Em seus ensinos, Jesus não especificou como seria a
organização da Igreja, nos diversos lugares por onde seu evangelho haveria de
promover a conversão de muitas pessoas pelo poder do Espírito Santo. Ele
garantiu que haveria de edificar a sua Igreja e “as portas do inferno não
prevaleceriam contra ela” (Mt 16.18). E a Igreja cresceu e se expandiu pelo
mundo todo. E seu crescimento demandou o estabelecimento de medidas e
providências jamais experimentadas por qualquer organização humana.
Para começar o grandioso trabalho, só restavam onze
apóstolos. Judas, o traidor, perecera de maneira trágica, indo para “o seu
próprio lugar” (At 1.25). A equipe de Jesus era pequena e diminuíra. Mas a obra
precisava ser feita. Em lugar de Judas foi eleito Matias, que tomou “o seu
bispado” (At 1.20). (Esse texto mostra que o apóstolo também era bispo). Resolvido
o problema da substituição de Judas, os apóstolos encetaram a grande missão de
prosseguir com a obra de Jesus. No cenáculo, receberam o poder do Alto, sendo
batizados com o Espírito Santo. Com a pregação cheia de unção, quase três mil
novos crentes agregaram-se ao pequeno grupo de cristãos (At 2.37-41).
0 crescimento vertiginoso trouxe diversos problemas. Entre
os conversos, havia pessoas de outros lugares, além de judeus. Os problemas não
tardaram a surgir. O evangelista Lucas, escritor dos Atos dos Apóstolos,
registrou o que ocorria naqueles dias, quando a comunidade cristã cresceu
grandemente, e surgiram diversos problemas, inclusive de ordem social (cf. At
6.1-7). E os líderes da Igreja resolveram reunir a assembleia e buscar a
solução para o atendimento social aos irmãos carentes. A tarefa era um grande
desafio. Ou eles cuidavam da evangelização e do discipulado, ou cuidavam da
parte social.
Por decisão sábia e unânime, escolheram sete homens, com
qualidades exemplares, para cuidarem daquele “importante negócio”, que era dar
assistência aos novos convertidos nas suas necessidades básicas. Muitos que
aceitavam a Cristo ficavam em situação difícil, rejeitados por suas famílias,
expulsos de casa e desprezados da sociedade. Assim, ante uma crise de caráter
humano, os apóstolos tiveram que tomar medidas que serviram de base para a
criação do cargo ou da função de diácono que faz parte, até hoje, do ministério
ordenado, nas igrejas cristãs.
1 - A DIACONIA DE JESUS CRISTO
Diaconia significa “ministério, serviço”. Jesus Cristo foi
exemplo para a Igreja em todos os aspectos. Em sua Diaconia, Ele foi
“apóstolo... da nossa confissão” (Hb 13.1). Foi profeta (Lc 24.19); foi evangelista
(Lc 4.18-19); foi Pastor (Jo 10.11) e também foi diácono. Ele demonstrou seu
caráter e sua personalidade, dando exemplo de humildade. Para cumprir sua
missão sacrificial em favor dos homens, Jesus despojou-se temporariamente de
sua glória plena (Jo 17.14). Paulo diz que Ele assumiu a forma de servo, mais
que isso, a forma de “escravo”. Jesus, “... sendo em forma de Deus, não teve
por usurpação ser igual a Deus. Mas aniquilou-se a si mesmo, tomando a forma de
servo, fazendo- se semelhante aos homens-, e, achado na forma de homem,
humilhou-se a si mesmo, sendo obediente até à morte e morte de cruz” (Fp 2.6-8
— grifo nosso). A expressão “tomando a forma de servo”, “significa aparecer em
uma condição humilde e desprezível”.
II - A INSTITUIÇÃO DOS DIÁCONOS
1. A INSTITUIÇÃO DOS DIÁCONOS
O ministério ou serviço dos diáconos surgiu a partir de uma
bênção, de um problema e de uma murmuração. A bênção foi o crescimento
extraordinário dos que criam em Jesus e o aceitavam como Salvador, deixando o
judaísmo e outras religiões e tornavam-se cristãos. O problema foi causado pela
situação social de muitos que aceitavam a fé, especialmente envolvendo viúvas
dos gregos ou gentios, que aceitavam o evangelho. A murmuração foi a reclamação
desses, que se julgavam discriminados pelos líderes da Igreja, em relação ao
atendimento de suas necessidades básicas. Diz o texto:
“Ora, naqueles dias, crescendo o número dos discípulos,
houve uma murmuração dos gregos contra os hebreus, porque as suas viúvas eram
desprezadas no ministério cotidiano. E os doze, convocando a multidão dos
discípulos, disseram: Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e
sirvamos às mesas. Escolhei, pois, irmãos, dentre vós, sete varões de boa
reputação, cheios do Espírito Santo e de sabedoria, aos quais constituamos
sobre este importante negócio. Mas nós perseveraremos na oração e no ministério
da palavra. E este parecer contentou a toda a multidão, e elegeram Estêvão,
homem cheio de fé e do Espírito Santo, e Filipe, e Prócoro, e Nicanor, e Timão,
e Pármenas e Nicolau, prosélito de Antioquia; e os apresentaram ante os
apóstolos, e estes, orando, lhes impuseram as mãos. E crescia a palavra de
Deus, e em Jerusalém se multiplicava muito o número dos discípulos, e grande
parte dos sacerdotes obedecia à fé” (At 6.1-7 — grifo nosso).
Mas os líderes da Igreja foram sábios. Não procuraram
resolver tamanha questão sozinhos. Reuniram a multidão, em assembleia, a
eclésia, e elegeram sete homens com qualidades exemplares sobre aquele
“importante negócio”, para que os líderes pudessem perseverar “na oração e no
ministério da palavra”. Na maioria das igrejas, os diáconos estão desviados da
função para que foram instituídos, que foi cuidar da assistência social dos
carentes. Mas sua escolha é de grande valor para o funcionamento ministerial
das igrejas cristãs.
III - O Perfil do Diácono
Na conceituação de “diáconos”, vimos que, além de serem
considerados “servos”, “serviçais”, e até “escravos”, há também a conceituação
de “ministros”. Paulo considerou a si próprio e a Apoio como “ministros” de
Cristo. “Pois quem é Paulo e quem é Apoio, senão ministros pelos quais crestes,
e conforme o que o Senhor deu a cada um?” (1 Co
3.5 — grifo nosso). Na verdade, eles eram diáconos da igreja
em Corinto, usados por Deus para a ministração da palavra aos crentes daquela
igreja local.
1. QUALIFICAÇÕES DO DIÁCONO
Os diáconos tiveram papel muito honroso nos primórdios da
Igreja. Os bispos e os diáconos eram líderes da igreja. Paulo usou o termo
diáconos como favorito para si e para seus cooperadores (cf. Rm 16.1; 1 Co
3.5 — “ministros”; Cl 1.23 — “ministro”; Cl 4.7 — “fiel
ministro”). Todos esses termos correspondem a “diácono”. Além das qualidades
exigidas em Atos 6.1-7, Paulo indica outros importantes requisitos para o
diaconato. Após enumerar as qualificações para bispo ou presbítero, Paulo
aproveita o ensino para discorrer sobre as qualificações dos diáconos ou
ministros que serviam nas igrejas. E o faz de modo imediato, sem lacuna ou
pausa em sua ministração, dizendo que os diáconos, “da mesma sorte” que os
bispos ou presbíteros, deveriam ter as seguintes qualificações (1 Tm 3.8-10,
11-13):
1) “Sejam honestos”. Isso significa que devem ser “honrados,
dignos, corretos, íntegros”. Corresponde à “boa reputação”, indispensável ao
indicado para diácono, quando houve sua instituição (At 6.3); nas igrejas,
hoje, os diáconos recolhem dízimos e ofertas; alguns são tesoureiros, em
congregações ou igrejas. Se forem desonestos, podem cair no laço do Diabo de
roubarem até os dízimos, como já aconteceu em várias ocasiões. Para sua
maldição (Zc 5.3,4).
2) “Não de língua dobre”. Isto é, que não sejam homens de
duas palavras, ou de “duas caras”; que diz uma coisa sobre um assunto, e diz
outra coisa sobre o mesmo problema. Jesus disse: Seja, porém, o vosso III - O
Perfil do Diácono
Na conceituação de “diáconos”, vimos que, além de serem
considerados “servos”, “serviçais”, e até “escravos”, há também a conceituação
de “ministros”. Paulo considerou a si próprio e a Apoio como “ministros” de
Cristo. “Pois quem é Paulo e quem é Apoio, senão ministros pelos quais crestes,
e conforme o que o Senhor deu a cada um?” (1 Co
3.5 — grifo nosso). Na verdade, eles eram diáconos da igreja
em Corinto, usados por Deus para a ministração da palavra aos crentes daquela
igreja local.
1. QUALIFICAÇÕES DO DIÁCONO
Os diáconos tiveram papel muito honroso nos primórdios da
Igreja. Os bispos e os diáconos eram líderes da igreja. Paulo usou o termo
diáconos como favorito para si e para seus cooperadores (cf. Rm 16.1; 1 Co
3.5 — “ministros”; Cl 1.23 — “ministro”; Cl 4.7 — “fiel
ministro”). Todos esses termos correspondem a “diácono”. Além das qualidades
exigidas em Atos 6.1-7, Paulo indica outros importantes requisitos para o
diaconato. Após enumerar as qualificações para bispo ou presbítero, Paulo
aproveita o ensino para discorrer sobre as qualificações dos diáconos ou
ministros que serviam nas igrejas. E o faz de modo imediato, sem lacuna ou
pausa em sua ministração, dizendo que os diáconos, “da mesma sorte” que os
bispos ou presbíteros, deveriam ter as seguintes qualificações (1 Tm 3.8-10,
11-13):
1) “Sejam honestos”. Isso significa que devem ser “honrados,
dignos, corretos, íntegros”. Corresponde à “boa reputação”, indispensável ao
indicado para diácono, quando houve sua instituição (At 6.3); nas igrejas,
hoje, os diáconos recolhem dízimos e ofertas; alguns são tesoureiros, em
congregações ou igrejas. Se forem desonestos, podem cair no laço do Diabo de
roubarem até os dízimos, como já aconteceu em várias ocasiões. Para sua
maldição (Zc 5.3,4).
2) “Não de língua dobre”. Isto é, que não sejam homens de
duas palavras, ou de “duas caras”; que diz uma coisa sobre um assunto, e diz
outra coisa sobre o mesmo problema. Jesus disse: Seja, porém, o vosso para o
ministério ou diaconia, se foi vítima de uma infidelidade conjugal. Se for o
causador da infidelidade fica desqualificado para o diacona- to. O radicalismo
não constrói bom entendimento das Escrituras. Um diácono não pode ser bígamo ou
infiel.
8) Que ‘‘governem bem seus filhos e suas próprias casas”. A
exemplo dos bispos ou presbíteros, os diáconos também devem ser bons donos de
casa, bons esposos e bons pais; que saibam cuidar de seus filhos, para poderem
cuidar das atividades que lhes forem confiadas na casa de Deus.
Após enumerar essas qualificações para o diaconato, Paulo
conclui, dizendo que os que as possuírem alcançam uma avaliação positiva para
servirem na igreja: “Porque os que servirem bem como diáconos adquirirão para
si uma boa posição e muita confiança na fé que há em Cristo Jesus” (1 Tm 3.13).
2. O TRABALHO DOS DIÁCONOS
Em sua origem, os diáconos foram instituídos para cuidar da
assistência social aos irmãos carentes, especialmente das viúvas (At 6.1). Com
as qualificações já vistas, os diáconos poderão realizar diversas tarefas, na
Casa do Senhor, com dignidade, cuidado e zelo, “de todo o coração, como ao Senhor,
e não aos homens” (Cl 3.23). A função principal dos diáconos, atualmente, é
auxiliar o pastor ou ao dirigente da congregação, nas atividades espirituais,
ligadas ao culto ou não, bem como nas atividades sociais e materiais da igreja,
para as quais for designado.
O diácono pode sentar-se no espaço do púlpito, pregar ou
ensinar, quando confiado para tal, desde que não prejudique a sua função
primordial. Diante de uma função tão importante, o diácono deve conhecer bem a
história e a cultura da igreja local; conhecer as doutrinas ensinadas. No seu
trabalho, pode realizar as seguintes tarefas:
1) Auxiliar na filantropia: visita a enfermos, necessitados.
É tarefa de grande valor espiritual, que contribui para melhorar o atendimento
a essas pessoas, comunicando as necessidades observadas ao pastor ou ao
dirigente da congregação. O Manual do Diácono sugere várias ações
filantrópicas: “campanha do agasalho”; “campanha do material escolar”;
“campanha missionária”, em prol dos missionários; “promoção de empregos” (p.
104,105). O diácono pode exercer uma tarefa importante na área da assistência
social. Jesus deu grande valor à filantropia (ler Mt 25.34-44); normalmente,
quem faz essa tarefa são as irmãs das “comissões de visitas”, como verdadeiras
diaconisas.
2) Auxiliar na visita aos desviados e novos convertidos. E
função do mais alto valor no auxílio ao pastor da igreja. Um diácono pode
coordenar esse trabalho, levantando os endereços e a situação espiritual dos
desviados e dos novos convertidos,' auxiliando o Discipulado.
3) Servir na distribuição do pão e do vinho, na Ceia do
Senhor.
Nessa ocasião, ter consciência de que está desempenhando uma
elevada função, de caráter espiritual, fazendo-o com todo o respeito e
reverência.
4) Recolher as contribuições para a obra do Senhor. Os
diáconos devem recolher com zelo e cuidados os dízimos e ofertas para o
trabalho do Senhor. Para tanto, precisam ser dizimistas fiéis.
5) Auxiliar na boa ordem do culto. Os diáconos poderão ser
designados para se postarem junto às portas principais da igreja, a fim de
manter a boa ordem do culto, evitando a correria de crianças, os grupos de
conversa, aos lados da igreja, bem como outros comportamentos inadequados.
6) Auxiliar na segurança do templo, durante as reuniões. Os
diáconos poderão se designados para ficar em lugares estratégicos, observando o
movimento das pessoas, principalmente de estranhos, a fim de coibir
comportamentos prejudiciais, como assédio sexual, namoros no templo ou ao seu
redor.
7) Realizar outras tarefas para as quais forem convocados.
Os diáconos poderão auxiliar, quando convocados, para ajudar na zeladoria do
templo, abrindo e fechando portas e janelas, desligando ventiladores e
aparelhos eletrônicos; movimentando bancos e cadeiras; efetuando a limpeza e a
manutenção do templo, quando houver necessidade que justifique tal trabalho.
3. QUALIFICAÇÕES PARA DIACONISAS
De modo incomum, Paulo insere, em 1 Timóteo 3.11,
qualificações relativas a “mulheres”, equiparando-as aos diáconos em suas
qualificações. Diz o apóstolo: “Da mesma sorte as mulheres sejam honestas, não
maldizentes, sóbrias e fiéis em tudo” (1 Tm 3.11 — grifo nosso). Por que Paulo
fez essa inserção? Quem seriam essas mulheres? Seriam as mulheres em geral?
Certamente, não, pois o contexto anterior e posterior refere-se aos diáconos.
São as esposas dos diáconos? Poderiam ser.
Mas há uma terceira interpretação, a de que Paulo se refere
a mulheres diaconisas, visto que o assunto em apreço são as qualificações para
o diaconato. A expressão “da mesma sorte” dá a entender que se tratam de
mulheres que devem ter as mesmas qualificações para a diaconia. Seriam
diaconisas. E suas qualificações teriam que ser as mesmas, exigidas para os
diáconos (“da mesma sorte...”), destacando apenas quatro:
1) “Honestas”. Qualidade idêntica à que se exige dos
diáconos, no que tange à integridade, honradez, decoro, decência, dignidade.
Mulheres “sérias no seu viver” (Tt 2.4).
2) “Não maldizentes”. No original, maldizente é diabolos,
que tem o sentido de acusar, caluniar, difamar, falar com malícia. As mulheres
cristãs, em função de diaconia, ou não, jamais devem emprestar sua boca para
caluniar, difamar ou falar mal da vida de quem quer que seja.
3) “Sóbrias”. Qualificação idêntica que se exige do bispo ou
do diácono. É ser moderada, contida, comedida, simples, sem exageros; essa
sobriedade deve ser cultivada no falar, no agir, no modo de vestir, de entrar e
sair, diante da igreja, para que não deem motivo para murmurações ou críticas.
4) “Fiéis em tudo Fiel é aquele “Que guarda fidelidade, que
cumpre seus contratos: fiel a suas promessas. Constante, perseverante”
(Dicionário Aurélio online). Uma serva de Deus, que executa importante
trabalho, na igreja, precisa ter essa qualidade cristã. Fiel na igreja, fiel em
casa, fiel com o esposo, com os filhos, ou com os de fora. Assim fazendo,
glorificará a Deus com sua vida.
Tradicionalmente, as igrejas cristãs em geral não consagram
mulheres a diaconisas. Mas, nos últimos anos, é grande o número de igrejas que
o fazem, dando às mulheres a oportunidade de servirem como diaconisas. Nas
epístolas, vemos exemplo bem marcante de que, na Igreja Primitiva, havia
diaconisa. Um exemplo significativo é o de Febe. Escrevendo aos romanos, Paulo
faz recomendação especial acerca dela: Recomendo-vos, pois, Febe, nossa irmã, a
qual serve na igreja que está em Cencreia, para que a recebais no Senhor, como
convém aos santos, e a ajudeis em qualquer coisa que de vós necessitar; porque
tem hospedado a muitos, como também a mim mesmo” (Rm 16.1,2).
Conclusão
O diácono é um oficial da igreja que pode exercer diversas
tarefas, todas muito importantes, nas igrejas locais. Não deve ser considerado
um “subalterno” dos “superiores” da igreja. Os diáconos foram instituídos para
cuidar de “importante negócio”, quando a comunidade cristã cresceu e surgiram
problemas que demandavam atenção e cuidado, principalmente quanto aos
necessitados e carentes sociais. Hoje, eles são utilizados em trabalhos
diferentes, mas seu valor deve ser considerado pela liderança das igrejas. Em
sentido lato, todos somos diáconos, pois todos somos servos de Deus.