A maior parte do pessoal estava fora realizando trabalhos
nesse dia. Mas havia um jovem de plantão, chamado Jim, e ele dispunha de tempo
para atender-me.
Disse-lhe que eu estava faminto do poder de ser testemunha,
faminto de falar acerca de Jesus com outras pessoas. Contei-lhe que eu havia
saído do mundo das trevas, do mundo da alta administração, do mundo da indústria,
onde todos nos brindávamos com bebidas até à morte se tivéssemos sorte bastante
de morrer antes de desintegrar-nos por um ataque cardíaco ou por um colapso
nervoso. Eu havia encontrado Jesus, portanto tinha uma resposta para meus
colegas no mundo dos negócios, e ansiava por falar-lhes sobre o assunto, mas simplesmente
não podia. Não podia contar-lhes a respeito de Jesus. Eu estava simplesmente
entalado, com a língua presa. Não tinha liberdade de comunicar-lhes Jesus. Em
realidade, eu sentia um sério bloqueio em minha capacidade de comunicar
qualquer coisa, e isso desde quando eu era bem jovem. Na faculdade, não era capaz
de pôr-me em pé e recitar. Por isso eu tirava notas baixas em minha
participação nas atividades da classe; embora eu soubesse as respostas, não era
capaz de transmiti-las.
De modo que nesse dia Jim me falou do poder do Espírito Santo
para comunicar o amor de Deus aos outros, e nos assentamos ali fora, no pátio
de trás, e ele me explicou o significado dos versículos que eu tinha lido no
Novo Testamento.
Contou-me como faltava esse poder na igreja de Éfeso, e
Paulo foi lá para descobrir o motivo. “Recebestes, porventura, o Espírito Santo
quando crestes?” perguntou-lhes. E lhe disseram que nem mesmo tinham ouvido
jamais de tal coisa. Então Paulo impôs as mãos sobre eles, e receberam o
Espírito Santo.
Eu sabia que ele falava de algo de que eu precisava, porque
o Espírito dentro de mim confirmava o testemunho daquele jovem.
Depois de haver-me explicado as Escrituras, Jim disse:
— Gostada que eu orasse a seu favor, para que o senhor
receba de Jesus este batismo no Espírito Santo?
O senhor é candidato a esse batismo?
— Sou candidato a qualquer coisa que Jesus tenha para
oferecer-me — respondi.
E ele fez-me mais uma pergunta:
— 0 senhor quer tudo quanto Deus tem para o senhor, segundo
as condições dele?
— Certamente que sim — disse-lhe.
Ele chegou perto de minha cadeira e colocou as mãos sobre
minha cabeça. E fez uma oração simples: “Senhor, batiza o Haroldo em teu
Espírito Santo. Assume o comando de sua vida. Faze-o uma testemunha.
Encarrega-te por completo de seus negócios. E, Senhor, se ele não estiver
seguro de que deseja que faças isto, faze-o assim mesmo. Agora, Senhor, dou-te
graças por batizares meu irmão em teu Espírito Santo, concedendo-lhe todos os
dons de que ele necessita para servir-te.
Amém.”
Então, enquanto ainda conservava as mãos sobre minha cabeça,
começou a orar numa língua que me era estranha. Eu não sabia que língua era;
sabia apenas que não era sua língua materna. Ele era de Lumberton, na Carolina
do Norte, e suspeitei que não devia ser versado em muitas línguas estrangeiras,
mas esta — qualquer que fosse ela — tinha um belo som.
Esse foi o fim. Esperei que acontecesse algo — que eu sentisse
uma onda a percorrer-me o ser, que sinos tocassem, que ouvisse música
angelical, que pousasse fogo sobre minha cabeça; nada, porém, aconteceu, tanto quanto
me lembro, exceto que tive uma sensação geral de liberdade, de paz como antes
não havia sentido.
— Em realidade, não sinto nada diferente
— disse a Jim.
— Espere um minuto. 0 senhor foi salvo porque sentiu alguma
coisa? Ou porque creu na Palavra de Deus?
Ocorre a mesma coisa com qualquer dom que Deus tem para seu
povo. O senhor recebe mediante a fé; então vai e atua como quem a tem, e
descobrirá que a possui — disse-me ele,
Acreditei em suas palavras, e disse: “Graças te dou, Jesus,
por me batizares em teu Espírito Santo.”
Jim aconselhou-me a voltar para casa, ler a Bíblia e louvar
a Deus. “Não. cesse de louvá-lo” , disse-me.
No percurso para casa, tive um estranho sentido de antecipação
de que algo estava por acontecer. Deitei-me, e durante a noite algo aconteceu.
Não entrarei em pormenores, porque o leitor poderia buscar uma experiência exatamente
igual à minha. E Deus já preparou uma para você.
Seja como for, quando despertei, pensei que estivera sonhando.
“Foi realmente um sonho”, pensei. Mas depois vi que não foi sonho, porque Atos
1:8 era real — ainda constava de minha Bíblia. E o poder veio sobre mim. Eu o
sentia em mim, como fortes ondas de eletricidade, como ondas de energia
celeste. E era exatamente isso. Minha língua soltou-se. Comecei a louvar a
Jesus. Podia dizer: “Louvado seja Jesus.
Obrigado, Jesus, por minha salvação. Agradeço-te, Jesus, Jesus,
a vida eterna. Graças te dou, Jesus, pelo que és. Aleluia!”
E no mesmo instante eu podia dizer que havia algo mais,
diferente também. Outrora eu tinha orado, confessando que não sentia amor algum
por outras pessoas e pedia a Jesus que me permitisse conhecer seu amor a elas,
que deixasse que esse amor fluísse por meu intermédio. Quando me levantei
naquela manhã, sentindo o amor de Deus sobre mim, senti seu amor também — seu
amor a todos. Era como amor líquido, derramando sobre mim, e eu amava a todos
que me passavam pelo pensamento, amava-os com o amor do próprio Deus.
Mal eu podia tocar o chão naquele dia. O poder e o amor se
tornaram de tal modo intensos, que eu disse:
“Senhor, podes baixar um bocadinho, não demais, apenas o
suficiente de sorte que eu possa permanecer aqui na terra e descobrir o que
está acontecendo?”
Eu sabia que tinha recebido o batismo no Espírito Santo, e
dificilmente podia esperar para ver se o poder que eu sentia em realidade iria
funcionar quando eu tentasse dar testemunho.