua família e seus amigos e parentes, protegendo a todos;

2 . para que o Espírito Santo o guie em tudo o que disser — dando-lhe as palavras certas que devam ser ditas e as passagens das Escrituras que devam ser citadas — algo que você possa realmente ministrar à pessoa, na situação em que ela se encontre;

3. para que durante o testemunho, não haja nenhum embaraço, nem interrupções ou perturbações;

4. para que os espíritos de engano sejam amarrados e fiquem longe da pessoa;

5. para que o sangue de Jesus prevaleça no ambiente ao redor e haja a proteção dos anjos;

6. por fim, mas certamente da maior importância, para que o Espírito Santo traga entendimento e convencimento àquela pessoa.

Após esses aspectos gerais, vejamos agora o que especificamente pode ser feito para trazer um satanista para Cristo. Temos que reconhecer que não existe um método infalível de se testemunhar, que não há uma “varinha mágica” que funcione com esse objetivo.

E por isso que orar pela direção do Espírito Santo é tão importante! E também importante render-se a Ele e dispor-se a deixar de lado todos os demais compromissos, de modo a fazer o que Ele quer que seja feito.

Por vezes, o Senhor nos mostra que devemos citar determinada passagem da Escritura ou dizer algo que talvez nos pareça ser totalmente “descabido”; contudo, é isso que certamente irá vencer as defesas da pessoa, como arma imbatível.

Um dia, havíamos passado mais de uma hora falando com uma jovem bruxa, que ossivelmente estava cogitando ser satanista.

Tínhamos feito de tudo, sem obter êxito. Ela não estava nem um pouco impressionada com a gravidade das coisas que fazia. Inesperadamente, senti-me levado a cantarolar a primeira estrofe do famoso hino de Martinho Lutero “Castelo Forte”, que menciona Satanás:

Com fúria pertinaz

Persegue Satanás,

Com artimanhas tais

E astúcias tão cruéis,

Que iguais não há na terra.”

Assim que estas palavras a atingiram, ela recuou, visivelmente angustiada, com seu olhar nos indicando que uma porta se abrira.

Seus olhos tornaram-se dóceis, e de repente era uma adolescente normal que nos ouvia. Bem, não é isso que costumamos fazer ao testemunhar. No entanto, os versos do velho hino a haviam tocado mais do que tudo o que tínhamos dito antes, e ela concordou em encontrar-se conosco mais uma vez para ouvir a Palavra. Louvado seja Deus!

Temos de reconhecer que procurar ganhar um satanista para Cristo deve ser uma tarefa um tanto persistente. Diferentemente de muitos outros ocultistas, os satanistas não têm fé alguma na Bíblia, e o nome de Jesus, muitas vezes, é piada para eles. Contudo, há algumas áreas que podem ser exploradas. Primeiro, faça um diagnóstico. E necessário discernir que tipo de satanista temos diante de nós. Há grandes diferenças entre eles. Para ver as diversas categorias de satanistas detalhadamente, volte ao capítulo. Mas eis aqui um rápido resumo:

1. Satanistas do nível mais baixo: não acreditam no diabo e se acham “metafísicos pragmáticos” à procura do seu eu supremo, mediante uma tecnologia de magia.

2. Satanistas do nível médio: acreditam no diabo, mas acham que ele “levou um tapa pelas costas”. Colocam-se ao lado “das trevas” e crêem que por meio delas é que terão poder.

3. Satanistas de nível mais elevado: podem ser bastante ofensivos aos cristãos, pois nos consideram quase “uma forma inferior devida”. Nós (e Jesus) somos tidos como “opressores do mundo”, escravos de um “deus cego e idiota”.

4. Satanistas no nível de mestre: acreditam terem ultrapassado o bom e o mau, tornando-se um deus vivo e egocêntrico. Praticam sacrifícios de sangue e, eventualmente, até a morte humana. Você terá que se certificar muito bem disso, ao julgar haver encontrado um desses. Não são muito comuns!

5. “Santos” satânicos: completamente possuídos pelo demônio, com certeza já cometeram até sacrifício humano. São os equivalentes satânicos dos grandes homens de Deus, e extremamente raros. Se encontrar um deles, provavelmente não o reconhecerá como tal, exceto mediante o discernimento de espíritos. São astutos, carismáticos, habilidosos e muito poderosos. Se você for levado a compartilhar Cristo com um deles, todo o poder que ele tem ficará como nada diante da unção do Espírito Santo. Saiba que satanistas deste nível já foram salvos!

Quase sempre, você conhecerá apenas satanistas dos dois primeiros tipos, e eventualmente os do terceiro. E isto acontecerá apenas no caso de você os procurar. Entenda que os satanistas são aves raras, embora, infelizmente, os dois primeiros níveis estejam crescendo entre os jovens.

A segunda parte do diagnóstico deve ser a de procurar saber como foi que a pessoa se tornou satanista. Perguntar não ofende.

Tal como acontece com os cristãos, os satanistas gostam de compartilhar como foi que eles se “converteram” ao inimigo. Veja algumas das situações mais comuns:

1.       Jovens atraídos, geralmente, por promessas de poder.

2. O ferta de facilidades na prática do sexo e uso de drogas.

3. Desejo de sabedoria oculta ou de sentir-se fascinado pelo que é misterioso.

Estes três primeiros motivos aplicam-se tanto no caso de feiticeiros da magia “branca” (participantes da Wicca, por exemplo), como de satanistas. As causas a seguir referem-se unicamente aos convertidos ao satanismo:

4. Um sentido existencial de niilismo ou desespero — um sentimento de que a vida é dolorosa e sem significado, o que leva a pessoa a querer experimentar os prazeres da vida antes de morrer.

5. Um sentimento de que Deus os rejeitou para sempre ou os traiu.

É trágico dizer que esta quinta razão é mais comum entre cristãos (se não genuínos, pelo menos nominais), que se tornaram satanistas — muitos dos quais quando ainda jovens. Sendo este o caso, sua tarefa não será fácil.

 Numa abordagem com os satanistas dos dois primeiros grupos [de nível mais baixo e médio], muitas vezes é útil começar com uma indagação sobre como foi que a pessoa entrou no satanismo e por que veio a crer dessa forma. O satanismo, tal como qualquer outra seita, envolve a rejeição da autoridade de Deus, substituindo-a por

alguma outra coisa (muitas vezes pelo próprio “eu”).

 Alguns satanistas dirão que entraram e permaneceram nessa situação porque tal heresia para eles “funcionou”, porque seus ensinos lhes fizeram sentido e, possivelmente ainda, porque o satanismo lhes deu “um significado para a vida”. Talvez eles tenham feito algum ato de magia e constataram que “funcionou”.

 Sua vida de algum modo deve ter sido favorecida pela magia. E um raciocínio pragmático, que pressupõe que, se algo funciona, é bom.

 Mas o pragmatismo não tem validade bíblica.

Sua tarefa como ganhador de almas é, então, identificar (e destronar) o principal ídolo dos satanistas e comunicar a eles certas verdades acerca de Jesus. Significa ainda que você terá que desmantelar os dados errados que o satanista tem sobre sua própria

religião e sobre a fé cristã.

 No Capítulo 19, iremos considerar determinadas abordagens que reputamos de grande eficácia no que diz respeito a alcançar os satanistas.