Desertores das trevas
Até agora, estivemos examinando os vários tipos de
satanistas e analisamos as origens e as filosofias dos principais teólogos
“satânicos” de nossos dias. Contudo, é importante ter em mente que tais grupos
são constituídos de seres humanos vulneráveis (como eu), que têm sido e são
envolvidos e enlaçados por Satanás. Como mencionei em capítulos atrás, tais pessoas
não são inimigas, mas vítimas.
Até mesmo homens como LaVey e Aquino, no sentido estrito da
palavra, são vítimas, embora em menor grau do que outros. É evidente que eles
também se venderam por uma série de vantagens ao Enganador-mor. Enganaram-se a si
mesmos ou tiveram a ilusão de que o inferno é um mito e de que Jesus e sua
mensagem são totalmente sem sentido. Temos que orar para a salvação de pessoas
assim.
Todavia, muito do que sabemos sobre praticamente todas as
formas de satanismo provém de um tipo bem diferente de vítima: aquele que se
envolveu com um grupo satânico, mas que decidiu sair dele. Este é um fato raro,
mas que, graças a Deus, está se tornando mais requente.
Costumava-se dizer que o satanismo autêntico é como a Máfia —
o único modo de se sair dele seria num caixão funerário. Jesus Cristo tem
provado, cada vez mais, que isso é mentira. Minha esposa e eu somos apenas dois
em meio a dezenas de ex-satanistas que agora são salvos pelo sangue do Cordeiro
de Deus. Muitos de nós poderíamos apresentar relatos verídicos de ameaças de
morte feitas contra nós ou até mesmo de situações que puseram em risco a nossa
vida, totalmente desmanteladas pelo poder de Deus.
O que prova que quando um cristão é de fato Nascido de Novo,
Satanás e seus servos não podem voltar-se contra ele sem permissão de Jesus.
Pessoalmente temos aconselhado dezenas de ex-satanistas, que
agora estão tendo uma vida de vitória em Jesus Cristo. Mas alguns dos que já
aconselhamos, desses desertores do satanismo, não quiseram, infelizmente,
tornar-se novas criaturas em Cristo. Tinham somente se desligado da “religião”,
do modo justamente como o seu grupo de feitiçaria os tinha ensinado e
manipulado. Não entenderam que Jesus deseja ter conosco um relacionamento, não uma
religião. Haviam vivido muitos momentos sob intensa tortura e, por vezes,
tiveram que ser internados depois, como enfermos, em sanatórios para doentes
mentais. Perdemos o contato com alguns deles, após algum tempo, e é bem
possível que tenham caído novamente nas mãos de adeptos do seu grupo.
Além da pesquisa relativamente limitada que tem sido feita
por historiadores e outros estudiosos, os que escaparam desses diferentes
grupos ocultistas (em especial os que são novas criaturas em Cristo) são a
melhor fonte de informações sobre essas seitas.
Eles são, na verdade, os que venceram “(...) por causa do
sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram” (Ap 12.11).
O tenente Larryjones,1 um crente autêntico, que atua
profissionalmente como agente da lei, tem tido ocasião de entrevistar,
ministrando mais do que o seu próprio “testemunho”, muitas pessoas que
escaparam dos grupos satânicos. Ele destaca, com muita exatidão, que essas
pessoas precisam realmente ser compreendidas pelo Corpo de Cristo. Acontece com
frequência que muitos cristãos ficam amedrontados, desnecessariamente, com
essas pessoas. Logo que minha esposa e eu saímos do satanismo, reunimo-nos com
alguns crentes, que se sentiram atemorizados com a nossa presença assim que
souberam do nosso passado. Seu comportamento demonstrava terem medo de que
algum mau contágio pudesse sair de nós e atingi-los ou à sua família. Isto é
muito triste.
O poder do sangue de Jesus Cristo verdadeiramente é capaz de
nos salvar totalmente. Temos visto que ex-satanistas, que agora são verdadeiros
cristãos, em sua grande maioria tornaram-se maravilhosos e ardorosos homens e
mulheres de Deus. Muitas das pessoas que vêm a nos conhecer atualmente fazem
afirmações como:
“Não dá para acreditar que um casal tão amável como vocês tenha
participado do satanismo.” E o poder de Jesus! Uma transformação de fato
acontece, na grande maioria dos casos, logo após a salvação. E acontece
justamente o que deveria acontecer. O velho homem, o “feiticeiro”, foi
crucificado espiritualmente, no momento do novo nascimento, e agora Cristo vive
em nós (G1 2 .20).
O tenente Jones diz ainda que os ex-satanistas, salvos,
devem ser considerados como de grande valor para o Corpo de Cristo.
Eles provêm do campo do inimigo mortal da Igreja e foram
purificados, lavados e santificados. Muitos deles, se não a maioria, podem ser
importantes fontes de informação. Devem ser tratados não como inimigos, mas
como amigos, tal como os governos costumam tratar os fugitivos e exilados dos
regimes políticos que lhes sejam ostensivamente contrários.
Não é preciso convidá-los para almoçar ou jantar, nem
tratá-los com grandes mesuras. Não é essa a questão. Eles só precisam ser
tratados como novas criaturas em Cristo, que podem ter informações úteis e
importantes a compartilhar. Devem também ser tratados como pessoas que
certamente foram feridas emocionalmente e até mesmo, quem sabe, fisicamente.
São “feridos de guerra” da batalha que Satanás tem travado contra a humanidade.
Não devem ser vistos como párias da sociedade, como algumas igrejas
infelizmente, os têm tratado. Devem ser bem-vindos e recebidos de braços
abertos, recebendo sadio ensino bíblico e discipulado.
Fico perplexo ao saber que alguns pastores — graças a Deus
não em grande número — têm ensinado às suas ovelhas a mentira de que os
feiticeiros não podem ser salvos, que está além do poder de Jesus redimi-los.
Tem-se ensinado a alguns crentes que os que fizeram um pacto com o diabo não
podem ingressar no Reino de Deus. Chega-se até mesmo a citar Êxodo 22.18: “A
feiticeira não deixarás viver”, como base bíblica para essa estranha doutrina.
Acredite-me, sou capaz de “apostar” não ser tão rara quanto
geralmente se pensa a possibilidade de uma igreja, com cerca de uns 50 frequentadores
por culto, receber no seu seio um ou mais idólatras, ou pessoas que aceitam ou
até praticam atos de superstição ou bruxaria. No entanto, não é de admirar que
muitos feiticeiros não confiem nos cristãos, pensando que o nosso desejo é
matá-los ou trazer de volta a “Santa” Inquisição. Ensinos de intolerância, do
púlpito, fazem com que uma pessoa supersticiosa ou mística, que busca a igreja
para obter a salvação, se desespere ou se feche totalmente contra Jesus e a
salvação que Ele oferece. E o que dizer sobre compartilhar a Palavra da Verdade
de maneira errada? (Veja 2 Tm 2.15.) Esse tipo de ensino é um total
contra-senso; o que faz é trazer desalento àqueles que vêm do ocultismo à
igreja, em busca de ajuda. Também faz com que os cristãos se sintam temerosos
de testemunhar sua fé a feiticeiros e satanistas, o que não deveria acontecer.
O que esse tipo de ensino propicia é a glorificação de Satanás, ao admitir que
ele pode fazer algo que Deus não possa desfazer.
E claro que temos de avaliar o que os “desertores” nos digam
— do mesmo modo que temos de avaliar as informações que nos são dadas por
qualquer outra pessoa. Primeiro, precisam ser examinadas em conformidade com a
Bíblia, tendo que estar alinhadas com a Palavra de Deus. Segundo, tanto quanto
possível, devem ser avaliadas à luz de informações confirmadas e dados
históricos.
Há uma infeliz tendência por parte dos sobreviventes do
satanismo (que não são suficientemente maduros, como poderiam ser) de
exagerarem suas histórias ou colocarem os acontecimentos fora de uma ordem
cronológica.
O primeiro desses problemas decorre de terem vivido anos e
anos como escravos do supremo egocêntrico do universo. Os satanistas, em sua
maioria, costumam exagerar e mentir para protegerem sua “imagem” ou impô-la. E
desse modo que funciona o seu jogo. Quando salvos, devem ser ensinados que os
seus antigos sistemas vivenciais não são mais necessários nem desejáveis. Pode
ser necessário ter que lutar para quebrar esses hábitos. A pessoa precisa ser
lembrada, com muito carinho, de que não é mais um servo do “pai da mentira”.
O que ainda lhe está muito amarrado à carne é o desejo de
agradar o seu novo “círculo” de amigos na igreja. Assim, ser um Illuminatus
Primus, acha ele, causará uma impressão bem maior do que simplesmente dizer que
é um simples satanista. Isso torna sua história mais atraente e também parece
glorificar mais a Jesus, porque salvou alguém desse tão elevado grau de
perdição. Juntando-se estes dois elementos com a natureza pecaminosa da pessoa,
fica mais fácil compreender por que sua história, às vezes, é um tanto
exagerada ou enganosa. Isto não quer dizer que a pessoa não está salva. Apenas
significa que não é perfeita. Que grande revelação!
Ê aqui que um pastor que seja bom, de doutrina sólida e
discernimento espiritual, pode muito ajudar. Muitas vezes, os que vêm do
ocultismo começam a vida cristã de modo errado, saindo de imediato para pregar,
evangelizando, ensinando na igreja, antes de serem discipulados e amadurecerem
em seu caminho com o Senhor (1 Tm 3.6). Seu interesse em querer ministrar é
compreensível e elogiável, mas é preciso estar, no começo, constantemente sob
supervisão pastoral.
Outro ponto em que aqueles que cuidam de sobreviventes do
satanismo consideram um problema bastante comum nessas pessoas é a fragmentação
da memória e um sentido de descontinuidade na história de sua vida. Assim, se
as histórias do sobrevivente não se encaixam muito bem cronologicamente, ou não
batem exatamente com a memória de seus contemporâneos, isso poderá ser devido
aos traumas que sua mente sofreu, não a uma deliberada intenção de faltar com a
verdade.
Mas simplesmente porque alguns tiveram problemas, não é
razão para desqualificar (como muitos fazem) os testemunhos de todos os
ex-satanistas. Seria o mesmo que dispensar os evangelistas só porque alguns
deles sofreram grandes quedas, como tem acontecido nos últimos anos.
Bem, que tipo de gente são os sobreviventes do satanismo? Há
vários modos de classificá-los, mas basicamente são de quatro tipos:
1. Uma pessoa nascida e criada numa tradicional família de satanistas
de muitas gerações. Há dois subgrupos:
a) Os escolhidos para liderança.
b) Os selecionados para a procriação, ou para serem vítimas
ou sacrificadas.
2. Uma pessoa criada numa família de satanistas
tradicionais, que nela entrou por adoção legal, troca, compra ou rapto. Isso
geralmente ocorre entre os 4 e 6 anos de idade. Neste caso, as pessoas são
geralmente tratadas como no caso 1 -b acima.
3. Uma pessoa nascida numa família em que um dos pais (ou
tutores) e/ou alguém mais dentre seus parentes são satanistas secretos, mas o
outro progenitor ou tutor ignora esse fato. Também, neste caso, a pessoa é
tratado como em 1 -b acima.
4. Alguém que, no final da adolescência, ou no início de sua
fase adulta, junta-se voluntariamente a um grupo satânico. Tal pessoa
geralmente não é por demais vitimada, embora seja, muitas vezes, manipulada em
situações terríveis. Se, de algum modo, a pessoa falhar em sua fidelidade ao
grupo, é tratada de modo deplorável e, em muitos casos, assassinada.
Como se pode concluir, o sobrevivente ao Abuso Ritual
Satânico (ARS) normalmente é do tipo 1 ao 3. São pessoas que foram
sistematicamente submetidas a abusos, tanto emocional como física e
sexualmente, de maneira intensa, num período de muitos anos.
Conquanto o tipo número 4 possa ter sofrido alguns traumas e
problemas de ordem emocional, ou tenha se envolvido com drogas ou hábitos
sexuais pervertidos, normalmente não é tão severamente atingido como os três
primeiros.
Tanto rapazes como moças podem sofrer de maus-tratos, mas as
moças geralmente são vítimas mais frequentes, por motivos diversos.
Como mencionado anteriormente, existem amplas variedades de
satanismo no mundo ocidental. Isto significa que há grandes variações nos
rituais, que, por sua vez, produzem diferenças significativas no que diz
respeito às vítimas. Não obstante, há certas semelhanças que podem ser
observadas nas pessoas que passaram por ARS, mesmo naqueles posteriormente
salvos. Na maioria dos casos, passaram por:
• Situações em que foram forçados a tomar drogas (narcóticos
e alucinógenos), submeter-se à hipnose, em parte por motivos esotéricos ou
alquímicos, em parte com o propósito de “desenvolver o poder da mente”.
• Frequentes períodos de um forçado isolamento de seus pais
e/ou de todo contato humano.
• Molestação sexual num ritual, para assegurar a posse
demoníaca da criança e perverter para sempre o ato sexual (que o Senhor criou
para ser algo bom) em sua mente e em seu coração. Geralmente, a criança passa
repetidamente por todo tipo possível de perversão, muitas vezes sob o efeito de
drogas alucinógenas.
• Participação forçada em sacrifícios rituais, tanto de
animais como humanos.
• Perversões de eventos bíblicos, em rituais — sendo cruxificado,
açoitado, sepultado e depois “ressuscitado” pelo sumo sacerdote satânico.
• Ritos pervertidos de batismo e comunhão, levando a ter
medo de água, de banheiras e banheiros e de pessoas em trajes clericais.
Crianças são “batizadas” com maior frequência de modo a quase se afogarem na
banheira. As vezes, as pessoas são imersas em sangue.
• Uso de urina, drogas alucinógenas, sangue, sêmen ou fezes
como elementos, de “comunhão”, “água-benta” ou “óleo de unção”. Isto causa medo
de ser ungido e medo do sangue de Jesus.
• Indução forçada à pornografia infantil e à prostituição.
• Rituais de novo nascimento (zombaria à experiência do novo
nascimento cristão), às vezes induzido por meio de alucinógenos, às vezes de um
modo real. Isso significa a criança ser posta dentro da carcaça costurada de
uma vaca, ou égua, morta (ou ainda, muito raramente, no ventre de uma mulher
grávida morta que teve o feto removido), ficando lá durante algum tempo. Então,
é retirada através do canal de nascimento e “nasce de novo”, recebendo um novo
nome satânico com o qual é “batizada”.
• Uso de minúsculas agulhas e pinos em áreas sensíveis do
corpo, especialmente naquelas relacionadas com os meridianos da acupuntura. Uso
também de eletroacupuntura e choques elétricos de alta voltagem.
• Abortos forçados (para jovens adolescentes) ou ser forçada
a matar ritualmente o próprio filho.
• A infame experiência do “buraco negro”, em que uma criança
é pendurada pelos pés de cabeça para baixo num profundo e escuro buraco cheio
de coisas detestáveis (gatos mortos, excrementos, etc.), ficando ali durante um
dia ou dois.
• Processo de fragmentação da personalidade, deliberadamente
induzida.
Peço desculpas pelo conteúdo de mau gosto do que acabei de
expor, mas foi necessário, para esclarecer alguns dos problemas que os
sobreviventes do ARS enfrentam. Como se pode constatar, é um verdadeiro
testemunho do poder de Jesus Cristo o fato de que tais pessoas possam até mesmo
desempenhar as atividades mais simples depois de salvas dessas horríveis
experiências — muitas delas ocorridas em sua infância.
Algumas questões precisam ser esclarecidas, de modo que
vamos dedicar um capítulo ao exame da base racional para uso de drogas, hipnose
e fragmentação da personalidade. Além disso, há determinados sintomas físicos
que podem ocorrer em pessoas que passaram por esse tipo de abuso. Há muita
gente que apresenta esses sintomas sem nunca ter tido qualquer envolvimento com
ARS, mas a presença de mais de um ou dois deles pode ser significativa.
Alguns dos sintomas são bem conhecidos, e outros observamos
em nós mesmos ou em dezenas de pessoas com quem trabalhamos:
1. Fotossensibilidade aguda — não poder olhar para a luz do
sol ou luzes fortes. Também sensibilidade à iluminação fluorescente e à emissão
de microondas.
2. Anomalias químicas no sangue, incluindo o aparecimento de
raras substâncias químicas nos exames de sangue, sem causa física conhecida.
Também alteração do grupo sanguíneo (algo que a ciência considera impossível).
3. Epilepsia do lado direito: embora possa ser uma
enfermidade cerebral, pode ser também sinal de a pessoa ter passado por ARS,
tendo, portanto, origem de natureza espiritual.
4. Estranhos tiques nervosos nas mãos e nos dedos — sinais
inconscientes, em que maldições reais estão sendo transmitidas por meio de
“mudras”, isto é, posições místicas na mão e nos dedos que são uma versão
ocultista da linguagem por sinais — em geral, inteiramente desconhecidas da
própria vítima.
5. Peso excessivo ou alimentação desordenada.
6. Longas falhas na memória da infância. Lembranças de ter
dormido por um longo período de tempo.
7. Dores de cabeça de origem desconhecida.
8. Problemas musculares e doenças genitais. Também disfunção
sexual ocasional.
Uma lista mais completa, que entra em maiores detalhes (para
uso, principalmente, por pastores e conselheiros) é apresentada no Apêndice II.
A pessoa que se envolveu com satanismo pode ter associado
certas épocas do ano a determinados eventos satânicos, tal como os cristãos têm
suas associações com o Natal ou com a Páscoa. Na maioria dos casos, as
associações que um ex-participante de ARS tem são extremamente desagradáveis.
Isso porque nos eventos ou festas satânicas quase sempre a criança é forçada a
tomar drogas, ou é submetida à violação sexual, violência ou tortura e até à
morte.
Estas lembranças não são nada iguais às que você possa ter
do tipo:
“Quem me dera passar o Natal novamente com a vovó!”
Como existem diferentes “calendários litúrgicos” satânicos
por aí, usados pelos mais diferentes satanistas, dependendo de sua tradição ou
linhagem, esse assunto fica um pouco mais complicado.
É como se algumas igrejas cristãs celebrassem o nascimento
de Cristo e outras, não. Vou começar com os eventos principais e normalmente
celebrados, passando depois aos demais.
Se você estiver ministrando a um sobrevivente de ARS, convém
conhecer quando ocorrem esses eventos, pois podem representar pontos cruciais
para a recuperação da pessoa. Uma pessoa suficientemente sensibilizada poderá
sentir a aproximação dessas datas com vários dias de antecedência — com
estresse, depressão ou medo. Poderá também sentir efeitos posteriores durante
vários dias após a data. Os ocultistas chamam isso de influência do tipo
“orbe”. Dependendo do grupo ou do costume do grupo, os dias dos eventos variam
um pouco, ou então são celebrados no fim de semana mais próximo da data. A
lista de datas do calendário satânico acha-se no Apêndice I.
Uma potente arma que o inimigo tem em seu arsenal para os
sobreviventes do satanismo são os “gatilhos”. Um “gatilho” é geralmente uma
sugestão pós-hipnótica inserida profundamente na mente do participante de
ritual satânico. Tem o propósito de enredar e prender a pessoa mentalmente e
obscurecer lembranças terríveis dos principais eventos. Mais adiante, daremos
detalhes acerca dos “gatilhos”. Por enquanto, eis um exemplo de como podem ser
usados com relação às datas do calendário satânico.
Os cristãos (e a maioria das pessoas no mundo secular) têm
“gatilhos” emocionais relativos ao Natal, que lhes trazem lembranças,
associações e fortes sentimentos. Ao ouvir certo cântico, o “gatilho” da pessoa
dispara, atiçando sua memória ou despertando reações emocionais. Isso,
evidentemente, é totalmente normal e inocente. Contudo, para o participante do
satanismo, é possível que certas imagens, palavras, músicas ou gestos sejam
usados para reforçar os comandos de esquecimento de certos acontecimentos
dramáticos por que passou. Por exemplo, se a pessoa foi levada a assistir a uma
cerimônia de partida de uma feiticeira num cabo de vassoura, num dia de
Halloween, poderá receber um “gatilho” que posteriormente lhe bloqueie a
memória do terrível ritual.
Um exemplo ainda mais sinistro seria o de um “gatilho” que
constitui uma palavra. Uma menina, ainda bem jovem, é drogada e/ou hipnotizada
e recebe o comando de que, ao ouvir determinada palavra, terá de agir de certo
modo. Assim, na véspera de uma festa satânica importante, ela — agora já em
idade adulta — recebe um telefonema. Aquele que fala do outro lado da linha lhe
diz
então aquela palavra do “gatilho” (é sempre uma palavra
especialmente escolhida que não de uso normal, possivelmente o nome de um
demônio). Ao ouvir a palavra, a mulher entra num transe passivo, hipnótico, e
sem alarde deixa a sua casa e vai para um lugar onde se encontra com o pessoal
do grupo. Estes o levam, então, até um festim satânico e a forçam a participar
de rituais profanos, trazendo-a depois de volta para casa. Ela acorda, no dia
seguinte, não se lembrando dos horrores daquela noite (exceto com uma vaga
sensação de ter tido um terrível pesadelo). Mas ficou com nova camada de
malignidade, acrescentada à sua alma, já cheia de sentimentos de tortura.
Quando retornarmos a este assunto, mostraremos como o Senhor
pode libertar a pessoa dessa prisão. Todavia, se você é um crente com um
chamado para a intercessão, é importante conhecer as datas em que estas festas
satânicas ocorrem, pois lhe servirá de guia quando orar, e de como fazê-lo,
para derrubar as fortalezas que cercam esses eventos. Também lhe possibilitará
saber como orar pela proteção do seu pastor e de líderes cristãos que venham a
entrar num nível mais acirrado da batalha espiritual, nestes dias atuais, em
que grupos de magia têm penetrado com maior intensidade em toda parte.
Outro ponto a considerar é que, além das datas de eventos, o
sobrevivente do ARS tem outros momentos em sua vida em que poderá ser mais
propenso a vulnerabilidade, em que pode vir a ser alvo do grupo com que tenha
se envolvido, pois são dias em que procurarão fazê-lo voltar a cair na sua
malha de manipulação.
Um desses dias, que precisa ser vigiado com muito cuidado, é
o do aniversário da pessoa, ao atingir determinadas idades. Geralmente, no caso
de crianças que sofreram o ARS, o abuso inicia-se somente por volta do seu
quarto aniversário. Por incrível que pareça, é porque muitos satanistas
acreditam que, antes dessa data, Deus protege seus filhinhos de um modo
especial, não podendo ser corrompidos.
Na maioria das seitas satânicas, são os seguintes os dias de
aniversário que precisam ser especialmente vigiados:
1 . 0 4“ aniversário — quando os rituais e os abusos
normalmente começam.
2. Aos 13 anos, meninas, e aos 14 anos, meninos (ou no aniversário
de sua puberdade, o que ocorrer primeiro) — é quando a criança, se possível, é
dedicada outra vez, mediante “noivado”
com Satanás, ou forçada, a menina, a engravidar.
3 . 2 12 (7x3 ) aniversário — em alguns grupos, é quando a
pessoa é levada de volta ao grupo para maior programação profunda e
doutrinação.
4. 28a (7x4) aniversário — período bastante crítico,
especialmente se a época da puberdade não foi, por alguma razão, objeto da ação
ritualística do grupo. Este aniversário, tradicionalmente, implica assumir com
maturidade o sacerdócio satânico (tanto para homens como para mulheres). Com frequência,
“gatilhos” profundamente inseridos na pessoa começam a disparar com muita
intensidade. Se a pessoa já está em Cristo, esses dias podem vir a ser muito
estressantes, com muitos pesadelos, impulsos e comportamentos anormais.
5. 56- (7x8) aniversário — outro período bastante crítico.
Ocorrem também “gatilhos”. Não havendo orações adequadas e
intervenção pelo poder de Deus, os “gatilhos” poderão levar a pessoa de volta
ao grupo e a situações em que se verá forçada a abusar de outras pessoas,
completando assim o ciclo.
A puberdade é um período extremamente importante para a
criança que sofreu abusos, tanto sob o aspecto emocional como espiritual. Os
feiticeiros acreditam que a puberdade é quando as habilidades mediúnicas
“naturais” de uma criança começam a alcançar seu pleno poder.
Especialmente para uma jovem, isso é tido como uma
oportunidade única para que seja explorada até o limite de sua capacidade, de
modo a extraírem dela o máximo grau de benefícios para o grupo. Assim, é feito
um esforço incrível para levar a jovem de volta ao grupo — pela sua própria
vontade, se possível, ou mesmo contra sua vontade, se necessário.
E claro que nenhuma dessas coisas está rigidamente
determinada a acontecer, e o ex-participante do grupo que foi salvo por Cristo
poderá frustrar todos esses planos diabólicos. Louvado seja o Senhor! No
entanto, muitas vezes será necessário que haja oração, aconselhamento e ação de
libertação, para se livrar totalmente das amarras de encantamentos, impulsos e
gatilhos escondidos no seu interior. Oração e vigilância são necessárias sempre
para aqueles que deixaram os grupos satânicos — especialmente em certas datas
do ano e na época de aniversário.
Se os cristãos, com muito amor, ajudarem as pessoas a se
livrarem de suas “cargas”, elas poderão triunfar sobre as trevas que estejam
insistindo se apossar delas e firmarem sua vida no Senhor!
E disso que na verdade elas precisam, e minha oração é no sentido de que o Corpo de Cristo se faça presente para lhes oferecer tudo isso!
