A Fábrica de Portas Bergen era um lugar barulhento, empoeirado,
que empregava cerca de cem pessoas, a única indústria de verdade a ser
encontrada em Baskon. Era manhã de sexta-feira, e durante o turno normal de
trabalho as plainas, as lixas, as serras e as furadeiras produziam um alarido
tão ensurdecedor que era preciso usar protetores nos ouvidos e também ler
bastante os lábios.
Ben usava protetores nos ouvidos — pequenos tampões feitos
de espuma de borracha — e também óculos de segurança ao atravessar a fabrica.
Ele nunca havia estado ali antes, e achou o lugar fascinante, com o cheiro de
pó-de-serra enchendo o ar, e portas, portas, portas por todos os cantos,
algumas empilhadas, algumas em pé, algumas sendo transportadas pela
empilhadeira rumo à plataforma de embarque; portas pequenas, portas grandes,
portas baratas, portas requintadas.
Ele percebia algumas olhadelas dos empregados ao passar
por eles. A visão de um agente policial uniformizado freqüentemente despertava
curiosidade, como se "alguma coisa" estivesse acontecendo. Ele apenas
sorriu cordialmente às mulheres avantajadas, aos homens empoeirados, aos
estudantes de tempo parcial, às mães solteiras. Reconheceu muitos deles,
inclusive Donna Hemphile, ocupada supervisionando um grande projeto de classificação
de materiais. Ela o reconheceu e acenou com a mão.
—
Ei, Ben, o que está fazendo aqui? — berrou.
—
Oh, apenas um negociozinho — respondeu ele, provavelmente não alto o bastante
para que ela ouvisse. Hesitava em falar sobre o assunto.
Um pouco adiante, no centro de todo aquele rebuliço, estava o espaço fechado
para escritório da supervisora de linha, Abby Grayson. Ela o viu através da
janela do escritório e fez-lhe um aceno. A recepção já havia ligado, e ela
esperava.
—
Saia desse barulhão e entre aqui — disse ela, escancarando a porta. Ele entrou
no pequeno cubículo e ela fechou a porta atrás dele, interceptando o ruído.
—
Sente-se — disse ela. — Você deve ser o novo tira. Acho que não nos conhecemos,
e talvez seja uma boa coisa, sabe?
Entregaram-se a apresentações amistosas. Abby era uma senhora quarentona, feia
mas bem-apessoada; ela e o marido eram pessoas que haviam realmente feito
carreira naquele lugar. Ela acabara de receber o distintivo de vinte anos de
serviço, e ele o de vinte e cinco.
—
Bem — disse ela — estamos todos muito chocados. Sally era uma boa operária.
Pena que ela não se abria um pouco mais. Achamos que podia ter problemas
sérios, mas... Olhe, tentamos fazer amizade; o que posso dizer?
—
Diversas pessoas me disseram que ela se isolava — disse Ben.
—
Sim, era quase uma eremita. Nós a convidamos para a festa de Natal do ano
passado, e acho que ela quase veio, mas então arrumou uma desculpa e ficou em
casa. Ela não saía muito, pelo que qualquer um de nós sabia.
—
Você não teria algumas fotos dela, teria?
—
Engraçado você ter mencionado isso. Acho que ela detestava ser fotografada.
Todos nós íamos posar para uma foto da companhia... Quando foi isso? Acho que
perto do começo de setembro, e lembro-me de que ela simplesmente se escondia atrás
das pessoas ou virava o rosto. É, algumas pessoas são assim.
—
E daí, que tipo de pessoa ela era realmente? Quais foram algumas de suas
impressões?
Abby tirou um momento para considerar a pergunta.
—
Ela era esperta e inteligente, boa com as mãos, e aprendeu a fazer o serviço
imediatamente, muito fácil de treinar. Mas sempre houve algo meio esquisito a
respeito dela. —Abby sorriu a um pensamento que lhe ocorreu. — Bem, acho que
agora posso dizer. Sabe... acho que ela escondia alguma coisa. Uma porção de
gente aqui pensava isso.
—
Escondendo alguma coisa? Abby abanou a cabeça e riu.
—
Oh, arrumamos todo o tipo de idéias bobas, falando de talvez ela ser uma
fugitiva da lei, ou uma ex-presa, ou uma bruxa, ou uma prostituta, ou uma
lésbica... Era muita tolice, mas quando as pessoas são tão reservadas assim,
tão quietas, a gente fica pensando sobre elas um pouco. É apenas natural.
—
E daí?
—
Daí o quê?
—
Ficou sabendo se ela era alguma dessas coisas? A mulher riu.
—
Não. Era conversa, nada além de conversa.
— Mas
mesmo assim você acha que ela escondia alguma coisa...
—
Não sei. É que ela agia como se estivesse escondendo, acho eu. Ben riu a fim de
manter a atmosfera descontraída.
—
Bem, que tal uma descrição? Que aparência tinha?
— Oh...
— Os olhos de Abby vaguearam pela sala enquanto ela reconstruía uma imagem de
Sally Roe na cabeça. — Mais ou menos da minha altura, e tenho um metro e
sessenta e sete. Cabelos ruivos... longos... eu a vi escovando-os certa vez;
chegavam até quase o meio das costas. Mas ela os mantinha presos num lenço
xadrez quando trabalhava aqui, por isso a gente nunca via muita coisa.
—
Cor dos olhos?
—
Cor dos olhos... Puxa, nunca pensei muito sobre isso. Parece-me que eram
castanhos.
—
Que idade tinha ela?
—
Trinta e tantos. Talvez um pouco mais velha.
—
E que me diz do peso?
—
Muito bom — e com esse comentário Abby riu. — Não sei, ela me parecia bem, pelo
menos o suficiente para despertar ciúmes.
Ben havia ouvido o bastante por enquanto. Pôs-se de pé.
—
Olhe, muito obrigado. Se eu tiver mais alguma pergunta darei uma telefonada.
Oh... — Ele rabiscou o número do seu telefone num pedaço de papel. — Se se
lembrar de alguma outra coisa que acha que eu gostaria de saber, pode me ligar
lá em casa. Não tem problema.
—
Claro. — Ela ergueu-se e apertou-lhe a mão. — Bem, foi um verdadeiro choque,
uma noticia realmente dura.
Ele assentiu com a cabeça.
—
E então essa notícia hoje de manhã a respeito da escola cristã e o que aquele
professor fazia. Que mundo, hein? Nunca se sabe com relação às pessoas... É
meio apavorante.
Ango não era nada importante, nada a que se curvar, adorar, venerar
ou temer. Era pequeno, fininho como uma aranha, e feio. Oh, ele sabia. Vivia
com aquilo. Ele agüentava os insultos dos outros espíritos que se faziam de
donos dele, dando-lhe todo o tipo de ordem, tomando-lhe a glória, e dando-lhe a
sua culpa. Ah, era tudo parte da guerra, tudo parte do plano do seu senhor para
a terra, e cada espírito tinha o seu próprio papel, sua própria posição, seu
próprio nível de poder. Ele sabia que a sua posição era baixa. Para o restante
do reino demoníaco, o que era a Escola de Primeiro Grau de Baskon? Que
importância tinha ao lado de todas as escolas do mundo?
Seus beiços se espicharam, abrindo-se, e os dentes pontiagudos bateram
e rangeram quando ele sibilou uma risadinha. Oh, este lugar importava sim,
agora! Os outros espíritos haviam rido e censurado, mas em certo lugar, sentado
altaneiro no pico do poder, o próprio Homem Forte havia escolhido aquele lugar
para começar o Plano. Ele havia falado o nome de Ango como o espírito que seria
colocado no comando! Agora o pequenino e feio Ango tinha o favor do Homem Forte
— e a inveja dos outros espíritos!
Mas por que não? Ele merecia. Levou anos para conseguir controlar
essa escola — para expulsar os que resistiam, implantar os simpatizantes, cegar
os pais ao que acontecia a seus filhos. Não foi trabalho fácil.
Mas aconteceu, e tudo por causa de Ango! Os outros espíritos que o chamassem de
pequeno e feio. Nessa escola, ele era Ba-al Ango, o belo e poderoso.
Todos os enganadores que esvoaçavam, chispavam e sobrevoavam aquele lugar estavam sob o seu comando, e através deles muitos dos
professores, bem como o diretor e o vice-diretor. Esse poder era precioso, uma
titilação constante, uma recompensa maravilhosa por todos esses anos e todo
esse trabalho. Sentado sobre os calcanhares na vasta cobertura de piche do
teto, ele permitiu-se o prazer de umas risadas secas, sulfurosas.
Pensava em todas aquelas crianças pequenas,
impressionáveis, sentadas em todas aquelas salas de aula lá embaixo, e o que
deviam estar aprendendo naquele exato momento. Como de costume, a maioria de
seus subalternos demoníacos se ocupava com a tarefa. Eram os melhores que
havia, e ele se deleitava com o fato de que, nos últimos anos, desde que as
leis haviam sido mudadas, seu trabalho tinha-se tornado muito mais fácil. Oh,
com que facilidade os homens podiam aceitar as mentiras mais chocantes uma vez
que a Verdade fosse tirada de consideração!
Sim, mas havia ainda uns santos de Deus corajosos
escondidos por ali como teimosas ervas-daninhas nesse jardim outrora
florescente, criando caso com seus protestos, conferências de pais e
professores, tagarelices ao telefone, e bilhetes, bilhetes, e mais bilhetes aos
professores, mas...
Ango resfolegou outra risada sulfurosa e rolou como um
cãozinho
brincalhão no piche preto. Não tinha importância. Eles perdiam. Que
protestassem. Ele tinha todo o poder ali.
Mota, alto, forte, cor de bronze escuro, ficou com a
espada na mão,
seus olhos penetrantes na Escola de Primeiro Grau de Baskon, os pés submersos
em mais de vinte centímetros de esterco de galinha. Seu amigo oriental e
companheiro de armas, Signa, estava ao lado, afundado tanto quanto ele na mesma
categoria. Não fossem eles espíritos angelicais, e teria sido muito
desagradável. Por serem, não se perturbavam com seus arredores, e as oitocentas
galinhas brancas cacarejantes não percebiam a sua presença naquele velho
galinheiro.
Era sexta-feira, e quase a hora do almoço e do recreio do meio-dia.
—
Ela está a caminho — avisou Signa.
—
Agora — disse Mota. Eles sumiram.
A sineta tocou para o almoço. Ango podia ouvir as
portas de todas as salas de aula se abrindo e as turbas de crianças enchendo os
corredores. O recreio seria uma ocasião agradável, como sempre. A corrupção que
os professores não conseguiam espalhar na sala de aula, as crianças podiam
espalhar entre si no pátio do recreio.
—
Salve! — soou uma voz retumbante atrás dele.
—
Ahhhc! — A espada de Ango foi parar imediatamente em sua mão quando ele se voltou para
enfrentar o guerreiro celestial. Oh, era um gigante! Um polinésio maciço, brilhante como
relâmpago, com asas que espalhavam o fogo do sol Sua espada estava
desembainhada, e refulgia com uma luz viva, mas ele a segurava abaixada, a
ponta descansando sobre o teto.
—
Tropas! — berrou Ango, e cinqüenta demônios surgiram através do teto como
ratazanas assustadas dando grasnados e pios de surpresa e raiva. Eles
circundaram o grande guerreiro.
—
O que o traz aqui? — exigiu Ango.
Mas Mota queria um pouco mais de espaço. Ergueu a espada,
segurou-a estirada à frente na altura da cintura, e pôs-se a brandi-la num
amplo arco circular à sua volta. Os agitados e sibilantes espíritos recuaram
quando a pontinha da espada passou debaixo de seus narizes resfolegantes.
Agora ele se sentia mais confortável, e falou.
— Procurava
uma lagartixazinha insignificante chamada... Anco... Inco...
—
Está procurando Ango!
Mota sorriu e ergueu o indicador.
—
Sim! Ingo, é isso mesmo!
—
Ango! — corrigiu o demônio.
Dois guardas estavam em seus postos ao lado da porta
principal quando Signa mergulhou do céu como uma bola de relâmpago e lançou-os por terra
apenas pela sua presença.
—
Tropas! — berraram eles, esforçando-se para colocar-se em pé, agarrando as
espadas. Vinte demônios se apresentaram imediatamente, espadas desembainhadas,
olhos pasmados fitando aquele visitante.
Um espírito explodiu da escola em pressa descuidada, não querendo
perder nada, a espada balançando, as asas farfalhando. Ele chegou perto demais
do guerreiro.
Uuuuch! A espada moveu-se tão depressa que parecia um
disco de luz. Partículas esfrangalhadas do espírito se agitaram e flutuaram em
todas as direções, deixando uma trilha de fumaça vermelha dissolvendo-se até
desaparecer. A ponta da espada estava agora posicionada e pronta para o próximo
atacante atrevido.
Ninguém se sentia tão atrevido assim. Eles permaneceram como estátuas,
os olhos naquele guerreiro. Ele também permaneceu imóvel, observando-os com os
olhos ardentes.
Sally Roe ergueu a mão e puxou o cordão da campainha. A pequena campainha
na frente do ônibus fez ding, e o motorista diminuiu para a próxima parada ao longo da Rodovia Toe
Springs-Claytonville. Ela podia ver a Escola de Primeiro Grau de Claytonville
logo adiante. Nunca tinha estado lá dentro, mas teria de dar um jeito de chegar
onde queria sem ser vista por muitas pessoas. Havia feito o máximo que podia
para parecer diferente de Sally Roe; penteara os cabelos — agora pretos — numa
trança e prendera atrás da cabeça; havia encontrado uns óculos de sol que
podiam passar por óculos normais escurecidos, embora a incomodassem; sabia que
suas velhas roupas de trabalho na fábrica não seriam uma boa idéia, por isso
dera um jeito de comprar umas roupas esportivas — calças, blusa, mocassins.
Fora isso, ela podia apenas esperar que ninguém nessa escolinha a tivesse visto
antes alguma vez ou soubesse quem ela era.
O ônibus encostou no ponto, e ela desceu bem na frente da
escola.
Mota ainda parecia incerto.
—
Não... não pode ser Ango. Não vejo ninguém aqui que corresponda ao que ouvi
falar dele. Procuro Ango, o pequeno, fraco e miserável.
Ango podia sentir os olhares fixos de seus
subordinados. Naturalmente queriam ver o que ele faria. Ele ergueu a espada, e
todos eles fizeram o mesmo. — O Ango que procura é poderoso! Ele é o Ba-al deste lugar!
—
Ba-al? — inquiriu Mota. — Um espírito com apenas metade de coração e menos
cérebro ainda?
—
Gaaaa!! — gritou Ango, elevando a espada acima da cabeça. — Eu sou Ango!
Ele fez baixar a espada num borrão vermelho, ardente. A
enorme espada do guerreiro surgiu no mesmo instante e aparou o golpe.
Mota surpreendeu-se. O demoniozinho podia golpear duro,
com força
muito maior do que havia esperado. Ele escondeu a sua preocupação, contudo, e
apenas agiu como se finalmente percebesse a quem se dirigia.
—
Ooohhhh...
—
Tropas! — berrou Ango.
Mota enfiou a espada bem debaixo do nariz de Ango.
—
Antes que você ataque... — Ango engoliu a ordem. — Gostaria de declarar o que
me fez procurá-lo.
Signa tinha a atenção dos guardas na frente da escola e de pelo menos
metade dos demônios de dentro dela.
—
E agora — disse ele — gostaríamos de dar uma olhada dentro desta escola.
Os guardas cuspiram enxofre nele, e por um momento ele
ficou cego. Ergueu a espada para defender-se e tentou limpar os olhos,
cambaleando de costas sobre o gramado da escola. Os guardas seguiram-no, empurrando-o
para trás,
abanando as espadas. Os outros espíritos sentiram nova coragem, e se achegaram
mais, sibilando, cuspindo, erguendo alto as suas espadas.
Não vigiavam a porta.
A passos enérgicos, Sally subiu a entrada da frente e passou pela
porta. O relógio no corredor principal mostrava que ela chegara na hora; eram
11:50, hora do intervalo do almoço. Agora era achar a classe da Srta. Brewer, a
Sala 105. Era ou à direita ou à esquerda, mas primeiro ela teria de passar pelo
escritório da escola. Havia uma recepcionista em pé atrás do balcão, e diversos
funcionários do escritório trabalhando em escrivaninhas atrás dela. Bem, pensou
ela, se eu simplesmente der a impressão de saber o que estou fazendo, talvez
eles não se ofereçam para ajudar-me.
Ela dirigiu-se ao corredor, passando pelo balcão de recepção, olhando
para a frente, não diminuindo a marcha, não parecendo desnorteada. Vamos lá,
Sally, mostre-se convincente.
—
Não se movam! — disse o demônio atrás do balcão. — Não cheguem perto de mim nem
mais um passo!
Chimon e Scion haviam entrado com Sally, e estavam
agora em pé
diante do balcão, as asas desfraldadas, bloqueando totalmente qualquer visão do
corredor. Suas espadas estavam desembainhadas, mas ao seu lado. Eles não
falaram, mas apenas olharam para aquela criatura limbosa berrando com eles.
—
Como foi que entraram aqui? — exigiu o demônio. — Guardas! Subitamente a lamina
ardente de Scion descansou bem entre as presas amarelas do demônio. Este achou melhor não
pronunciar nenhuma outra palavra.
A recepcionista olhou o relógio. Hmmm. A Srta. Brewer
esperava uma visita aquele dia; a recepcionista pensou ter ouvido alguém
entrar, mas não havia ninguém no corredor. Bem, a visita deve estar um pouco
atrasada.
Sally virou à esquerda no fim do corredor, desaparecendo ao
contornar o canto. Tinha de ser um milagre a mulher atrás do balcão não tê-la
visto. Oh, muito bem. Agora era encontrar a Sala 105.
Ótimo!
Ali estava a Sala 103, e agora a Sala 104, e bingo! Sala 105!
Ela se colocou no vão da porta aberta e bateu no batente.
A Srta. Brewer, a jovem e bonita professora da quarta série, ergueu-se da
escrivaninha com um sorriso de boas vindas e estendeu a mão.
—
Alô! Deve ser a Sra. Jenson!
Sally tomou-lhe a mão e respondeu agradavelmente:
—
E você deve ser a Srta. Brewer.
—
Por favor, entre.
Não posso acreditar que estou fazendo isto, pensou Sally. Ela imediatamente
parou de pensar esse tipo de coisa — poderia estragar sua encenação.
A Srta. Brewer indicou a Sally uma cadeira ao lado da escrivaninha
e em seguida encaminhou-se à estante que ficava atrás.
—
E então, como estão as coisas na Associação? Sally sentou-se e manteve os olhos
na Srta. Brewer.
—
Ora, simplesmente maravilhosas até agora. Estou realmente contente por estar
trabalhando para eles agora.
—
Bem — disse a Srta. Brewer, puxando uma pasta de folhas soltas da prateleira —
nós certamente gostamos deste currículo, e a criançada se deu muito bem com
ele. A maior parte dos nossos pais está muito satisfeita.
Ela colocou a pasta sobre a escrivaninha na frente de
Sally, e Sally sorriu ao apanhá-la. Na capa encontravam-se as palavras: "Compreensão
Sexual e Vida em Família, Quarta Série." No fim da capa encontrava-se o
nome da editora, Associação Educacional Homem Livre. Ela se pôs a folhear as
páginas.
—
Será que posso ajudá-la a encontrar o que está procurando?
—
Oh, não perca o seu horário de almoço para ajudar-me. Tenho toda uma lista de
revisões... Deixe-me ver, esta é a última edição, não é? Muito bem, isso deve
facilitar, não muita coisa para verificar de novo.
—
Exatamente qual foi o problema? Sally havia ensaiado bem a sua história.
— Bem,
as citações são razoavelmente corretas, mas as fontes não acharam que as
atribuições haviam sido especificadas com suficiente clareza, portanto agora
tenho de preparar uma resposta e... imagine só, deixei minha cópia na última
cidade. Bem, faz parte dos riscos de se viajar de cidade em cidade.
—
Entretanto, deve ser emocionante prestar assistência a tantas escolas em todo o
estado. O currículo tem sido bem recebido nos outros distritos escolares?
—
Na maioria, sim.
A Srta. Brewer parou para pensar, depois deu uma
risada, sentando-se na beirada da escrivaninha.
—
Tendo problemas com os fundamentalistas da direita? Sally devolveu a risada e
acenou que sim com a cabeça.
—
Essa é uma das razões pelas quais tenho de revisar todas as atribuições, para
ter certeza de que todas estejam cobertas legalmente.
—
Oh, que mundo! Sally arriscou.
—
Falando de problemas fundamentalistas, parece que Amber Brandon estava na sua
classe?
A Srta. Brewer sorriu curiosa.
—
Ora, como ficou sabendo?
—
Bem, a sua é a única classe de quarta série, e o jornal disse que a criança
envolvida na ação judicial estava na quarta série, e fiquei sabendo em algum
lugar que a criança era Amber, por isso...
A ex-professora de Amber assentiu com tristeza.
—
Que coisa horrível, não? Estou contente por eles estarem levando essa coisa à justiça.
Temos de pôr um paradeiro em todo esse assédio e censura. Já passou da conta.
—
Ouça, não vá perder o seu almoço por minha causa! A Srta. Brewer caminhou até à
porta.
—
Posso trazer-lhe alguma coisa?
—
Oh, não, não se preocupe comigo. Não me demorarei, de qualquer jeito.
—
Tudo bem. Não se apresse.
E dizendo isso, ela saiu e seguiu pelo corredor.
Sally esperou apenas um momento, depois fechou a pasta
e a colocou na prateleira de onde havia saído. Em seguida, olhou entre as outras pastas, livros e
materiais para achar o título que procurava. A garotada da classe havia
desenhado figuras de faces estranhas, animais esquisitos, deuses, e bizarros
personagens de desenhos animados, e os desenhos ainda estavam em exibição nas
paredes, juntamente com diversos padrões hipnotizantes e complexos de estudo. O
currículo tinha de estar ali.
Ela o encontrou.
***
Ango pôs-se a maldizer Mota enquanto seus guerreiros demoníacos se
tornavam cada vez mais corajosos.
—
Fora! Caia fora, você! Este território é nosso, e você nada tem a fazer aqui!
Mota resolveu provocar um pouquinho aquele demônio.
—
Oh, é isso o que você pensa?
Ele fez um movimento na direção do telhado, pronto a
passar através dele e invadir o quartel general dos demônios.
—
Atacar! — berrou Ango, e todos os demônios se adiantaram com ímpeto, lâminas
vermelhas rebrilhando. — liquidem-no!
Mota arremeteu rumo ao céu, atraindo uma horda de espíritos atrás de si. Ele estacou, deu um salto mortal, enfrentou-os. Sua espada tornou-se
uma fita ininterrupta de luz.
O primeiro demônio tornou-se duas metades que passaram pelos dois
lados de Mota e a seguir mergulharam no esquecimento. O segundo e o terceiro
ele espalhou a pancadas. Chutou e fez sair rolando um grupinho de oito. Mas
eles simplesmente continuavam chegando, mais e mais depressa, golpeando e
retalhando com mais e mais força. Mota havia planejado fazer uma encenação para
mantê-los no seu encalço, mas de repente descobriu que já não simulava. Essa
luta era real.
A próxima leva de espíritos jorrou para cima. Ele recuou, suas
asas estendendo-se mais e mais alto. Não podia permitir que a coisa acabasse
cedo demais, mas começava a desejar que pudesse.
A oeste, ele viu Signa envolvido no mesmo tipo de
escaramuça,
levando uns ataques sérios, brandindo rapidamente a espada e atraindo os
guardas para longe da escola. Ele recuava, prestes a ser cercado.
Chimon e Scion podiam ouvir o rebuliço por toda a parte do lado
de fora da escola. Os demônios pareciam bem exultantes.
—
IAAA! — Subitamente quatro enormes rufiões explodiram através das paredes em
todos os lados, os dentes à mostra, as garras prontas a lacerar.
Chimon e Scion arremeteram através do telhado da escola
como dois foguetes, batendo em retirada, totalmente surpresos e danados da
vida.
—
De onde foi que eles vieram?
Scion estava demasiadamente ocupado para responder. Ele
se defendia das espadas e dos dentes afiados dos atacantes. Era como escapar
para cima de uma árvore enorme acuado por matilha espumejante de cães rápidos.
Eles foram recuando, cada vez mais alto, tentando
manter-se longe daquelas lâminas vermelhas a zunir. Em que horrível situação haviam-se
metido?
As mãos de Sally tremiam e ela estava com medo de abrir o
fichário de três argolas agora em seu colo. O título parecia suficientemente
inofensivo: Descobrindo o Verdadeiro Eu — Estudos em Auto-Estima e
Realização Pessoal para Alunos da Quarta Série.
Ela voltou a capa, abrindo o fichário, e examinou
rapidamente o frontispício. Não reconheceu o nome do autor, mas o nome da
editora imediatamente revirou-lhe o estômago: Centro Ômega de Estudos Educacionais.
Com grande esforço, folheou diversas outras páginas, correndo os olhos pelo
conteúdo. Encontrou uma certa lingüeta de índice e pulou adiante para um
capítulo posterior.
O coração batia com força como se ela tivesse subido um monte
correndo, e as mãos ficassem escorregadias de suor. Estavam tremendo.
Os velhos tormentos! Sua mente começava a disparar novamente.
Ela podia ouvir as vozes chamando, zombando, xingando. Havia espíritos na sala!
Ela tinha de sair dali.
Carregou o fichário à prateleira e tentou colocá-lo de volta. Um
grande atlas caiu, tapando o buraco. Quase choramingou alto enquanto os dedos
se enterravam no atlas caído, tentando agarrá-lo. Ela o ergueu, ele escorregou
dos seus dedos, ela ergueu-o de novo, tentou segurá-lo no lugar enquanto
enfiava o fichário ali O fichário ficou preso a um gordo envelope amarelo e não
entrava; ela empurrou o envelope de lado com a palma da mão.
O fichário escorregou no lugar. Assim que seus dedos o largaram, a
náusea que sentia começou a melhorar.
Tenho de sair daqui. Agora mesmo!
Disparou para o corredor e depois correu rumo à entrada norte, saindo com
fúria como se estivesse fugindo de um incêndio.
Acima e à volta de toda a escola, os demônios acabavam de voltar de
gloriosa debandada. Haviam enfim expulsado aqueles irritantes guerreiros dos
Céus, e agora o território do glorioso Ango estava seguro novamente.
Bem alto acima da escola, a uma distância segura, Mota, Signa,
Chimon e Scion se reuniram para atualização mútua.
—
O que aconteceu lá em baixo? — quis saber Chimon.
—
Ango e seus demônios nunca foram tão fortes assim! — disse Signa, ainda
esfregando os olhos para livrá-los do enxofre ardido.
Scion examinava um corte de bom tamanho na perna
enquanto disse:
—
Fizemos todos papel de bobos ao nos meter nessa pensando apenas em criar uma
distração. Eles não brincavam!
Lá embaixo, parecendo tão pequenina quanto um inseto no vasto
terreno verde, Sally corria de volta à Rodovia Toe Springs — Claytonville. Provavelmente
correria até o ponto seguinte do ônibus ao invés de esperar em frente da escola
onde poderia ser vista. Pelo menos cinco espíritos insultantes, torturadores, a
seguiam, zumbindo em torno de sua cabeça como marimbondos zangados.
—
Eles a seguirão até seu próximo destino — disse Signa.
—
Quando estiverem longe deste lugar, daremos um jeito neles — disse Mota. — Não
podemos lutar com eles aqui.
—
Cree e Si já estão em Ômega. Não têm a menor idéia do que os aguarda! Todos
eles sabiam qual era o problema sem que ninguém tivesse de dizer. Por fim, Mota disse.
—
A cobertura de oração. Estamos perdendo-a!
Tom Harris empurrou seu carrinho de supermercado para
cima e para baixo dos comedores no supermercado Bom Preço, fazendo suas rondas
semanais. Havia certa dificuldade com sua lista de compras; com Rute e Josias
longe, ele não tinha certeza sobre quais itens precisaria repor e quais deveria
esquecer por enquanto. Ele riscou o cereal para o café da manhã — ainda havia
bastante em casa. O leite na geladeira já azedava. Resolveu jogá-lo na pia e
apenas comprar um litro hoje ao invés dos quatro litros de sempre.
—
Ei, Sr.Harris!
Oh! Era Jody Jessup, uma alunazinha da quinta série. Era estranho vê-la no
supermercado durante o horário das aulas, mas Tom normalmente também não ia lá
durante o horário de aulas. De qualquer forma, ele ficou contente em ver o sorriso
alegre da garotinha de novo.
—
Oi, Jody! Como vai?
Ela veio correndo pelo corredor, passando pelos flocos
de milho e de aveia, os longos cabelos castanhos voando.
—
Estou com minha mãe. Vim ajudar a fazer as compras.
Ela recostou-se contra o lado dele, e ele deu-lhe um
aperto em torno dos ombros.
—
Bem, é ótimo ver você.
—
Parece esquisito o senhor não estar mais na escola. Tom concordou.
—
É, parece mesmo.
Então veio uma voz alarmada da outra ponta do corredor.
—
Jody! Venha cá!
Era Andrea Jessup, mãe de Jody, empurrando seu carrinho de compras, com o
irmão mais novo de Jody, Brian, ao seu lado. Tom ficou chocado e incrédulo ante
a frieza em seus olhos.
Ele acenou.
—
Oi, Andrea. Prazer em vê-la. Oi, Brian! Andrea ignorou-o.
—
Jody! Venha cá agora mesmo! Não quero vê-la falando com o Sr. Harris! — Jody
apressou-se em voltar para junto da mãe. Andrea inclinou-se e ganiu a ordem
diretamente no rosto da menina. — Você fica comigo agora e não fala com
estranhos!
Jody começou a protestar:
—
Mas é o Sr. Harris!
—
Não discuta comigo!
E então desapareceram à volta do canto; Tom podia ouvir sua
conversa percorrendo o outro corredor.
—
Fique longe daquele homem — dizia a mãe. — Não chegue nem perto dele! E isso
vale para você também, Brian!
Brian começou a fazer perguntas, mas Andrea silenciou as duas
crianças e continuou pelo corredor.
A vida de Tom estacou, bem ali ao lado dos cereais para
o café
matutino.
Os Jessups costumavam ser tão bons amigos, e
apoiavam-no tanto! Ele havia jantado com eles em diversas ocasiões, brincado
com seus filhos, ido Junto com eles em excursões de toda a escola. Jody e Brian
eram — costumavam ser — dois de seus melhores alunos.
Acabou. Tudo havia mudado. Tom tentou pensar em um bom
motivo, mas não
conseguiu. Tentou pensar no que comprar a seguir, mas não conseguiu pensar
nisso também.
Senhor, orou ele em silêncio finalmente, não fiz nada! Por que Andrea me
tratou desse jeito?
Então ele pôs-se a imaginar quantos outros de seus próprios
irmãos e irmãs no Senhor sentiam-se da mesma forma com relação a ele.
Andrea continuou empurrando o seu carrinho, agarrando
picles e condimentos das prateleiras, mal olhando o que pegava, e continuando em
frente. Ela queria sair desse lugar antes que visse aquele homem novamente,
antes que seus filhos o vissem. Ela jamais havia ficado tão aborrecida com alguém em
toda a sua vida. Que cara de pau!
Um espiritozinho, Contenda, seguia Andrea. Tinha asas
nervosas, agitadas, que nunca paravam de tremer, e uma boca clangorejante que
mais do que compensava o tamanho. Ele correu pelas tampas dos vidros e caixas,
transpondo os biscoitos água e sal e saltando por cima das toalhas de papel.
Ele mentiu a você o tempo todo! gritou ele à mulher. E sabe, o Pastor
Mark está mentindo também, tentando protegê-lo! Você não sabe metade do que
acontecia naquela escola!
Do outro lado do corredor, correndo através da farinha de trigo e do
açúcar e dando saltos mortais por cima do óleo de cozinha, Mexerico preenchia
todas as pausas de Contenda. Sexual! Ele tem problema com sexo! Tem de ser
sexual! É melhor você perguntar por aí para descobrir se alguém sabe alguma
coisa! Nunca se sabe a respeito dessa gente! Fale com Judy Waring! Ela poderia
saber!
Andrea foi ficando mais enraivecida, quanto mais
pensava em todo esse escândalo da escola cristã. Aquele Tom Harris precisa de
oração, pensou ela.
Mas ela não tinha estado orando muito.
As orelhas de Mulligan estavam tão vermelhas que quase
resplandeciam.
—
Cole! desta forma você corre o risco de ser despedido!
Mulligan se alteava sobre a escrivaninha de Ben como
uma árvore
podre prestes a desabar, e Ben sentia que devia erguer-se a fim de evitar ser
esmagado, exceto que Mulligan poderia interpretar esse movimento como sendo
agressivo.
Mulligan apontou o dedo — este também parecia um tanto vermelho — bem ao rosto
de Ben.
—
Você esteve lá no sítio dos Potters outro dia?
— Quarta-feira
à tarde, senhor — replicou Ben, notando que havia chamado Haroldo de
"senhor". Puxa, devo estar amedrontado.
—
E quem foi que lhe disse para ir lá?
—
A visita foi voluntária, senhor. Eu tinha um certo tempo livre, por isso...
—
Por isso achou que xeretaria por lá sem autorização, não é verdade? Ben inspirou
e depois expirou lentamente antes de dizer outra palavra.
Ele tinha de tomar cuidado porque estava transtornado.
—
Não era do meu conhecimento, senhor, que a residência dos Potters fosse terreno
proibido para um agente da lei, especialmente quando sua presença ali ocorreu
com o pleno convite e boas vindas da própria Sra. Potter.
—
Então o que me diz daquela visitinha à fabrica de portas? Que me diz dela?
—
Eles não acharam ruim de eu ter ido lá.
—
E eu digo que abusou do seu distintivo. Agora Ben colocou-se de pé, alto e
ereto.
—
O senhor talvez se interessasse em saber o que descobri, Sargento Mulligan, senhor.
— Se
for a respeito de Sally Roe, pode esquecer! Esse caso está encerrado porque eu
disse que estava!
—
As descrições de Sally Roe que obtive da Sra. Potter e de Abby Grayson na
Fábrica de Portas Bergen foram coerentes. Sally Roe tinha trinta e tantos anos
de idade, cerca de um metro e sessenta e sete, com longos cabelos ruivos.
—
E daí?
—
A mulher que encontramos no barracão das cabras era mais jovem, e tinha cabelos
pretos, provavelmente até os ombros, não mais compridos que isso.
Mulligan sorriu um sorriso de piedade. Ele colocou sua
grande mão no
ombro de Ben e falou em tom condescendente.
—
Cole... deixe disso. Estava escuro lá dentro. Você viu o corpo por apenas um
segundo. Não sei que bicho o picou.
—
Haroldo... por que a casa foi saqueada? Você autorizou aquilo?
—
Claro que sim. Eles procuravam evidência.
—
Evidência do quê? Você disse que foi suicídio.
—
Procedimento padrão. Seu turno já não está terminando?
—
Eu tenho uma mensagem para você da Sra. Potter. Ela gostaria que quem fez
aquela bagunça desse um jeito nela.
—
Já cuidei disso... Sua cabecinha não precisa preocupar-se.
—
E o que aconteceu com a caminhonete de Sally Roe? Mulligan olhou para ele de
maneira apenas um tantinho esquisito.
—
Que caminhonete?
—
Sally Roe sempre dirigia uma caminhonete azul, ano 65. Deixei a Sra. Potter
repassar nosso álbum de identificação de veículos ontem, e ela indicou a marca
e modelo para mim. A caminhonete não está em parte alguma da propriedade. Roe
deve tê-la dirigido do trabalho para a casa na noite em que supostamente se
matou. Acho que a mesma gente que saqueou a casa pode ter dado um sumiço na
caminhonete.
Mulligan ficou um pouco preocupado.
—
Não sei coisa alguma a respeito.
—
E já que estamos falando nisso, ainda estou pensando naquela blusa suja de
sangue que encontramos. O legista chegou a verificar o tipo do sangue? A cena
estava cheia de sinais de violência. E o corpo... Aquela mulher não se
enforcou!
Mulligan voltou as costas a Ben, dirigiu-se pisando
duro até seu
escritório, e voltou com alguns papéis na mão. Ele deu com os papéis na
escrivaninha de Ben.
—
Aí! está o relatório do legista municipal sobre a morte de Sally Roe! Leia você
mesmo! Morte por asfixia de enforcamento. Nada de homicídio, nada de uma luta,
nada de nada! Agora, se não concorda com o legista, por que não descobre outro
corpo para ele examinar?
—
Pode ser que haja mesmo.
Mulligan chegou a agarrar a camisa de Ben em seus
punhos. Seus olhos estavam desvairados, e ele sibilou as palavras através do queixo travado de
raiva.
— Pare
aí mesmo! Nem mais uma palavra! — Ben nada disse, mas também não voltou atrás.
Mulligan não gostou nem um pouco. — Seu turno terminou por hoje, agente Cole, e
se eu ouvir mais uma palavra sobre isto de sua parte, seu emprego vai
terminar, entendeu bem?
Mulligan soltou o uniforme de Ben com um empurrãozinho agressivo. Ben fez
o que pôde para tirar as rugas.
— Estarei de olho em você, cara, e quero dizer realmente de olho. Desista desse negócio da Sally Roe, ouviu? Mais um passo em falso que dê e vou ter um prazer imenso em arrancar esse distintivo do seu peito!