Marshall segurou a maçaneta.
Com um gesto, indicou aos outros que esperassem. Então abriu a porta e entrou.
Kaseph estava sentado à ponta da grande mesa de conferência, e os diretores e
os quatro advogados em torno dela. Os demônios presentes na sala imediatamente
desembainharam suas espadas e encostaram-se às paredes. Não apenas era esse o
inesperado jornalista, como também vinha acompanhado de dois guerreiros
celestiais com cara de malvados, um enorme árabe e um africano feroz que
pareciam mais do que prontos para a briga!
O Valente sabia que isso
queria dizer encrenca, mas... nem tanta assim. Olhou os intrusos
desafiadoramente, sorrindo, e disse:
— E afinal quem é você?
— O nome é Marshall Hogan —
disse Marshall a Kaseph. — Sou o redator do Clarim de Ashton... isto é,
assim que prove às pessoas certas que ainda tenho direitos de proprietário. Mas
pelo que entendo você e eu temos muito a ver um com o outro, e já era hora de nos
conhecermos.
Eugene Baylor não estava
gostando nem um pouco da cara da coisa, nem tampouco o estavam os outros.
Estavam mudos, e alguns pareciam ratos assustados que não tinham para onde
correr. Todos sabiam onde Hogan devia estar, mas agora, de súbito,
chocantemente, ele estava no pior lugar possível: ali!
Os olhos do Valente assumiram
um olhar fixo e gelado, e os demônios que o assistiam fortaleceram-se com o
pensamento de que o Valente era invencível e diabolicamente esperto. Ele
saberia o que fazer!
— Como chegou aqui?—
perguntou Kaseph por todos os presentes.
— Tomei o elevador! — foi a
resposta brusca de Marshall. — Mas agora eu tenho uma pergunta a lhe fazer.
Quero a minha filha, e a quero sã e salva. Façamos um trato, Kaseph. Onde está
ela?
Kaseph e o Valente apenas
riram zombeteiros.
— Trato, diz você? Você, um
mero homem, deseja fazer um trato comigo? — Kaseph lançou umas olhadelas
laterais à sua equipe de advogados e acrescentou:
— Hogan, você não tem idéia
do tipo de poder com que está tratando.
Os demônios também deram
risadinhas abafadas. Sim, Hogan, ninguém pode se meter com o Valente! Natã e
Armote não estavam rindo.
— Oh, não — disse Marshall. —
É aí que você se engana. Sei, sim, com que tipo de poder estou lidando. Tive
umas lições ótimas em todo este negócio, e umas boas palestras do meu amigo
aqui.
Marshall abriu a porta e Hank
entrou, juntamente com Krioni e Triskal, desta vez não sujeitos a ordens de
manter a paz.
O Valente deu um pulo, o
queixo pontudo caindo. Os demônios na sala começaram a tremer e tentaram
esconder-se atrás das espadas.
— Calma, calma! — disse um
dos advogados. — Eles nada são! Mas o Valente pôde sentir a presença do Senhor
Deus entrar no aposento com esse homem. O demônio monarca sabia quem ele era.
— Busche! O homem de oração!
E Hank soube com quem se
defrontava. O Espírito gritava muito alto no coração de Hank, e aquela cara...
— O Valente, presumo! — disse
Hank.
— Madeline, aonde estamos
indo? Por que está me agarrando tanto?
Madeline não respondia mas
continuava a puxar Sandy cada vez mais para dentro do túnel. Os amigos de
Madeline cercavam Sandy, e não pareciam nada bonzinhos ou delicados.
Empurravam-na, agarrando-a, forçando-a a continuar. Suas unhas eram afiadas.
— Você não me pode derrotar,
homem de oração! — berrou o Valente, e os demônios ao seu redor agarraram-se
com temerária esperança a essas palavras. — Você não tem poder! Eu já o
derrotei!
Marshall e Hank fincaram pé,
inflexíveis. Já haviam-se defrontado com demônios antes. Isto nada tinha de
novo ou de surpreendente.
Os advogados de Kaseph não
conseguiam pensar em nada para dizer.
Marshall estendeu a mão e
abriu a porta. Com a cabeça erguida e o rosto cheio de determinação, Susan
Jacobson, a Serva, entrou no aposento, seguida pelo irado Kevin Weed, e mais
quatro guardas bem altos. A sala estava ficando lotada e tensa.
— Olá, Alex — disse Susan.
Os olhos de Kaseph estavam
cheios de choque e temor, mas ainda assim arquejou e tartamudeou:
— Quem é você? Não a conheço.
Nunca a vi antes.
— Não diga nada, Alex —
aconselhou-o um advogado. Hank adiantou-se. Era hora da batalha.
— Valente — disse Hank em voz
firme e resoluta — em nome de Jesus, eu o repreendo! Repreendo-o e ato-o!
— Madeline! — gritou Sandy. —
Madeline, o que está fazendo? Por favor, solte-me!
Madeline mantinha o rosto
voltado para a frente e não fitava Sandy. Tudo o que a mocinha podia ver eram
os longos e caídos cabelos loiros. As mãos de Madeline eram duras e frias.
Estavam machucando os pulsos de Sandy, os dedos cravados na carne.
Sandy gritou desesperada:
— Madeline! Madeline, por
favor, pare! — De súbito, os outros espíritos guias a comprimiram por todos os
lados. Estavam prensando-a, e suas mãos de aço a feriam. — Por favor, não me
está ouvindo? Faça-os parar!
Madeline voltou a cabeça
afinal. Seu couro era cor-de-carvão e ressecado. Os olhos eram enormes globos
amarelos. O queixo era como a queixada de um leão, e saliva pingava de suas
presas. Um rosnado grave, gutural, rugiu-lhe da garganta.
Sandy gritou. De algum lugar
nessa escuridão, nesse túnel, nesse nada, nesse estado alterado, nesse abismo
de morte e engano, ela gritou da profundidade de sua alma torturada que morria.
Tal saltou da terra. Explodiu
numa rajada de asas e luz. O chão ficou para trás e a cidade tornou-se um mapa
lá embaixo, enquanto ele arremetia sobre Ashton qual cometa, perfurando as
trevas espirituais como se fosse uma seta ardente, iluminando o vale todo como
um prolongado relâmpago. Ele subiu, circulou; suas asas eram um borrão agitado
de jóias.
A trombeta foi erguida aos
lábios, e o chamado foi dado como uma onda de choque que fez tremer os céus.
Ele ecoou através do vale, e voltou, e voltou, e voltou. Em onda após onda, ele
rolou pelo chão, ensurdecendo os demônios, flutuando pelas ruas e rugindo pelas
vielas, soando em cada ouvido em torrente após torrente de notas, cada vez mais
altas e soando por mais tempo, e o ar pesado e parado foi despedaçado pelo som.
Tal tocou e tocou enquanto voava sobre a cidade, as asas refulgindo, as vestes
brilhando.
Chegara o momento.
— O que foi isso? — sibilou
ele.
Os demônios que o cercavam
estavam trêmulos e fitavam-no à procura de respostas, mas ele não tinha
nenhuma.
Os oito guerreiros celestiais
desembainharam as espadas. Era resposta suficiente.
— Eu estou falando aqui! Não
prestem atenção a nada mais!
Os demônios tentaram prestar
atenção novamente, como fizeram os médiuns que controlavam.
Pela fração de um momento, o
aperto de Madeline se enfraqueceu. Mas apenas por um momento.
Mas todos sabiam que tinham
ouvido algo.
Subitamente pequenas
explosões de luz apareceram por toda a cidade lá embaixo, clarões que não se
dissiparam mas permaneceram e cresceram em brilho. Eles engrossaram e
aumentaram em número e em densidade. A cidade estava em chamas; estava
desaparecendo sob miríades de pequeninas luzes, tão numerosas quanto grãos de
areia. Era de cegar!
Os berros lúgubres começaram
no centro da nuvem e ondularam na direção das orlas através de camada sobre
camada de demônios:
— O Exército Celestial!
Gritos estrondosos começaram
a soar no momento em que Tal pousou na sua colina e ergueu sua fulgurante
espada bem alto acima da cabeça.
— Pelos santos de Deus e pelo
Cordeiro!
Foi o que Tal bradou, foi o
que Guilo bradou, foi o que miríades dos guerreiros celestiais bradaram, e toda
a paisagem de um lado ao outro do vale, a cidade toda, e mesmo as colinas
cobertas de matas que cercavam Ashton explodiram em brilhantes estrelas.
Dos prédios, ruas, vielas,
esgotos, lagos, lagoas, veículos, salas, armários, escaninhos, frestas,
árvores, moitas e todos os outros esconderijos imagináveis, estrelas
chamejantes romperam o ar.
O Exército Celestial!
— Leve-a, Madeline! Nós a
temos! Não podemos fracassar agora. Sandy tentava sair do transe, do estado
alterado, do pesadelo, mas não conseguia lembrar-se de como fazê-lo. Ela ouviu
o tinido metálico de correntes. Não! NAAÃÃÃO...
— Cale-se e saia dele! —
ordenou Hank.
Suas palavras jogaram os
demônios contra as paredes e atingiram o Valente como um soco.
Kaseph sibilou e cuspiu
imprecações e obscenidades ao jovem ministro. Os diretores em torno da mesa
estavam mudos; alguns se esconderam debaixo da mesa. Os advogados tentavam acalmar
Kaseph.
— Quero a minha filha! —
disse Marshall. — Onde está ela?
— Está tudo acabado — disse
Susan. — Dei-lhes os documentos certos! A polícia federal está vindo para
pegá-lo, e vou-lhes contar tudo!
De trás dos outros três,
Kevin gritou:
— Kaseph, você acha que é tão
durão, vamos sair ali fora e resolver isto de homem para homem!
A nuvem descendente de
demônios e a bola de fogo ascendente de anjos principiaram a colidir nos céus
acima de Ashton. Trovão começou a fender o céu em resposta ao terrível embate
de forças espirituais. Espadas chamejavam, e uma saraivada de berros e gritos
ecoava pelo céu. Os guerreiros celestiais ceifavam as fileiras demoníacas como
borrões de foices. Os demônios principiaram a cair do céu como meteoros,
rodopiando, esfumaçando, dissolvendo.
— Eles já quase conseguiram
conter o Valente! — gritou Guilo acima do rugido do vento e das asas.
— Encontre Sandy! — ordenou
Tal. — Não há tempo a perder!
— O Valente fica por minha
conta — disse o General.
— E logo Rafar conseguirá o
que deseja — disse Tal.
Eles se espraiaram,
arrojaram-se para diante com nova velocidade, e puseram-se a cortar caminho
através dos demônios que ainda tentavam bloquear a faculdade. Os demônios
guerreiros caiam sobre eles como avalanche, mas para Guilo aquilo era bom
esporte. Tal e o General podiam ouvir suas vibrantes gargalhadas através do som
dos baques da sua lâmina, que atravessava demônio após demônio.
O próprio Tal, sendo prêmio
tão valioso para o demônio que o derrotasse, estava ocupado. Os mais horrorosos
guerreiros vinham atrás dele, e não caíam facilmente. Ele deslizou de lado pelo
ar, abateu um espírito com a espada, produziu uma nuvem com um rodopio e partiu
o próximo guerreiro com a força de uma serra. Dois outros mergulharam sobre
ele; ele arremeteu contra os dois, trespassou o primeiro ao passar por ele,
agarrou a ponta de sua asa e rodopiou em torno dele num círculo apertado,
chegando por trás do Outro, sua lâmina como uma bala. Eles sumiram numa nuvem
de fumaça vermelha. Escorregando pelas garras de diversos outros, ele mergulhou
em seguida e ziguezagueou na direção da faculdade, destroçando demônios na
passagem. Podia ouvir Guilo ainda rugindo e rindo em alguma parte acima de seu
ombro esquerdo.
— Eu sabia! Sabia! Sabia que
estávamos nos enterrando demais!
— Hogan — disse Eugene Baylor
— você está apenas blefando. Não tem nada.
— Tenho tudo e você sabe
disso.
Kaseph estava começando a
parecer muito doente.
— Saiam! Saiam daqui! Eu os
matarei se não saírem!
Era esse o verdadeiro Kaseph
que Marshall havia procurado todo aquele tempo? Era esse o implacável bandido
oculto que controlava um tão vasto império internacional? Estava ele na
realidade com medo?
— Você está frito, Kaseph! —
disse Marshall.
— Você está derrotado,
Valente! — disse Hank.
O Valente começou a tremer.
Os demônios na sala podiam apenas encolher-se.
— Então, façamos um trato —
ofereceu Marshall novamente. — Onde está a minha filha?
— Solte-me! — gritou ela. —
Solte-me!
Seus olhos estavam muito
abertos, mas o que ela via eram horrores indizíveis de outro mundo. Ela arfava,
tentando respirar, pálida de terror.
Ela vai morrer, Brummel! Eles vão matá-la!
A criatura pesada, de olhos saltados, sentada na cadeira
de Langstrat estava berrando numa voz que fazia as entranhas de Brummel
trepidarem.
— Você está perdida, Sandy
Hogan! Está em nossas mãos agora! Você nos pertence, e somos a única realidade
que conhece!
— Por favor, Deus — berrou
ela. — Tire-me daqui, por favor!
— Venha conosco! Sua mãe
fugiu, seu pai está morto! Ele se foi! Não pense mais nele! Você nos pertence!
O corpo de Sandy amoleceu na
cadeira, como se ela tivesse sido baleada. De súbito, o desespero fez com que
seu rosto se tornasse insensível.
Brummel não agüentou mais.
Antes de ter tempo de perceber o que fazia, pulou da cadeira e correu até ela.
Sacudindo-a delicadamente, ele tentou falar-lhe.
— Sandy! — implorou. — Sandy,
não lhes dê ouvidos! É tudo mentira! Está-me ouvindo? Sandy não podia ouvi-lo.
Mas Rafar podia. Langstrat
ergueu-se com um salto e berrou com Brummel na mesma voz profunda, demoníaca:
— Quieto, seu diabinho, e
saia daí! Ela me pertence! Brummel ignorou-a.
— Sandy, não dê ouvidos a esse
monstro mentiroso. É Alf Brummel quem está falando com você. Seu pai está bem.
A fúria de Rafar cresceu
tanto que o corpo de Langstrat quase explodiu com a intensidade dela.
— Hogan está derrotado! Está
na cadeia!
Brummel olhou bem nos olhos
enlouquecidos de Langstrat, e de Rafar, e gritou:
— Marshall Hogan está livre!
Hank Busche está livre! Eu mesmo os soltei! Eles estão livres, e vêm para
destruir vocês!
Rafar foi detido por um
momento. Simplesmente não podia crer nos disparates desse fracote, desse
insignificante fantoche que nunca havia agido de forma tão atrevida quanto
agora. Mas estão Rafar ouviu uma risadinha abafada muito imprópria vindo de
trás de Brummel, e viu uma cara familiar e zombeteira.
Lucius!
— Espere um pouco! O que é
isso?
— Você não é tão poderoso,
Rafar! Seu plano fracassou, e sou o único e verdadeiro Príncipe de Ashton!
A espada de Rafar retiniu ao
sair da bainha.
— Atreve-se a me enfrentar?
A espada de Rafar cortou os
ares com uma rajada de vento, mas Lucius deteve a grande lâmina com a sua; a
força do golpe quase o fez rolar.
Os muito demônios na sala
ficaram assustados e confusos. Soltaram seus hospedeiros. O que era isso?
— Parem com isso! Não me
dirão o que hei de fazer! Este mundo é meu! Quem manda aqui sou eu!
Eu digo o que é e o que não é! Essa gente toda é um bando de idiotas e
mentirosos, cada um deles!
Susan falou diretamente a
Kaseph.
— Você, Alexander Kaseph, é
responsável pelo assassínio de Patrícia Krueger e pela tentativa de assassínio
da minha pessoa e do Sr. Weed aqui presente. Tenho muitas listas que o ajudei a
compilar, listas de pessoas que acabaram mortas por ordem sua.
— Assassínio! — exclamou um
dos diretores. — Sr. Kaseph, é verdade?
— Não responda — disse um
advogado.
— Não! — berrou Kaseph.
Diversos outros diretores se
entreolharam. A esta altura, conheciam Kaseph bem o suficiente. Não
acreditaram nele.
— O que diz, Kaseph? —
perguntou Marshall sombriamente.
O Valente desejava de todo o
coração maligno investir sobre esse cão de caça atrevido e dar cabo dele, e era
o que teria feito, com guardas ou sem guardas, se não fosse por aquele
horroroso homem de oração que lhe barrava o caminho.
— Acabarei com você por esta
traição! — sibilou ela a Brummel.
— O que é isto? — exigiu
Oliver Young. — Vocês dois ficaram loucos?
Brummel fincou o pé e apontou
um dedo trêmulo a Langstrat.
— Não mandará mais em mim.
Este plano não dará certo para a sua glória. Não o permitirei!
— Cale-se, seu idiota! —
ordenou Langstrat.
— Não! — gritou Brummel,
instigado pelo endoidecido e atrevido Lucius. — O Plano está condenado.
Fracassou, como eu sabia que fracassaria.
— Traição! — sibilou Rafar. —
Pagará por sua traição!
— Traição! — gritaram alguns
demônios.
— Não, Lucius fala a verdade!
— gritaram outros em resposta.
— O que... o que lhe
aconteceu, Madeline? Por que mudou? Madeline apenas cacarejou e respondeu:
— Não acredite no que vê. O
que é o mal? Nada mais que ilusão. O que é a dor? Nada mais que ilusão. O que é
o medo? Nada mais que ilusão.
— Mas você mentiu para mim!
Enganou-me!
— Jamais fui diferente do que
sou. Foi você quem enganou a si mesma.
— O que vai fazer?
— Vou libertá-la.
No exato momento em que
Madeline proferiu essas palavras, os braços de Sandy caíram subitamente puxados
por peso tão enorme que ela quase foi ao chão.
Correntes! Elo após elo de
correntes brilhantes e pesadas, penduradas à volta de seus pulsos e braços.
Mãos retorcidas envolviam-na rapidamente. Os elos frios e contundentes batiam
contra as suas pernas, seu corpo, seu pescoço. Ela já não podia debater-se.
Tentou gritar, mas seu fôlego se fora.
— Agora você está livre! —
disse Madeline exultante.
Brummel começou a falar por
si.
— As autoridades... o
procurador geral do estado... Justin Parker. .. a polícia federal! Eles sabem
de tudo!
— O quê? — gritaram alguns
médiuns, pulando das cadeiras. Começaram a fazer perguntas, a entrar em
pânico.
Young tentava manter a ordem,
mas não estava conseguindo.
— Voltem aos seus lugares,
todos! — gritou ela. — Não cumprimos o nosso propósito aqui! — Ela fechou os
olhos e chamou:
— Rafar, por favor, volte!
Promova ordem!
— Traidor! — berrou Rafar. —
Eu o despedaçarei!
— Traidor! Eu o despedaçarei!
— Não — murmurou Brummel com
os olhos esbugalhados, a mão indo ao lado.
— Não desta vez... não mais!
Young gritou com os dois:
— Parem com isso! Não sabem o
que estão fazendo!
Os demônios dividiam-se em
facções.
— O Príncipe Lucius fala a
verdade! — diziam alguns. — Rafar nos levou à ruína!
— Não, é Lucius quem está
ajudando o inimigo!
— Vocês é que estão fazendo
isso, mas nós salvaremos a nossa pele!
Outras espadas rebrilharam à
vista.
Rafar sabia que estava
perdendo o controle.
— Tolos! — rugiu ele. — Isto
é um truque do Inimigo! Ele está tentando nos dividir!
Bastou apenas aquele breve
instante em que os olhos de Rafar se fixaram na briga de seus demônios e não na
espada de Lucius.