sábado, 24 de abril de 2021

Vaso para honra - 08 - A Natureza Pecaminosa



Capítulo 8

A Natureza Pecaminosa


          Ao viajar pelos Estados Unidos e pelo mundo afora, tenho notado que os cristãos, em toda parte, parecem carecer de uma boa compre­ensão do que eu chamo de "nossa natureza pecaminosa". Esta guerra espiritual em que estamos envolvidos é muito real, mas devemos enca­rar a nossa própria responsabilidade diante de Deus. Nós não pode­mos colocar a culpa de todos os nossos pecados em Satanás ou nos demônios, Nós somos totalmente responsáveis diante de Deus por controlar a nós mesmos e por deixar de pecar.
          Quando Adão caiu em pecado, toda a sua descendência herdou dele a natureza decaída.
          "Portanto, assim, como por um só homem entrou o peca­do no mundo, e pelo pecado, a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porque todos peca­ram." (Romanos 5:12)
          "Pois assim como, por uma só ofensa, veio o juízo so­bre todos os homens para condenação, assim também, por um só ato de justiça, veio a graça sobre todos os homens, para a justificação que dá vida. Porque, como, pela desobediência de um só homem, muitos se torna­ram pecadores, assim também, por meio da obediência de um só, muitos se tornarão justos."(Romanos 5:18-19)

          O que é, exatamente, "natureza pecaminosa"? É o desejo quase contínuo de pecar que satura cada parte de nós. Andrew Murray descre­ve-a da seguinte maneira:
            "Todo o poder do pecado operando em nós nada mais é do que o seguinte: ao herdarmos a natureza decaída de Adão, nós herdamos a sua tendência à desobediência. Por nossa própria escolha tornamo-nos "filhos da deso­bediência". É claro que a única obra para a qual Cristo foi necessário foi a de remover essa desobediência - a sua maldição, o seu domínio, a sua natureza maligna e as suas obras más. A desobediência foi a raiz de todo o pecado e de toda a miséria. O primeiro objetivo de sua salvação foi cortar a raiz maligna e restaurar o homem ao seu destino original - uma vida em obediência ao seu Deus". (The Believer's Secret of Obedience [A Obediência, o Segre­do do Crente], por Andrew Murray, Bethany House Publishers,p.25.)

          Paulo a descreveu assim:
          "Porque não faço o bem que prefiro, mas o mal que não quero, esse faço. Mas, se eu faço o que não quero, já não sou eu quem. o faz, e sim o pecado que habita em mim. Então, ao querer fazer o bem, encontro a lei de que o mal reside em mim. Porque, no tocante ao homem interior, tenho prazer na lei de Deus; mas vejo, nos meus membros, outra lei que, guerreando contra a lei da mi­nha mente, me faz prisioneiro da lei do pecado que está nos meus membros." (Romanos 7:19-23)
          É claro que o desejo de pecar ainda está presente, enquanto a mente deseja obedecer a Deus. O pecado é uma parte integral de nós. Isso é o que eu chamo de nossa "natureza pecaminosa". As Escrituras refe­rem-se a esta natureza pecaminosa de diferentes maneiras. Algumas vezes ela é chamada de nosso "velho homem".
          ''Sabendo isto: que foi crucificado com ele o nosso ve­lho homem, para que o corpo do pecado seja destruído, e não sirvamos o pecado como escravos." (Romanos 6:6)
          "Agora, porém, despojai-vos, igualmente, de tudo isto: ira, indignação, maldade, maledicência, linguagem obs­cena do vosso falar. Não mintais uns aos outros, uma vez que vos despistes do velho homem com os seus feitos e vos revestistes do novo homem que se refaz para o pleno conhecimento, segundo a imagem daquele que o criou." (Colossenses 3:8-10)
          Algumas vezes, as Escrituras chamam esta natureza pecaminosa de nossa "carne", ou nossa "natureza carnal".
          "Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te li­vrou da lei do pecado e da morte. Porquanto o que fo­ra impossível à lei, no que estava enferma pela carne, isso fez Deus enviando o seu próprio Filho em seme­lhança de carne pecaminosa e no tocante ao pecado; e, com efeito, condenou Deus, na carne, o pecado, a fim de que o preceito da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espíri­to. Porque os que se inclinam para a carne cogitam das cousas da carne; mas os que se inclinam para o Espíri­to, das cousas do Espírito. Porque o pendor da carne dá para a morte, mas o do Espírito, para a vida e paz. Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estar. Portanto, os que estão na carne não podem agra­dar a Deus" (Romanos 8:2-8)
          O pecado está entranhado intimamente em todo o nosso ser - cor­po, alma e espírito. Eis alguns versículos que mostram claramente a extensão com que o pecado se apossou de nós.

Corpo
          "Desventurado homem que sou! Quem me livrará do cor­po desta morte?" (Romanos 7:24)

Alma
          "Enganoso é o coração, mais do que todas as cousas, e de­sesperadamente corrupto; quem o conhecerá? Eu, o Senhor, esquadrinho o coração, eu provo os pensamen­tos; e isto para dar a cada um segundo o seu proceder, se­gundo o fruto das suas ações." (Jeremias 17:9-10) "Por isso, o pendor da carne é inimizade contra Deus, pois não está sujeito à lei de Deus, nem mesmo pode estará  (Romanos 8:7)

Espírito
          "Ou supondes que em vão afirma a Escritura: E com ciúme que por nós anseia o Espírito, que ele fez habitar em nós?" (Tiago 4:5)
          "Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus." (2 Coríntios 7:1)

E, finalmente:
          "O mesmo Deus da paz vos santifique em tudo; e o vosso espírito, alma e corpo sejam conservados íntegros e ir­repreensíveis na vinda de nosso Senhor Jesus Cristo." (1 Tessalonicenses 5:23)

          Estas passagens mostram claramente que as três áreas do nosso ser - corpo, alma e espírito - estão afetadas pelo pecado. Todas as três áreas têm de ser limpas por nosso Senhor Jesus Cristo. Mas nós lida­mos com o pecado dia a dia na maioria das vezes com a nossa mente consciente. Creio que não teremos um entendimento completo do ter­rível efeito que esta natureza pecaminosa teve sobre nós, até receber­mos os nosso corpos glorificados e sermos libertos do pecado para sempre!
          Sim, os demônios nos seduzem a pecar, mas, em última análise, a decisão é nossa. Nós optamos por pecar! Portanto, quer os demônios estejam dentro de nós ou nos afligindo do lado de fora, nós somos intei­ramente responsáveis diante de Deus por tudo o que fazemos. Você pode ter certeza que os demônios compreendem a nossa natureza peca­minosa muito bem. E por isso que podem manipular-nos tão bem. A Bíblia está cheia de versículos que nos conclamam enfaticamente a combater o nosso desejo natural de fazer as coisas que são erradas.
          "Portanto, também nós, visto que temos a rodear-nos tão grande nuvem de testemunhas, desembaraçando-nos de todo peso e do pecado que tenazmente nos asse dia, corramos, com perseverança, a carreira que nos está pro­posta." (Hebreus 12:1)
          "Considerai, pois, atentamente, aquele que suportou tamanha oposição dos pecadores contra si mesmo, para que não vos fatigueis, desmaiando em vossas almas." (Hebreus 12:3-4)
         
          Você alguma vez já parou para pensar por que as Escrituras têm tantas passagens dizendo-nos para deixarmos de pecar? Bem, em pri­meiro lugar, Deus é completamente santo e justo. Ele não pode permi­tir que o pecado permaneça. É por isso que Jesus morreu na cruz -para pagar o preço de nossos pecados, para Deus não ter que nos dar ajusta punição e destruição que merecemos por eles. A punição defi­nitiva para o pecado é ser banido da presença de Deus para sempre.
          Entretanto, muitas pessoas caem na armadilha de pensar que, para o crente, uma vez salvo, os pecados não mais são importantes. Paulo abordou este assunto de forma bem direta:
          "Que diremos, pois? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como vi­veremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?"  (Romanos 6:1-2)

          A verdadeira razão pela qual é tão importante retirarmos o pecado da nossa vida é porque o pecado nos separa de Deus. Você quer mais abundância em sua vida? Então ponha o pecado fora da sua vida!
          "Finalmente, irmãos, nós vos rogamos e exortamos no Se­nhor Jesus que, como de nós recebestes, quanto à maneira por que deveis viver e agradar a Deus, e efetivamente estais fazendo, continueis progredindo cada vez mais." (1 Tessalonicenses 4:1)
         
          "Pois esta é a vontade de Deus: a vossa santificação, que vos abstenhais da prostituição; que cada um de vós saiba possuir o próprio corpo em santificação e honra, não com o desejo de lascívia, como os gentios que não conhecem a Deus". (1 Tessalonicenses 4:3-5)

          As Escrituras são claras. A única forma de ter um relacionamento íntimo com Deus e viver uma vida de abundância em Cristo Jesus, é parar de pecar!
          De fato, há um conceito muito impopular, sobre o qual devemos pensar com muita seriedade. Nós temos de dar prova de nós mesmos diante de Deus. Temos de demonstrar obediência e fé. Jesus aprendeu a obediência através do sofrimento. Será que podemos fazer menos do que isso?
          "Embora sendo Filho, aprendeu a obediência pelas cousas que sofreu e, tendo sido aperfeiçoado, tornou-se o Autor da salvação eterna para todos os que lhe obedecem"  (Hebreus 5:8-9)

          Os fatos, nus e crus, são estes: nós não podemos progredir em nosso crescimento no Senhor sem primeiro darmos prova de que somos obedientes e fiéis, colocando o pecado fora da nossa vida. Este é um dos erros mais graves nos ensinos atuais sobre o Espírito Santo. Quantas pessoas prometem acesso instantâneo ao grande poder em Cristo. Nós recebemos este tipo de poder somente quando damos prova de que somos fiéis. Considero, de fato, surpreendente a quantidade de poder que Deus dá aos novos cristãos. Mas não há alternativas para o processo de refinamento e crescimento. Este processo continuará en­quanto vivermos, mas atingiremos um ponto em que muito caminho já foi percorrido. A parábola do homem que foi a um país distante para ser coroado rei aplica-se aqui. Vamos dar uma olhada nela.
          "Certo homem nobre partiu para uma terra distante, com o fim de tomar posse de um reino e voltar. Chamou dez servos seus, confiou-lhes dez minas e disse-lhes: Negociai até que eu volte. Mas os seus concidadãos o odiavam e enviaram após ele uma embaixada, dizendo: Não queremos que este reine sobre nós. Quando ele voltou, depois de haver tomado posse do reino, mandou chamar os servos a quem dera o dinheiro, a fim de saber que negócio cada Um teria conseguido. Compareceu o primeiro e disse: Senhor, a tua mina rendeu dez. Respondeu-lhe o senhor: Muito bem, servo bom; porque foste fiel no pouco, terás autoridade sobre dez cidades. Veio o segundo, dizendo: Senhor, a tua mina rendeu cinco. A este disse: Terás autoridade sobre cinco cidades. Veio, então outro, dizendo: Eis aqui, Senhor, a tua mina, que eu guardei embrulhada num lenço. Pois tive medo de ti, que és homem rigoroso; tiras o que não puseste e ceifas o que não semeaste. Respondeu-lhe: Servo mau, por tua própria boca te condenarei. Sabias que eu sou homem rigoroso, que tiro o que não pus e ceifo o que não semeei; por que não puseste o meu dinheiro no banco ? E, então, na minha vinda, o receberia com juros. E disse aos que o assistiam: Tirai-lhe a mina, e dai-a ao que tem as dez. Eles ponde­raram: Senhor, ele já tem dez. Pois eu vos declaro: a todo o que tem dar-se-lhe-á; mas ao que não tem, o que tem lhe será tirado. Quanto, porém a esses meus inimigos, que não quiseram que eu reinasse sobre eles, trazei-os aqui e executai-os na minha presença." (Lucas 19:12-27)
         
          Nesta parábola, o homem que partiu para ser coroado rei é Jesus. Nos somos seus servos, que ficaram, aguardando a sua volta. A per­gunta é esta: seremos servos fiéis e úteis ao nosso Rei? É somente na medida em que dermos prova de que somos fiéis que receberemos mais poder e autoridade de Cristo. Muitos cristãos pensam somente nos benefícios que podem receber de Deus. Nunca param para pen­sar que estão aqui para ser servos. O Senhor Jesus deixa bem claro que os servos têm de dar prova de si mesmos antes de receberem mais poder e autoridade. O mesmo se aplica hoje.
          Infelizmente, muito do ensino moderno tenta passar à margem des­se tempo de prova e de crescimento. Não é para tentarmos evitar o doloroso processo de aprendizado! Cada servo de Deus nas páginas das Escrituras passou por esse processo. Estou convencida de que esta é a razão por que tantos na liderança caem. São-lhes confiadas posições de liderança muito rapidamente. Foi por isso que Paulo escreveu a Timóteo que:
          "A ninguém imponhas precipitadamente as mãos. Não te tornes cúmplice de pecados de outrem. Conserva-te a ti mesmo puro." (1 Timóteo 5:22)

          "É necessário, portanto, que o bispo seja irrepreensível, esposo de uma só mulher, temperante, sóbrio, modesto, hospitaleiro...; não seja neófito (um crente novo), para não suceder que se ensoberbeça e incorra na condena­ção do diabo." (1 Timóteo 3:2-6)

          "Semelhantemente, quanto a diáconos, é necessário que sejam respeitáveis... Também sejam estes primeiramente experimentados (postos à prova); e, se se mostrarem ir­repreensíveis, exerçam o diaconato." (1 Timóteo 3:8-10)

          As Escrituras não poderiam ser mais claras. Quem quer que venha a ser colocado em posição de autoridade no reino de Deus tem de pri­meiro dar provas de ser fiel, obedecendo a Deus e colocando o peca­do fora de sua vida. Isso leva tempo. As Escrituras não especificam quanto tempo - é diferente para cada pessoa - mas leva algum tempo.
          Em minha própria vida, passei por cinco anos sendo provada pelo fogo antes do Senhor me chamar para começar a atuar neste ministé­rio, e então passei por mais cinco anos de provas ainda mais intensas antes que o meu primeiro livro fosse publicado. Isso totaliza dez anos de intensa preparação e de provas por que passei. Tive que dar pro­vas de que era fiel e obediente. Dou graças por esse período de pro­vas porque me deu uma profunda estabilidade no Senhor, que eu não poderia ter obtido de nenhuma outra maneira.
          A nossa autoridade sobre o reino de Satanás aumenta à medida em que dermos prova de sermos firmes e fiéis. Temos de ser fiéis no pouco antes de podermos ser fiéis no muito. Creio que cada novo crente rece­be autoridade em Cristo sobre os demônios que nele se encontram, mas não deve começar de imediato a lidar com os demônios em outros. Ele ainda não teve tempo de crescer ou de dar provas de si mesmo.
          O meu coração entristece-se, pois vejo isso acontecendo com os que saíram do Satanismo. Com grande freqüência, eles são logo levados a dar o seu testemunho público, etc. O orgulho espreita à porta! Eles passam por um ataque tão terrível que não têm condições de ficar firmes.
            O meu conselho é este: "Humilhai-vos na presença do Senhor, e ele vos exaltará." (Tiago 4:10). Caminhe em silêncio diante do Se­nhor e aprenda as lições que ele quer que você aprenda. Dê provas de ser fiel e obediente. Não importa quão grande seja a tentação, nunca permita que um novo cristão seja colocado num lugar em que seja alvo das atenções, publicamente. Você só irá contribuir para a destruição dele, se fizer isso.
          Nosso Senhor é muito bondoso. Ele permite que lhe façamos algum trabalho, especialmente compartilhando o evangelho, mesmo quando ain­da somos bebês em Cristo, quando estamos aprendendo a dar os primei­ros passos. Ele faz isso para nos encorajar. Mas temos de estar dispostos a passar pelo processo de treinamento e de provas. Se não estivermos, então ele nunca poderá nos usar plenamente, como deseja. Somente po­demos ensinar eficazmente as lições que nós mesmos já aprendemos!
          Você não crescerá nem será aprovado enquanto continuar a permitir o pecado em sua vida. Deus de tal maneira desejou que nós fôssemos limpos do pecado que deu a sua própria vida em favor da nossa puri­ficação. Nós também temos de desejar com o mesmo ardor ser livres do pecado, de maneira a estarmos dispostos a sacrificar qualquer coisa, não importa quão doloroso isso possa ser, para pôr o pecado fora de nossa vida!
          Muito bem, agora sabemos que devemos parar de pecar. Mas per­manece ainda em nós a terrível luta que Paulo descreveu (mencionada anteriormente neste capítulo), em Romanos, capítulo 7. Como é que, então, podemos ter vitória nessa luta contra a nossa natureza pecami­nosa? A resposta é simples. Temos de ter mais poder que nossa natu­reza pecaminosa, ou nunca a poderemos vencer. Onde conseguir tal poder? Eu creio que a resposta está nos seguintes versículos:
          "Agora, pois, já nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus. Porque a lei do Espírito da vida, em Cristo Jesus, te livrou da lei do pecado e da morte." (Romanos 8:1-2)

          Jesus nos libertou do poder do pecado quando morreu na cruz. Quan­do o recebemos como Senhor, Salvador e Mestre, essa libertação tor­na-se disponível para nós. Nós ainda não recebemos tudo o que Deus prometeu nos dar. Quando Cristo retornar, cada um de nós receberá o restante do que Deus prometeu em nossa redenção. Receberemos um novo corpo físico glorificado, exatamente como o que Jesus recebeu. E, o melhor de tudo - a nossa natureza pecaminosa será removida, de forma que nunca mais teremos que lutar novamente com ela!
          "Pois a nossa pátria está nos céus, de onde também aguardamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, o qual transformará o nosso corpo de humilhação, para ser igual ao corpo da sua glória, segundo a eficácia do poder que ele tem de até subordinar a si todas as cousas."
(Filipenses 3:20-21)

          Esta é a nossa gloriosa esperança. Um dia nós nunca mais teremos desejo de pecar, e estaremos continuamente na presença do Senhor, e o conheceremos face a face! Como eu anseio por esse dia! Mas, en­quanto isso, devemos engajar-nos na batalha contra o pecado.
          O caminho para a vitória sobre o pecado em nossa vida tem, na verdade, dois aspectos. O primeiro e mais importante meio de alcan­çar a vitória é através da operação do Espírito Santo em nossa vida. O segundo aspecto é mencionado em Romanos. Primeiramente vou abor­dar a segunda parte da solução.
          "Porque os que se inclinam para a carne cogitam das cousas da carne; mas os que se inclinam para o Espí­rito, das cousas do Espírito." (Romanos 8:5)

          Posto de forma simples, quanto mais tempo estivermos, dia a dia, lendo a Bíblia, pensando na palavra de Deus (que é a Bíblia), e pen­sando em Deus, mais vitória teremos sobre a nossa natureza pecami­nosa. O rei Davi aprendeu esta lição, assim como Josué, antes dele.
          "De que maneira poderá o jovem guardar puro o seu caminho? Observando-o segundo a tua palavra. De todo o coração te busquei; não me deixes fugir aos teus man­damentos. Guardo no coração as tuas palavras, para não pecar contra ti." (Salmo 119:9-11)

          Deus ordenou a Josué:
          "Não cesses de falar deste livro da lei; antes, medita nele dia e noite, para que tenhas cuidado de fazer segundo tudo quanto nele está escrito; então, farás prosperar o teu caminho e serás bem-sucedido." (Josué 1:8)

          Pois é, há uma coisa na Bíblia que a torna diferente de qualquer outro livro do mundo. Ela é, literalmente, viva! Ela é viva porque ela é Deus falando conosco.
          "Porque a palavra de Deus é viva, e eficaz, e mais cortan­te do que qualquer espada de dois gumes..." (Hebreus 4:12)

          Nenhum outro livro ou página impressa em todo o mundo tem o poder que só a Bíblia tem. Quanto mais saturarmos toda a nossa vida e a nossa mente com as Escrituras, mais poder teremos para viver em obediência a elas, colocando assim o pecado fora da nossa vida. Entretanto, precisamos estudar a Bíblia para obedecê-la.
          "Se você se acostumar a estudar a Bíblia sem um sério e claro propósito de obedecê-la, você estará se firmando na desobediência. Nunca leia a Palavra de Deus concernente a qualquer aspecto da sua vida sem estar sinceramente decidido a obedecê-la imediatamente, pedin­do a Deus graça para fazê-lo. Deus nos deu a sua Palavra para nos dizer o que ele quer que façamos, e para nos mostrar a graça que ele proveu para nos capacitar para isso. Como é triste quando alguém pensa que é uma atitude piedosa simplesmente ler a Palavra, sem um sério esforço para obedecê-la! Que Deus nos guarde desse terrível pecado! Que tenhamos como um hábito sagrado dizer a Deus: 'Se­nhor, tudo o que eu sei ser a tua vontade, obedecerei imediatamente!' Sempre leia com um coração rendido à obediência voluntária." (The Believer's Secret of Obedience [A Obediência - O Segredo do Cren-te], por Andrew Murray, Bethany House Publishers, p. 46)

          Você já notou como é difícil pegar a Bíblia para lê-la se você deixou que se passassem alguns dias sem a ler? Oh, quão rapidamente a nossa  natureza pecaminosa ganha força se nós não a mantivermos sob controle! O apóstolo Paulo fez uma declaração profunda sobre isso, depois de muitos anos no ministério:
          "Mas esmurro o meu corpo e o reduzo à escravidão, para que, tendo pregado a outros, não venha eu mesmo a ser desqualificado'." (1 Coríntios 9:27)

          Sou muito grata ao Espírito Santo por ter feito com que Paulo escrevesse  isso! Tem-me sido de grande ajuda saber que até o apóstolo Paulo  teve uma luta com a sua natureza pecaminosa por toda a sua vida.
          Eis aqui um pequeno teste para você. Quantas vezes no dia você pensa em Deus, ou nas Escrituras, ou fala com Deus? Com que freqüência você pára, avaliando o que está acontecendo com você, ou o que você está fazendo, à luz das Escrituras? Você deveria fazer isso quase que continuamente.  Se você fizer isso, você verá que toda a sua vida mudará.
          Há uma pureza tão grande nas Escrituras! Sempre que estou trabalhando  com pessoas que abandonaram o Satanismo, ouço e vejo coisas  terríveis. O pecado e as perversões na vida dessas pessoas são incríveis. Vejo que preciso continuamente voltar a minha mente às Escrituras, e que, à medida em que faço isso, a Palavra de Deus traz uma pureza maravilhosa à minha mente. Aqueles de nós que foram chamados  por Deus para trabalhar em áreas onde têm de lidar com pessoas envolvidas com perversões assim tão terríveis têm que manter toda a atenção para continuamente limparem a mente com a Palavra de Deus. Se não o fizermos, estaremos prontos para cair.
          Assumir o controle da nossa mente é realmente um ponto "chave" para ter vitória sobre o pecado. Este é o significado daquela passagem em Romanos 8:5. Quanto mais estivermos com a nossa mente nas coisas de Deus, menos pecaremos.
          "E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente..." (Romanos 12:2)
          "... e levamos cativo todo pensamento à obediência de Cristo" (2 Coríntios 10:5 - EC)

          O normal para um cristão deveria ser viver de tal forma que pecasse muito raramente! Foi por isso que o apóstolo João escreveu assim:
                   "Filhinhos meus, estas cousas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo." (1 João 2:1)

          Se você não tem agido assim, permita-me recomendar-lhe que leia com muito cuidado o capítulo intitulado "O Homem de Ânimo Dobre" em meu segundo livro, "Prepare-se para a Guerra", sobre a questão de levar cativo todo pensamento. Nós não podemos ter vitória  sobre o pecado em nossa vida a menos que disciplinemos a nossa mente e façamos cativo cada pensamento, para fazê-los obedientes à vontade de Cristo.
          Entretanto, saturar sua vida com a Palavra de Deus, embora seja útil e necessário, não é, por si só, a resposta completa. Nós também temos que ter poder. Esse poder provém do Espírito Santo.
          "Mas eu vos digo a verdade: Convém-nos que eu vá, por­que, se eu não for, o Consolador não virá para vós outros; se, porém, eu for, eu vo-lo enviarei." (João 16:7)
          "...porque Deus é quem efetua em vós tanto o querer como o realizar, segundo a sua boa vontade." (Filipenses 2:13)
         
          É somente com a ajuda do Espírito Santo que nós podemos vencer a nossa natureza pecaminosa e parar de pecar. Lembra-se de que eu acabei de dizer que havia duas partes na solução do problema de como controlar a nossa natureza pecaminosa? Controlar os nossos pensamentos  e saturar a nossa mente com a Palavra de Deus é a primeira parte; e o poder do Espírito Santo, que habita em nós, é a segunda. Temos de fazer as duas coisas. Quanto mais eu vivo nesta caminhada com o meu Senhor, mais percebo a minha total incapacidade de lutar com o pecado e de deter o pecado em minha vida!
          Mas, louvado seja Deus, o poder do Espírito Santo capacita-me para a vitória. Veja João 16:7, citado acima. Quando Jesus estava aqui na terra, em forma física, seus discípulos o seguiram fielmente e Jesus ministrou a cada um deles diariamente. Mas eles caíam várias vezes. Por quê? Porque, não importa quão fiéis ou diligentes eles fossem, eles não tinham, dentro de si mesmos, poder sobre sua natureza pecaminosa.
          Assim, apesar de estarem na presença do próprio Deus, eles caíam em falta de fé e em pecado, repetidas vezes! Por isso foi necessário que Jesus dei­xasse a terra. Quando Jesus não estava mais na terra em forma corpórea, ele pôde enviar o Espírito Santo para operar em seus discípulos, a partir do seu interior. Jesus tornou isso possível pagando o preço por nossos pecados na cruz.
          Quando somos purificados de nossos pecados, então o próprio Deus, na forma do Espírito Santo, pode entrar em nós e trazer o poder de que necessitamos para vencer o pecado!
          Se você nunca se pôs de joelhos e pediu ao Pai para enchê-lo completamente com o seu Espírito Santo, para dar-lhe poder para deixar de pecar, você precisa fazer isso. Mas trata-se de uma rua de mão dupla. Quanto mais você saturar a sua mente com a Palavra de Deus e puser o pecado para fora de sua vida, mais liberdade o Espírito Santo terá de operar em sua vida com poder. Por favor, não caia na armadi­lha de pensar que tudo o de que você precisa é do Espírito Santo, e de que não precisa fazer nada por si mesmo. Isso simplesmente não c verdade. Tiago resume tudo isso de uma forma bem simples:
          "Portanto, despojando-vos de toda impureza e acúmulo de maldade, acolhei, com mansidão, a palavra em vós implantada, a qual é poderosa para salvar a vossa alma. Tomai-vos, pois, praticantes da palavra e não somente ouvintes, enganando-vos a vós mesmos. Porque, se al­guém é ouvinte da palavra e não praticante, assemelha-se ao homem que contempla, num espelho, o seu rosto natural; pois a si mesmo se contempla, e se retira, e para logo se esquece de como era a sua aparência. Mas aquele que considera, atentamente, na lei perfeita, lei da liber­dade, e nela persevera, não sendo ouvinte negligente, mas operoso praticante, esse será bem-aventurado no que realizar." (Tiago 1:21-25)

          "Assim, também a fé, se não tiver obras, por si só está morta. Mas alguém dirá: Tu tens fé, e eu tenho obras; mostra-me essa tua fé sem as obras, e eu, com as obras, te mostrarei a minha fé. Crês tu que Deus é um só? Fa­zes bem. Até os demônios crêem, e tremem. Queres, pois, ficar certo, ó homem insensato, de que a fé sem as obras é inoperante?'' (Tiago 2:17-20)

          Temos, hoje em dia, caído com muita freqüência na armadilha de buscarmos apenas sinais e prodígios. É por isso que há tantos livros nas prateleiras cristãs sobre "como curar", "como realizar milagres", etc. Deus está muito mais interessado em nossa obediência diária e em nosso andar fiel do que em realizar milagres, sinais e maravilhas! Com muita freqüência, os cristãos hoje em dia estão caindo em enga­no e aceitando contrafações demoníacas como sendo sinais e milagres de Deus.
          Você não pode ter verdadeiros sinais e maravilhas do Espírito Santo em sua vida sem andar por um caminho de obediência e disciplina, colocando o pecado fora da sua vida.
          O Espírito Santo é um auxílio maravilhoso para nós na luta contra o pecado. Peça ao Senhor para chamar sua atenção àqueles versículos das Escrituras que se aplicam particularmente aos pecados que você comete mais comumente. Então, memorize esses versículos e peça ao Espírito Santo para trazê-los à sua mente quando você estiver para cometer um pecado. O Espírito Santo sabe tudo o que iremos fazer, antes que o façamos. Ele monitora tudo o que fazemos. Ele pode aju­dar-nos a parar de pecar.
          Vou dar-lhe um exemplo da minha própria vida. Há uns dois anos, duas mulheres jovens vieram morar conosco (comigo e com Elaine) por uns poucos meses. Elas foram chamadas por Deus para ajudar-nos em nosso ministério, mas não estavam dispostas à rígida disciplina necessária em nossa vida. Elas acabaram voltando-se contra mim, e passaram a a espalhar mentiras a meu respeito para outras pessoas que me conheciam. Eu estava ficando um tanto irritada com toda essa situação. Um fim de semana, durante o meu tempo de devoção ao Senhor, comecei a ler as cartas escritas por Pedro. Cheguei a 1 Pedro 2:21-23. Enquanto eu lia esses versículos, o Espírito Santo falou-me muito claramente:
          "Memorize estes versículos!" - disse ele. "E, cada vez que estiver para pecar a esse respeito, eu os trarei de volta à sua mente consciente".
          Eis aqui os versículos que memorizei:
          "Porquanto para isto mesmo fostes chamados, pois que também Cristo sofreu em vosso lugar, deixando-vos exem­plo para seguirdes os seus passos, o qual não cometeu pecado, nem dolo algum se achou em sua boca; pois ele, quando ultrajado, não revidava com ultraje; quan­do maltratado, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga retamente." (1 Pedro 2:21-23)

          Como dá para ver, esta passagem disse-me que, mesmo que aque­las duas estivessem dizendo toda sorte de mentiras a meu respeito, eu não deveria defender-me, mas perdoá-las e entregar toda a questão nas mãos do Senhor.
          Bem, eu pedi a elas que saíssem de casa, mas o Senhor as impediu totalmente de fazer isso, por três longos meses. Você tem alguma idéia de quantas vezes o Espírito Santo teve que trazer de volta esses versículos à minha mente, durante aqueles três meses? Mas, por ter esses versículos em minha mente, isso impediu-me de pecar naquela situação. Louvado seja Deus! O Espírito Santo será um grande auxílio para você, se tão somente você o obedecer.
          Há um princípio muito importante que quero dar-lhe. A raiz de todo pecado é estar centrado em si mesmo. Oh, como amamos pensar em nós mesmos! A raiz de toda doença mental é o pecado de estar centrado em si mesmo. A característica de quem é "doente mental" ou que tem muitos problemas em sua vida é que se recusa a pensar em qualquer outra coisa ou pessoa que não em si mesmo. Note que eu disse que a pessoa "se recusa", e não que "é incapaz de".
          As pessoas mentalmente doentes optam por ser mentalmente doentes, na maior parte das vezes. Oh, elas usam a desculpa das rejeições e das feridas do passado. Mas pare para pensar por um minuto. Alguém já sofreu mais rejeição e dor do que Jesus? Não! Em que terrível situação estaríamos nós se Jesus deliberadamente tivesse gasto o seu tempo em autopiedade, e ficasse considerando e reagindo à dor e à rejeição que ele sofreu!
          As pessoas, em sua maioria, quer sejam classificadas como doentes mentais ou não, gastam a maior parte do seu tempo pensando em si mesmas. Isso é verdade principalmente com respeito às pessoas que têm o que se chama "complexo de inferioridade". Sei do que estou falando, pois fui culpada desse pecado por alguns anos. Foi uma das primeiras coisas que o Espírito Santo exigiu que eu confrontasse, quando aceitei Jesus como o Senhor de toda a minha vida.
          Eu sofri muita rejeição quando criança, enquanto crescia. Como con­seqüência disso, eu me achava sem valor, feia e repulsiva às outras pessoas. Eu tinha tamanho "complexo de inferioridade" que nunca me atrevia a entrar desacompanhada em um restaurante fast-food para comer. Eu não queria que as pessoas olhassem para mim. Nunca vou me esquecer daquela noite, alguns dias depois de eu ter aceito Jesus como o único Senhor da minha vida, em que o Espírito Santo tratou comigo com respeito àquele problema. Eu estava para entrar com o carro em direção à janela de atendimento a carros do McDonald's quando o Senhor falou comigo com profunda força e clareza:
          "Não vá por aí, entre, escolha uma mesa, sente-se e coma!"
          "Mas, Senhor", eu repliquei, "Tu sabes que eu não suporto isso. O que todas as pessoas vão pensar de mim, comendo sozinha?"
          A resposta do Senhor foi suave, clara e certeira:
          "Este é que é o problema. Você nunca pensa em nada além de em si mesma! Você tem de confessar o seu complexo de inferioridade como pecado! É o pecado do egocentrismo. O fato é que você não é assim tão importante para que as outras pessoas se importem com você. Todas elas estão pensando em si mesmas."
          Eu fiquei chocada! Mas imediatamente me convenci de que era ver­dade o que o Espírito Santo me dissera. Paranóia, complexos de infe­rioridade, pessoas reagindo por terem sofrido rejeição no passado, Tudo isso é o pecado do egocentrismo !
          É hora de pararmos de pen­sar em nós mesmos o tempo todo e tornarmo-nos os servos que deve­mos ser do nosso Rei. Alguém o feriu? Então, diante de Deus, você tem que perdoá-lo. Você sabe o que significa perdoar?
          "Sede misericordiosos, como também é misericordioso vosso Pai. Não julgueis e não sereis julgados; não condeneis e não sereis condenados; perdoai e sereis per­doados." (Lucas 6:36-37)
          "E não entristeçais o Espírito de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção. Longe de vós, toda a amargura, e cólera, e ira, e gritaria, e blasfêmias, e bem assim toda malícia. Antes, sede uns para com os outros benignos, compassivos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus, em Cristo, vos perdoou." (Efésios 4:30-32)
         
          Se nós nos recusarmos a perdoar aqueles que nos feriram, entristeceremos o Espírito Santo e, assim, ele não poderá atuar em nossa vida.
          Os que saem do Satanismo, em sua maioria, foram horrivelmente abusados durante o tempo em que estiveram na bruxaria. Isso aconte­ce especialmente com aqueles que foram criados por pais satanistas, ou que foram recrutados para a bruxaria quando ainda muito jovens. Os abusos que essas pessoas sofrem estão além da imaginação da maioria das pessoas.
          Entretanto, a Palavra de Deus aplica-se a eles e a você, da mesma forma que se aplica àqueles que, dentre nós, foram abusados dessa forma. Eles têm de perdoar aqueles que os feriram, para que o Pai possa perdoá-los de seus próprios pecados.
          Há quatro passos básicos nesta questão de perdoar alguém que o feriu.

1. Nós não perdoamos porque nos sentimos dispostos a perdoar. Per­doamos como um puro ato da nossa vontade, em obediência aos mandamentos de Deus.

2. Quando perdoamos alguém, reconhecemos que não temos mais nenhum direito de vingarmo-nos daquela pessoa.
          "Ora, nós conhecemos aquele que disse: A mim me per­tence a vingança; eu retribuirei.' E outra vez: O Senhor julgará o seu povo.' Horrível cousa é cair nas mãos do Deus vivo" (Hebreus 10:30-31)
          "Bendizei aos que vos maldizem, orai pelos que vos calu­niam." (Lucas 6:28)

3. Quando perdoamos alguém, devemos fazê-lo seguindo o exemplo de Deus. Uma vez que tenhamos perdoado alguém, não temos mais nenhum direito de permitir que permaneçam em nossa mente as lem­branças e os pensamentos quanto ao que tal pessoa fez para nos ferir. Temos de disciplinar a nossa mente e parar de pensar em nós mesmos!
          "Pois, para com as suas iniqüidades, usarei de miseri­córdia e dos seus pecados jamais me lembrarei." (Hebreus 8:12)

4. Uma vez que tenhamos dado estes passos em obediência a Deus, podemos pedir ao Pai que controle e mude as emoções que estiver­mos sentindo. Nós, seres humanos, podemos fazer muito pouco para controlar ou mudar as nossas emoções. Mas o Senhor pode, e irá fazê-lo, à medida em que o obedeçamos e perdoemos aqueles que nos feriram.
         
          Muitas vezes os cristãos evitam toda essa questão do perdão reprimindo  suas emoções. Sabemos que não devemos ficar com ressentimento nem irados quando alguém faz algo contra nós. É muito mais fácil lançar as emoções inaceitáveis para fora da nossa mente consciente em vez de enfrentarmos o necessário perdão ou a confrontação de toda a situação.
          Se um irmão pecar contra nós, não temos apenas o mandamento de perdoá-lo. A palavra também nos ordena a falar com ele e a mostrar-lhe o seu pecado. Então, quer ele se arrependa ou não, temos que perdoá-lo. Reprimir o ódio e a dor é uma forma de evitar toda essa situação. Essa não é a vontade de Deus, que sempre requer de nós plena sinceridade.
          Quando perdoamos alguém, devemos também falar sinceramente com o Senhor, reconhecendo e admitindo nossas verdadeiras emoções  na situação. Quando fazemos isso, temos então o direito de pedir ao Senhor que cure e modifique as nossas emoções. Ele o fará, à medida em que andarmos em obediência a ele.
          Eu sei que vou fazer muitos dos leitores ficarem irritados, mas tenho de lhe dizer o que o Senhor me ensinou.
          Você não tem o direito de viver a sua vida reagindo a feridas do passado. Deus exige que você perdoe, que esqueça, e que pare de pensar em si mesmo e sobre o quanto você foi ferido. Se você não fizer isso, você estará vivendo ativamente em pecado!
          Por fim, todos devemos chegar a uma maturidade em Cristo, onde faremos com que Tiago 4:17 se torne uma realidade em nossa vida. "Portanto, aquele que sabe que deve fazer o bem e não o faz nisso está pecando'' (Tiago 4:17)
          Para colocar isso em termos bem simples, nós devemos fazer a coisa certa simplesmente porque é a coisa certa a fazer, e não porque alguém exige isso de nós. Se tão somente alcançássemos este ponto, muitos, muitos dos problemas de relacionamento entre as pessoas sim­plesmente desapareceriam!
          O Senhor foi muito bondoso por nos ter dado um simples dispositi­vo, que existe em praticamente todos os lares, e que nos ajuda enten­der este princípio. Assemelha-se a isto (ver figura 8-1):


Figura 8-1

          Quando não obedecemos este princípio em Tiago 4:17, então fica semelhante a isto (ver figura 8-2):


Figura 8-2

          Vamos, seja honesto! Quantas vezes você discutiu com alguém sobre  de quem era a vez de levar o lixo para fora? A palavra de Deus diz que quando sabemos o que é certo e não o fazemos, estamos pecan­do. Se você vê que a lata de lixo está cheia, você sabe que a coisa certa a fazer é esvaziá-la! E, quando você a esvazia, você não vai ao seu pai ou ao seu cônjuge e diz algo como: "Amor, eu esvaziei o lixo para você." Não, não foi isso que você fez. Você está é à busca de um tapinha nas costas. A razão por que você fez o que fez teria que ser simplesmente porque isso era a coisa certa a fazer.
          Veja, quando você faz coisas apenas porque alguém espera que você as faça, você ficará bastante irado com essa pessoa. "Tenho que fazer assim e assim só porque minha esposa (ou marido) espera que seja assim'', ou:''Tenho que fazer assim e assim para que minha mãe não fique brava!" Quantas vezes você já ouviu tais afirmações? A parte triste é que tratamos Deus da mesma forma. Ficamos bravos com Deus porque sentimos que "temos que fazer" certas coisas porque o Senhor as exige.
          Não fazer a coisa certa é pecado. Creio que mais de 75% de todos os problemas entre os membros de uma igreja seriam resolvidos se as pessoas crescessem e começassem a atuar como este versículo nos diz. Faça o que é certo!
          Nunca deixo de me pasmar toda vez que vejo pessoas poderem pas­sar direto por uma coisa que sabem que precisa ser feita, e simplesmente não a fazer! Isso é um sinal de imaturidade. É por causa dessa atitude em nossa vida que o Senhor precisa castigar-nos com tanta freqüência. É aí que começa o problema do nosso relacionamento com ele!
          Lembro-me muito bem de um dia em que estava indo de carro para o trabalho, quando o Senhor me disse que eu tinha que começar a exercer alguma disciplina na vida de duas moças que tinham vindo morar em minha casa cerca de um mês atrás. Eu já havia falado com elas sobre o assunto várias vezes, estava cansada e não queria de novo passar por aquele aborrecimento. Eu disse:
          "Oh, Pai, eu simplesmente acho que isto não vale a pena o aborreci­mento! Sempre que tento fazer algo assim as pessoas jogam em mim todo tipo de culpa! Dizem coisas como: 'Quem você pensa que é? Quem fez de você Deus?"'
          A resposta do Senhor foi clara e firme:
          "Filha, você gostaria que eu lhe desse uma relação precisa do número de vezes que você tentou jogar culpa em mim? Por exemplo, 'Pai, se tu me amas, como foi que permitiste que isto acontecesse comigo?"'
          Não preciso dizer que eu não queria ver aquela relação! Quantas vezes você tentou jogar a culpa em Deus?
          "Deus, se tu me amas, por que permitiste que isso acontecesse co­migo? Deus, se tu me amas, terias me dado isso e aquilo! Como pode um Deus tão amoroso permitir que isso e aquilo aconteçam?"
          Todas essas perguntas são pecado e um sinal da nossa terrível ima­turidade. É tempo de nós, cristãos, crescermos! Paulo disse:
          "Quando eu era menino, falava como menino, sentia como menino, pensava como menino; quando cheguei a ser homem, desisti das cousas próprias de menino." (1 Coríntios 13:11)      
           
          Temos de abandonar todas essas infantilidades. Encaremos nossas responsabilidades e compromissos e os cumpramos em retidão diante de Deus. Lutemos esta luta contra a nossa natureza pecaminosa e vençamos.
          Este é o caminho para uma vida abundante em Jesus Cristo, nosso Senhor.
          Se o leitor está convencido, ao ler este capítulo, de que deve levantar-se e assumir o controle da sua natureza pecaminosa, um bom começo é fazer a Deus uma minuciosa confissão de todos os seus peca­dos passados. Veja no Apêndice A algumas observações que lhe serão úteis para mostrar-lhe como fazer essa confissão.